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Mensagens

A mostrar mensagens de setembro, 2011

Isto é Fabuloso

Ficar-te-á sempre na boca esse amargo dos voos altos que adias com a convicta certeza do teu direito a fazê-los. No fundo sentes que os mereceste, tamanha a dor de crescimento pela qual já passaste. Devias saber, e digo-to eu, que me orgulho imensamente do caminho que trilhaste, prova de que uma pessoa se faz se não tiver medo de falhar.

Mary J. Blige, U2 - One

Navegar é preciso

Não passamos de intrépidos exploradores à descoberta de novos mundos, garimpeiros na demanda do filão mais precioso. Levantamos ferros e largamos caravelas por esses mares fora, na esperança de ir sempre mais além, muito além do Bojador. Quando, enfim, um recorte de Terra firme contra o céu nos parece o lugar de atracar, trôpegos de tanto navegar sem chão por debaixo dos pés, fundeamos e saímos em busca de promessas de solo farto e apressamo-nos a desfraldar bandeiras, erigir monumentos, marcar territórios. Não venha alguém usurpar o que com tanto esforço - dias e dias de marés altas, sede e sal, febres e escorbutos, delírios e visões de sereias que afinal eram dragões - por fim alcançámos.  A ilha do Paraíso que, vai-se a ver, desfeita a miragem, era só mais uma rocha estéril no meio do oceano.

O Silêncio

Deixa as palavras onde estão. Imóveis, desarmadas. Não lhes agites os demónios que nelas dormem ávidos de despertarem. Não fales do que és, nem descrevas coisa alguma. Preserva o que em ti e nos outros é intocável. Não deixes que as palavras desfigurem. Que as palavras mutilem. Que as palavras viciem. Que as palavras mintam. Que as palavras sejam peças de um jogo em que o desfecho É o xeque-mate. Fernando Namora, in Nome para uma casa, 1984

Sair do mundo

por um bocadinho. Do mundo que nos está mais próximo, daquele que vemos todos os dias. Não é preciso que seja até um destino exótico, horas de avião, malas a rebentar, aeroportos atulhados, correrias e arrelias, basta uma casa a que chamamos lar, paz de espírito, uma cama e lençóis lavados. Basta desligar telefones, esquecer rotinas, comer só se apetecer, dormir o que se puder. Basta a nossa companhia e as conversas que com os nosso botões vamos mantendo. Basta viver e esquecer.