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Mensagens

A mostrar mensagens de outubro, 2010

Não

desabar. retirada daqui

Acho que já se percebeu

que fazem-me falta os meus mortos Também se percebe que não mantenho este blog propriamente para que seja um sucesso de audiências. Senão não escreveria estas coisas assim pro urbano-depressivo. Mas é para isso que me serve este blog, para estas catarses que ocorrem nas madrugadas de pois das festas e dos copos (só ai) e que não interessam a ninguém a não ser a mim e aos amigos do peito que aqui se manifestam logo que percebem que o estado de espírito já conheceu melhores dias. Só que a vida não se faz disto, a minha vida não se faz, definitivamente, de momentos baixos. Antes pelo contrário. Apenas os outros não passam por aqui. Esses acontecem lá fora, nos serões de boa comida e vinho, de risos e histórias, de músicas e calor dos amigos. Esses são íntimos e não se exibem. Só interessam a quem os vive e partilha. Siga então a dança, este blog vai andando para o lado que me der. Era só isto.

O meu pai

morreu-me há catorze anos e mais dez dias. Precisamente. Não vou ao cemitério há uns dois anos. Não sei bem como lidar com aquela foto dele na pedra, a inscrição que escrevi num papel nessa noite, na sala de espera do hospital, saida directamente do choque, do horror da incredulidade de dentro da alma "Viverás para sempre na memória dos que te amam". Não sei o que fazer naquela casa de gente que não é gente, talvez apenas pó no meio da terra ou nem isso, fotos antigas, flores secas. Pessoas que foram felizes, amaram, odiaram, que sorriram muito, que estiveram por aqui, ao nosso lado, onde estamos nós agora, até ver, até um dia. Até deixarmos nós de estar também. O meu pai já morreu há tanto tempo. Passaram anos e estórias, cresceram-me os filhos, apaixonei-me e desisti, tornei a acreditar  e desistir, estive no topo, vim até ao fundo, tornarei a levantar-me. Um destes dias. Catorze anos e dez dias. E, não sabendo bem porquê, nunca o chorei como fiz no dia de hoje.

O blog é meu e escrevo as coisas piegas que entender

"(...) No remuevas el agua de la laguna no respires. Para ser tuyo tendría que morir. Confórmate con su salvaje lejanía con su ajena belleza (si vuelve la cabeza escóndete en la hierba). No rompas el hechizo de esta tarde de verano. Trágate tu amor imposible. Ámalo libre. Ama el modo en que ignora que tú existes. Ama al cisne salvaje." Luis Rogelio Nogueras

Faço-me de forte

e sorrio. Disfarço a mágoa, o sabor a pouco, a certeza do desperdício e digo que sim que está tudo bem, que a vida é bela. E é-o, de facto. Faço de conta que não sinto a falta, que estar longe é o que de menos importa, que não imagino por onde pousa o olhar mais bonito que tive ocasião de conhecer. Faço-me de forte e é isso que importa, a vida não está feita para os fracos para os que se consomem de tristeza, para os que não dão a volta por cima. A vida é efémera e feita apenas para os que a sabem absorver sem desperdícios, uma reciclagem constante de emoções até que dê, até que sim. Faço-me de forte, rio muito, riem-se comigo, admiram o brilho no olhar  sem saber que se deve ao rio contido lá por trás e ninguém percebe como tenho saudades tuas.

Quando me morreu o meu maior amigo

e note-se que uso a expressão maior e não melhor porque dizer maior me parece mais completo, mais uma idéia de espaço, de grande, de imensidão e excesso, de infinito, que era tudo o que ele foi. Mas quando me morreu o meu maior amigo, uma das minhas - e dele - maiores amigas ao telefone perguntava-me o que fazia eu, dias depois, em casa. Respondi-lhe que arrumava gavetas, rasgava papéis antigos, não sabia bem porquê mas era isso que fazia. Ela, psicóloga de habilitações académicas mas sobretudo da sua própria vida, na qual nasce e morre todos os dias, disse-me que o fazia porque queria, inconscientemente, repor a normalidade. Encontrar uma forma de organização, de ilusão de que tudo se mantinha igual. Hoje, depois de me morrer um dos maiores sonhos que ousei esboçar e partilhar com alguém, arrumei textos antigos no computador, apaguei ficheiros, reli blogues de que gostava, retomei comentários noutros, voltei aqui e escrevo.

Por outras bandas dizia hoje

que a dureza das decisões a tomar é directamente proporcional à sua capacidade para mudar o mundo. Ou apenas as nossas vidinhas insignificantes. Hoje confirmei a preposição enunciada. De nó no estômago e na garganta mas nunca fui de águas paradas. Mesmo que isso me rasgue toda, me prive de doces prolongamentos de ilusões carinhosamente alimentadas por mim e pelos outros. Mesmo que o preço a pagar seja uma 'normalidade' que traz paz mas não preenche. A coragem, por vezes, é o pior inimigo da felicidade. Mas a felicidade, para ser autêntica e não apenas um vislumbre que nos aquece o peito a espaços, tem que ser plena e partilhada.

Era

DISTO que eu falava ali mais em baixo, a esforçar-me com metáforas poéticas mal amanhadas e ilegíveis,  de mundos e Universos e a treta, pfffff.... Ganho mais em ficar caladinha e deixar quem sabe dizer estas coisas.

Há um ano

atrás eu não sabia que dia iria ser o dia de hoje, um ano depois. Há um ano não sabia que se pode ter, num mesmo dia, a ternura quente de uma voz pelo telefone e a frieza de um quotidiano fingido. Faz hoje um ano eu não imaginava que, um ano depois, se pudesse vir a conjugar, neste mesmo dia, o mais belo pico de felicidade com o maior buraco negro da mais escura podridão. Não sonhava sequer que seria capaz de, um ano passado, ter na minha vida o melhor e o pior. Há um ano eu não era nem deixava de ser feliz porque não sabia que me esperava essa felicidade, no ano seguinte. Mas não era infeliz porque os dias corriam como rios e ainda acreditava nos sorrisos. Há um ano, este dia em particular era apenas mais um que nada tinha que o distinguisse dos demais. Um ano depois e o dia de hoje é dos mais importantes do meu calendário. Pelas piores e pelas melhores razões. Há um ano, aqui era só a Mar. Hoje, aqui e lá fora sou a Maria. E, apesar de tudo, gosto mais.

Em tempos

antigos este blog servia-me de divã. Chegava aqui ao fim do dia, da tarde ou nos amanheceres depois de noites em claro e divagava. Tergiver(filosof)ando é uma das categorias deste blog, inventadas por mim, de que mais gosto. Em tempos passados, os posts que mais bem consegui escrever, sairam-me sob o efeito das endorfinas da paixão ou da desilusão. Ainda hoje assim é. A diferença é que em vez de os escrever limito-me a senti-los. E o resultado não é bom, garanto.

A minha vida

está nisto. De preferência sempre lá em cima o que não é, propriamente, o caso.

Se queremos

temos que merecer. Se nos querem, que o esforço que fazem seja proporcional. Nada menos do que isso. Dito de outra forma: ou isso ou nada. Eu acho que mereco. O Mundo e embrulhe-me ainda aí mais um pouco de Universo se fizer o favor.

Talvez amanhã

Talvez. Pode ser que amanhã a escrita volte e se aninhe na ponta dos meus dedos de novo. Talvez ela venha, mansa e tímida como quem sabe que fez asneira e está arrependida. Talvez peça para sair, em jeitos de desculpa, gosto muito de ti, que saudades que já tinha deste lugar. Pode ser que cansada de tanto palmilhar caminhos, de procurar fórmulas e milagres, ela se chegue e acomode e de pleno direito ocupe estes espaços vazios que foto nenhuma consegue preencher. E talvez aí ela diga o que viu, as estórias que ficaram por contar, os olhos que não souberam o que as entrelinhas lhes quiseram mostrar, os finais felizes que argumento nenhum conseguiu retratar. Pode ser que amanhã a escrita volte a morar aqui, neste mural e nessa altura a vida aqui torne a entrar.

Às vezes

gostava de ser outra vez a Mar que primeiro leu blogs e comentou, depois criou o blog que se chamava Espelho Mágico, que ninguém sabia quem era ela e ela ainda não sabia o que viria a ser o Ponto sem Nó...

Andamos todos

a querer ser felizes, é o que é. Isto na sequência do debate na caixinha ali do post de baixo. sendo que, para alcançar este  sentimento geral de bem estar a que se convencionou chamar de felicidade, precisamos que umas quantas coisinhas se conjuguem. Ser feliz de barriga vazia não será fácil. Ser feliz sózinho também nem por isso. Ser feliz no meio de um cenário de guerra, cadáveres pelo chão, casas em ruinas muito menos. E assim me lembro da canção:  " A paz, o pão habitação saúde, educação Só há liberdade a sério quando houver Liberdade de mudar e decidir quando pertencer ao povo o que o povo produzir..."     E a isto só acrescentaria, o Amor.