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Mensagens

A mostrar mensagens de março, 2011

Chegas-me

sem que eu saiba bem como, um tímido raio de sol depois da tempestade. Não que eu antes não soubesse que estavas lá, que o sabia, tanto tu como o sol e entre nós uma cortina de nuvens, uns dias espessa, noutros tão fina que quase podia estender a minha mão e tocar. Em ti. Estavas lá e eu sabendo há muito, que o sabia, não podia. E um dia, de repente claro e brilhante, um céu sem nuvens, eis que me chegas. Único e tão certo como se antes desse céu nada houvesse, como se apenas a Primavera fosse estação e as horas já não precisassem de mudança. Não sei se ficas, se o tempo estará a favor desse vento fresco que me sopras na curva do pescoço, não sei se o meu regaço se fará casa, talvez nunca venha a correr o rio nestas minhas mãos que te estendo abertas. Não sei. Mas não importa. Chegas e contigo trazes andorinhas, o cheiro dos campos e a luz da cal, um traje antigo e a voz dos deuses. Não preciso de mais nada para ser feliz.

Soul mates

da blogocoisa. Pronto. O que é bom. Saber que há mais  me's por aí. :-) Obrigada. A-DO-RO. Portanto, querido Universo just bring it on. Sei do que sou feita e podes apostar que uma mulher também se define pela capacidade de aceitar que este foi o ano e meio de vida mais merdoso de sempre: das piores derrotas, das piores constatações, dos mais duros wake up calls, de ter que começar de novo mesmo sem vontade. E tu bem sabes quantas vezes já comecei do zero. Finco os pés, fecho os punhos, cerro os dentes e ponho este ar de tá bem, tá bem mas não desisto, não desisto, não desisto. Aqui me tens, de sorrisinho trocista.

Eu tinha que

copiar isto. Na íntegra. Pedindo antecipadamente à Dra "Paracuca" que me perdoe e que não se aborreça com este meu gesto que tão sómente pretende dizer: A mim também! Igualzinho, tudo, tudo, tudo. O que me faz medo Perder pessoas. Eu não gosto de toda a gente, não sou particularmente fácil, tenho mau feitio, faço birras, amuo e entristeço com facilidade. Mas escolho as pessoas e quando decido gostar delas ponho nisso o coração. Todo. Trago-as para a minha circunstância e torno-as indispensáveis. Não preciso de estar com elas todos os dias, não telefono, não respondo às vezes mas gosto delas com os dois ventrículos na mesma. Se de repente sinto que uma pessoa se está a ir embora, seja porque razão, até nos casos em que a culpa é minha e da fraca manutenção que lhe faço, dói-me o coração inteiro. Normalmente tento reverter a coisa. Procuro, tento recuperar o que perdi mas nunca insisto. Normalmente arrumo a coisa ao terceiro telefonema e tento habituar-me à ausência. Len...

Reality's clock is tickling your dreams*

Comprei uma máquina para fotografar a Lua. Não chegou a tempo. Assim anda a minha vida, fora de tempo, desfasada das vontades, desencontrada dos sonhos. Dispersa por um calendário que insistem em impôr-me mas que não é o meu. Ando ao contrário dos ponteiros, eu. Invento viagens e travessias por mundos imaginários, no avesso da realidade. Só sou feliz num outro lado do espelho, inverso ao de quem me rodeia e assim acabo sózinha, num tabuleiro de xadrez sem Rei e onde nunca existe Xeque à Rainha. E perco-me em tentativas de entrar no Jardim mágico, focada na busca da solução milagrosa, aquela que me faça encolher para caber na porta sem precisar de ser maior para chegar à chave dourada... * Lewis Carroll

Pincelar

a fachada, um jeitinho no exterior, uma caiadela de branco alvo bordada pela barra azul ou amarelo-ocre. Plantar umas malvas cor-de-rosa nos canteiros, talvez uma buganvília que suba pela ombreira, num abraço protector às portadas. Manter a aparência de solidez, a todo o custo, não dar tréguas ao salitre, não deixar desabar o reboco. Abrir as janelas de par em par. Um sorriso aberto para quem vier por bem. Segurar a trave mestra lá dentro, lá por dentro, a poder de calços, reforçar os pilares, cuidar que os [muitos, tantos, mas quando é que eles acabam?] estremeções na estrutura não ameacem a segurança do edifício. O que é preciso é que se aguente de pé, que não desmorone, que fique sempre de pé. Foto: Mar algures numa rua de Lisboa...

E assim nasceu o alentejano...

E hoje

é dia de Poesia, Igualdade e Canções, de um copo com amigos, de assinalar a Luta e a convicção de dias melhores que hão-de vir por aí. Hoje é dia de viver como melhor sabemos: com verticalidade, solidariedade, amizade e combatividade.

E ontem

a Ana Ademar disse este poema de uma forma magistral, doída, com palavras doces, sentidas e que me fez senti-lo de forma igual e desprender lágrimas teimosas. Falta, de Sarah Kane e os itálicos são o meu muito pessoal poema, só meu... "E eu quero brincar às escondidas contigo e dar-te as minhas roupas e dizer que gosto dos teus sapatos e sentar-me nos degraus enquanto tu tomas banho e massajar o teu pescoço e beijar-te os pés e segurar na tua mão e ir comer uma refeição e não me importar se tu comes a minha comida e encontrar-me contigo no Rudy e falar sobre o dia e passar à máquina as tuas cartas e carregar as tuas caixas e rir da tua paranóia e dar-te cassetes que tu não ouves e ver filmes óptimos, ver filmes horríveis e queixar-me da rádio e tirar-te fotografias a dormir e levantar-me para te ir buscar café e brioches e folhados e ir ao Florent beber café à meia-noite e tu a roubares-me os cigarros e a nunca conseguir achar sequer um fósforo e falar-te sobre o programa de te...

Sabe bem

Fazer [de novo] qualquer coisa de produtivo.

Ainda agora conheci e já sou Fã

Entristece-me, de verdade, estes dias de celebração obrigatória dos sentimentos de quem sobrevive por ter medo de viver. Apetece-me sempre o sarcasmo, a ironia fácil, dada de bandeja. Mas no fim o que me fica é sempre a tristeza daqueles não diálogos, daquelas não ternuras, daqueles não casais, daquelas pessoas fragmentadas entre o que quiseram ser e o que se sujeitaram ser. O medo há-de ser sempre o contrário do Amor.