sem que eu saiba bem como, um tímido raio de sol depois da tempestade. Não que eu antes não soubesse que estavas lá, que o sabia, tanto tu como o sol e entre nós uma cortina de nuvens, uns dias espessa, noutros tão fina que quase podia estender a minha mão e tocar. Em ti.
Estavas lá e eu sabendo há muito, que o sabia, não podia.
Estavas lá e eu sabendo há muito, que o sabia, não podia.
E um dia, de repente claro e brilhante, um céu sem nuvens, eis que me chegas. Único e tão certo como se antes desse céu nada houvesse, como se apenas a Primavera fosse estação e as horas já não precisassem de mudança. Não sei se ficas, se o tempo estará a favor desse vento fresco que me sopras na curva do pescoço, não sei se o meu regaço se fará casa, talvez nunca venha a correr o rio nestas minhas mãos que te estendo abertas.
Não sei. Mas não importa.
Chegas e contigo trazes andorinhas, o cheiro dos campos e a luz da cal, um traje antigo e a voz dos deuses.
Não preciso de mais nada para ser feliz.
Não sei. Mas não importa.
Chegas e contigo trazes andorinhas, o cheiro dos campos e a luz da cal, um traje antigo e a voz dos deuses.
Não preciso de mais nada para ser feliz.
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José Filipe Murteira
(brigada)