Na minha terra, que como toda a gente sabe é a Terra Santa Alentejana, os mais velhos, esses inesgotáveis repositórios da ancestral sabedoria popular, essa que nunca falha porque cimentada na experiência da vida, usam expressões que são verdadeiros tratados do conhecimento da condição humana. Lançam-nas pró ar, zombeteiros, enquanto se encostam à sombra do chaparro e assobiam às ovelhas tresmalhadas. Competem entre si, à desgarrada, ao balcão da tasca emborcando copos de 3 enquanto vão fiosofando sobre os ventos e acalmias da planura. Olham para a vida que corre, irónicos e mordazes, com a serenidade que advém das certezas de quem já viu muita água a passar debaixo da ponte do Guadiana e sabe que ainda há-de passar por ali outra tanta. Uma das que mais gosto é "Ó filha/o cantas bem mas nã m' alegras" mas a melhor melhor melhor é "Deix'ós poisar...".
um blogue que fala de apanhar estrelas, beijar bonecos de neve e adormecer nas nuvens.