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Mensagens

A mostrar mensagens de junho, 2008

E é no anoitecer

que lhe encontro maior beleza. Ao Sul. Nesta hora em que se apagam todos os fogos e a calma acalma. Quando as cigarras tomam a vez dos pássaros, já aninhados até o dia nascer. No lusco-fusco da planície é onde se ouvem todos os sons e se reconhecem todos os cheiros. A erva-luisa que faz um chá que dizem que cura tudo. O alecrim e o rosmaninho. A palha seca do campo. A terra acabada de regar. Ouvem-se os passos dos homens que chegam, cansados, e se acolhem no café até a noite chegar. E as conversas das mulheres, sentadas nas soleiras das portas em cadeiras baixas de buinho. Aqui ainda se vive devagar e o Largo é o centro do mundo. É onde se sabem as notícias, velozes como corcéis, matou-se o Manel, ajuntou-se a Maria, a Antónia teve um menino, benza-o Deus , onde se chega e se abala, ainda se trazem esperanças tanto quanto se levam os sonhos para longe, montados na camionete da carreira. É no Largo que o dia começa, é aqui que se recebe a noite. E também é no Largo que se aprende a e...

Um Pássaro à Solta no Sul

seria um belíssimo nome para um blogue. Quase tão bom como Eternas Saudades do Futuro. Do qual me bastou ler um ou dois posts ao acaso para saber que estava criada a afinidade (à solta), sem nunca ter trocado uma palavra com o autor. Com o tempo, confirmou-se a convicção, embora ainda constitua para mim uma surpresa que alguém tão exigente em termos estéticos, com tão vasto currículo intelectual, possa encontrar neste pequeno e despretensioso blogue, motivo para aqui voltar. E também a este Sul que, esse sim, cultivo com paixão por todo este espaço onde me (d)escrevo. O termómetro ali fora marca 40º. Portanto, se eu te devolver o cumprimento, calor é o que não lhe vai faltar. :-)

Adenda ao post de baixo mas cuja importância não permite que fique apensa ao mesmo e assim ganha vida própria e vai por aqui:

Foi um dois em um. Se a Xica tinha sido no dia anterior, hoje era a vez do amigo Sousa. Juntaram-se os dois à esquina e, enquanto um, não sabendo tocar concertina, esticava os fios , a outra (des)fazia o gaspacho. Não há melhor festa que aquela que consegue juntar amigos e petiscos, memórias de tempos idos e projectos para futuros próximos. Não são muitas as pessoas que nos fazem sentir em casa. Vocês os dois têm esse dom, o de juntar bocados da minha vida e conseguirem fazer com que me pareça que acabei agora de sair dos 15 anos e vou só ali à frente um bocadinho mas não demoro nada. Beijo grande aos dois, trongos . :-)

O nosso percurso

em conjunto iniciou-se muito cedo. Moças da mesma terra, idade e com bases de suporte idênticas. Pais lutadores e firmes nas convicções e nos ideais, tanto quanto na honestidade e justiça. Estava lançada a semente. Uma e outra fomos ganhando traquejo, experiências de pertencer a organizações - primeiro a Jotacêpê, as Associações de Estudantes, depois da idade conquistada, o Partido. Muitas reuniões, manifestações, emoções. A maior de todas numa Marcha contra o Desemprego, inícios dos anos oitenta. A pé de Beja até Lisboa empunhando bandeiras, entoando palavras de ordem, sob o sol e sob a chuva, sempre com a alegria de participar, de contribuir para mudar, de pertencer a algo tão mais grande que nós, pequenos individuos... Continuámos por caminhos paralelos, às vezes tão próximos que quase se tocaram, até que acabaram, de novo, por se cruzar definitivamente. Quem nos haveria de dizer, naquela altura, que íamos acabar a trabalhar juntas, a recuperar uma amizade, uma camaradagem que, afin...

Para mim **(com adenda)

o conceito de qualidade de vida não pode ser separado de uma intensa vivência diária da nossa identidade cultural, sentida na pele. A máxima expressão de ambos os conceitos, posso afirmá-lo, é terminar uma reunião ao início da noite, percorrer a pé os poucos metros que me separam do carro estacionado e, durante o percurso, para além de poder admirar de perto uma igreja lindíssima, devidamente valorizada pela correcta iluminação nocturna, ainda saborear o privilégio de ouvir, saíndo de forma espontânea pelas portas de um pequeno restaurante, isto .* * Isto é o Grupo Coral de Baleizão. A música que saia do restaurante era cantada por homens anónimos. Alentejanos. **Adenda: Tendo sido, com toda a certeza, este post que inspirou estoutro , do João Marchante, por aqui lhe digo, uma vez que o amigo não é dado a esta coisa dos comentários, que venha quando queira. Haverá, decerto, um tinto à sua espera, que este Alentejo é hospitaleiro.

E quando,

três décadas depois, o nosso rebento ganha o primeiro lugar no concurso de flauta, é estrategicamente colocada em frente ao resto do grupo - no caso, os meninos todos das duas turmas de 4º ano da escola - para executar o solo ( sem fífias ) na festinha de final de ano e se revela em toda a sua sensibilidade quando se desfaz em lágrimas durante o discurso de despedida da professora de música, é suposto dizer-se o quê?

Quando o mundo

era apenas aquele campo de laranjeiras e tangerineiras e os afazeres se dividiam entre as correrias evitando o poço ameaçador e as subidas ao terraço por onde o Alentejo todo entrava de rompante, eu era uma criança de tranças e os dias não tinham horas. Também não existiam ainda medos, nem sequer das aranhas peludas que faziam ninho nas frestas do salão forrado a canas que eu conhecia como se lhe tivesse desenhado o mapa, latitude e longitude, o Norte a apontar para cima e à escala da minha infância. Os paus alinhavam-se perfeitos e estavam decorados com uns dizeres que tinham sido escritos com um maçarico. Nomes e uma data. Sombras queimadas na cana, desenhadas com cuidado como se um pincel fino as tivera traçado, uma caligrafia plena de arabescos. De vez em quando havia ramos que cheiravam bem, braçadas amarradas muito juntas que se penduravam pelos cantos, eram louro ou rosas, tantas vezes alecrim. Nunca havia frio naquela casa, que o lume era de chão e a chaminé albergava cadeiras ...

Consciência Ecológica

Não se nasce com ela. É algo que se adquire e cultiva. Que se aperfeiçoa com a prática e se vai consumindo em doses cada vez maiores. Há quem comece, devagar, por empilhar jornais e revistas velhas para levar ao ecoponto. Depois vem a dosezinha diária de embalagens plásticas e mais uns quantos boiões de vidro. Pilhas, cruzes, credo! essas há que anos não as colocamos no lixo doméstico! Depressa se evolui para os baldes e recipientes divididos por categorias, todos fashion na cozinha, a garrafa de água dentro do autoclismo, o cuidado com os óleos queimados (e nunca mais temos cá o "Óleão"...), as luzes apagadas ao sair da divisão onde se está, os carregadores fora das tomadas, a TV desligada no botão, os produtos de limpeza mais naturais. Sabemos que estamos agarrados logo que começamos a sentir-nos culpados pelo ancestral hábito (mas eu continuo a adorar!) de lavar a loiça com a torneira a jorrar hectolitros para a canalização...

Congresso Alentejo XXI (actualizado)*

* actualização feita ao nível cromático, que eu sei que vão perceber aqueles a quem ela se dirige (apesar de não ter bem a certeza de que eles saibam o que quer dizer cromático ...). Acusar todas estas pessoas de "cozinharem" coisas com os comunas, pá , é cá um elogio ao PCP! :-)) Neste painel, embora não se veja muito bem mercê da máquina farsola que sempre me acompanha dentro dos meus telemóveis de serviço, a mesa era composta desta forma: Dia 14 15:00 – 17:00 – Funcionamento dos Painéis Estratégia para o Desenvolvimento (Continuação) (Sessão 2) Moderador do Debate: Vítor Barbosa (Presidente do Núcleo Empresarial da Região de Évora – Associação Empresarial ). Intervenções: Joaquim Figueira Barriga ( União Geral de Trabalhadores – Coordenador - Delegação de Beja); Roberto Mileu (Dirigente da CNA – Confederação Nacional da Agricultura ); Presidente da Câmara Municipal de Montemor-o-Novo, Pinto Sá; António Capoulas (Presidente da Direcção da Associação Empresarial da Região d...

O Bloqueio

Tenho lido pouca coisa nos últimos dias. O pouco que leio são textos que mais não fazem do que criticar estes ou aqueles e arengar que isto e mais o outro, não deviam, são uns malandros, o Estado é que tem que mandar nos gajos, a ver se isto acaba, uma vergonha, não querem é fazer nenhum e por aí adiante, em tomadas de posição mais ou menos certas, mais ou menos coerentes, meramente políticas todas elas. Mais do que tomar partido(s), inflamar-me em discursos elaborados e criticar ou defender políticas e quem as personifica, este bloqueio serviu para perceber que tenho é que me defender a mim, que as dores dos gajos não são as minhas dores. Ou melhor, as dores dos gajos deviam ser as minhas, as de todos nós, as de uma Humanidade dependente de recursos finitos, mas não são. Ou, pelo menos, não parecem ser. Sim, que enquanto os tanques das reservas que alimentam a frota do Estado estiverem cheios para que o avião do Senhor Ministro possa descolar em mais uma missão "de Estado",...

E depois

deixamos de escrever por uns tempos. Demasiada imperial com caracóis a substituir o vicio da escrita. Muitos pássaros em rodopio louco por entre as árvores que dão sombra à esplanada. O cheiro forte do café acabado de tirar. E o fim de tarde a insinuar-se morno na pele, enfim descoberta. A luz do Verão ainda bate, aos pontos, este branco frio do ecrã. e depois, o Europeu visto em ecran (é assim ou será com o til?) gigante tem outro encanto...

Estou a ressacar

Foto: aqui de mar à força toda...

O Homem e a Obra

É o título desta foto. Mais o título do que quero escrever. E que talvez não consiga. Como se escreve a grandeza de alguém? A justa medida do valor? A autenticidade do ser, aquela que não precisa de holofotes para se fazer notar. De que forma se pode verter em texto uma amizade? A cumplicidade de anos que se escoa sem palavras, como um rio que corre de mansinho, sem sobressaltos. Perene, a palavra por ele escolhida para figurar na folha de rosto de um livro que me oferece sem ser preciso dizer nada. De parte a parte. Talvez nada disto se escreva mas tão só se veja. E seja, afinal, isso mesmo que interessa. Nos olhos e nos gestos. E nos silêncios das mãos. Aqueles mesmos que ele tão bem descreve, a páginas tantas deste livro de poesia. Não apenas mais um. O Livro. Este é o livro que consagra Carreira Marques. O melhor, o mais bonito. O Maior de todos. Porque é aquele onde se respira o crescimento da escrita, a paz de quem chegou a casa. Onde se reencontra o Homem grande. Este é o...

Mundo Perfeito

Mas uma criança que tenha tido a sorte de ser amada, mesmo que esse amor tenho sido recebido no meio da revolução, da maior tempestade, uma criança amada é incorruptível, e saberá sempre distinguir a verdade, a bondade, o bem. Tenho andado a evitar. Já peguei na pena algumas vezes, acabando sempre por deixar para depois. O tema é demasiado forte. Mas está visto que terei, um dia destes, que falar aqui do Manuel . (nome alterado).

É só para dizer que

aquela coisa ali de baixo, podendo não parecer, é uma praia. Dão-se alvíssaras a quem descubra qual, isto se alguém estiver para aí virado dado que se ninguém estiver também não faz mal nenhum. Achei piada ao programa, que descobri enquanto procurava um outro (ingloriamente até agora) que me permitisse desenhar/simular uma casa de banho. Em 3D ou assim, com possibilidade de mudar as cores das paredes, dos sanitários, a disposição dos móveis, essas cenas tãoabercomoé ?? Se alguma alminha caridosa me quisesse dizer onde encontro eu uma coisa dessas online é que era. Agora vou ali escolher azulejos.

Quem diria?

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