Avançar para o conteúdo principal

Carrego

no ADN um perfeccionismo assanhado, disfarçado de balda e "deixa andar". Passo tempo infinito sem limpar ou arrumar os cantos da casa mas tenho quebras de tensão se vejo uma diferença de altura entre duas toalhas acabadas de pendurar. Mata-me um chão mal assentado, um rodapé demasiado largo para o meu conceito de estética, uma parede mal estucada. Não sou capaz de viver com as imperfeições de uma obra mal feita. Tudo tem que ser milimétrico, simétrico, contínuo e lógico. Perfeito. Uma bancada de mármore não pode ter um corte a meio, ligado com silicone a outra metade. Um armário não pode nunca ficar torto, uma gaveta não deve estar perra mas sim correr suavemente e encaixar perfeitamente. Sou assim na vida, seja com naturezas mortas, tanto quanto comigo, numa ansiedade cheia de altos e baixos, que cansa. Numa autocrítica feroz, cruzada com a ilusão de "não quero saber". Nenhum trabalho que fiz ficou bom o suficiente, nenhuma palavra foi a tal, faltou sempre "só um bocadinho assim". Por muito que se corra nunca se alcança a felicidade plena, pelas falhas que teimam em perturbar uma pintura bucólica, que deveria trazer paz. Mas ali está aquela pincelada fora do lugar, para estragar o conjunto e me tirar o sono. (post SAPO Outubro 27, 2024)

Comentários

Mensagens populares deste blogue

Que tipo de leitores seremos?

Longe da "exaltação" inicial da entrada na blogosfera, hoje, reduzo-me a um pequeno núcleo de blogues que me despertam interesse. Cada vez mais pequeno. Dispenso blogues sobre política, "noticiários" quase réplica dos restantes órgãos/meios de comunicação social. Não consulto os blogues de "colunáveis" da blogosfera pois por serem "de referência" despertam a minha veia "do contra" e, para além disso, vejo os seus autores noutros suportes a dizer as suas coisas, daí já não me apetecer ver o que dizem por esta via. Não tenho paciência para blogues quase só feitos de imagens, muito menos os que seguem à risca o mote "uma imagem vale mais que mil palavras". Para isso vou a sites de fotografia, que os há aos molhos, e escolho eu as fotos de que gosto. Cada vez menos me interessam as polémicas, os intensos debates sobre as opiniões/posições políticas e afins de uns quantos blogues opositores também tidos como "de referência...

Esta coisa

nova eu eu descobri na minha mais recente mudança de template e que escarrapachei ali pró lado é muito útil! Eu, que apesar da minha teimosia e de aprender html à conta de muito queimar pestanas, nunca fui capaz de arranjar uma cena daquelas dos feeds ou rss's ou lá o que é e que serviria para me dizer quais os meus blogue(r)s favoritos que tinham acabado de publicar e quando. Nunca fiz a menor idéia de onde ir buscar tal coisa, se tinha que instalar software se não, se apenas teria que que aceder a um site tipo sitemeter, copiar códigos, sei lá, nunca descobri. Nem me esforcei muito, confesso. Apenas maldizia a minha sorte de cada vez que fazia mais uma ronda pelos favoritos e os descobria iguais, paraditos. Aparece agora esta funcionlidade, toda lindinha, no blogger que, diga-se em abono da verdade, tem feito algum esforço de modernização para se equiparar às outras plataformas teoricamente mais sofisticadas. E é ver, os meus favoritos todos ali ao lado, actualizados ao minuto. ...

Eu gosto

das artes. Juro. E da cultura de um modo geral. Gosto de ler bons livros, visitar museus, assistir a espectáculos de todo o tipo, admirar Bieniais de artes plásticas na Festa do Avante ou fora dela. Tenho os livros quase todos do Saramago, adoro a escrita do Zé Luis Peixoto. Encanto-me com a música dos corais alentejanos mas também sou capaz de ficar de olhar perdido no vazio a ouvir Muse e Pearl Jam. Palavra. Agora, abro a porra do Facebook e quase me nauseia ver hoje as publicações de malta que flutua alegremente numa nuvem fofa alheia de tudo quanto os rodeia, anunciando lançamentos de livros, fala de filmes e idas ao cinema, publicita iniciativas de qualidade mas que não reflectem a realidade do país em que vivemos HOJE. No dia de HOJE, depois daquela cambada de imbecis ter anunciado as linhas com que nos Governa. Desculpem lá o mau feitio* mas acho que HOJE qualquer cidadão responsável só tinha um único caminho, um dever: gritar bem alto a condenação a esta política , a este...