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A mostrar mensagens de maio, 2007

É*

uma foto antiga. A preto e branco. Não que seja assim tão antiga que não houvesse possibilidade de ter sido tirada com cores. O preto e branco foi uma opção estética. A assinatura do fotógrafo, no canto inferior direito, relembra a sua tendência para a produção artística, a criação de coisas belas - P Lopes. O papel está envelhecido, o tom cinza, comido pelo tempo, já se transformou em gradientes de cor que vão quase até ao branco sujo. Amarelado. Tem um chapéu preto de abas largas na cabeça e um rosto de menina. A foto foi tirada enquanto se encostava a um espelho que, atrás, reflete o que se encontrava na parede à sua frente: uma moldura vazia, sem tela ao meio. Só um rectângulo de madeira trabalhada. No centro do vazio desenhado pelas ripas de madeira, um busto de homem. Antigo, uma estátua de um cavalheiro qualquer do sec. XVIII ou XIX, nota-se pela representação do vestuário esculpido, o laço a apertar o colarinho alto, a jaqueta por cima. Recorda-se de uma moldura siamesa, noutra...

Acho

um piadão aos estafados argumentos dos gajos que, não fazendo greve, sentem necessidade de se vir justificar, com uma retórica plena de nãos mas tambéns, ses mas talvezes, oras essas, emboras se nãos , e bla, bla, bla, quando toda a gente percebe que, o que está verdadeiramente em causa é uma de duas: ou apoiam os governos vigentes e as medidas que despoletam a realização das greves ou, não apoiando ou apoiando assim-assim, não querem ser conotados com os partidos políticos que se opõem de verdade aos ditos, ai os comunas comedores de criancinhas meu deus salvai-me do mal , e que mais activamente se manifestam contra os mesmos. Sim, porque há oposição e Oposição, não é... Como se a greve não fosse uma conquista da democracia, não estivesse constitucionalmente defendida (ainda) e não representasse uma das poucas, se não a única, formas de o povo anónimo fazer ouvir a sua voz contra a tomada de gravíssimas medidas anti-sociais que só o lixam. Como se aqueles milhares que aderem à greve ...

A Posta à

Shark. Fotos: Mar

Esta Gaja

é mesmo inesperada . O que vale é que é sempre com coisas boas. :-) livrodosbonsprincípios.wordpress.com Em casa, ela apertava o saco do lixo quando ouviu um relógio bater as horas. Foi à janela e ficou lá parada durante muito tempo. Depois lentamente desceu à calçada. Ela nem queria, e dizia alto sempre que despejava o lixo, como quem despeja partes, eu nem preciso, nem quero. Mas queria cama, isso ela sabia que queria, aquele morno uterino de noite, a lembrar-lhe a dor da entrega em corpo. Corpo padecido em projecção furiosa e ávida, carnes frágeis. Depois, tudo se lava, translúcida que arrasta o cheiro, as mãos, o hálito, as palavras fechadas no fundo da garganta. Lavo-me e lavo-te. E despejo o lixo como te despejo a ti. Eu que nem preciso. Tu que me alivias e me transformas as formas em peso arrastado, só corpo, marcas de pés e mãos e cheiros, sem memórias. Lavo-me. Devagar e minuciosamente. Hoje é só quinta-feira. Terça-feira dir-te-ei que não precisas voltar. A ver.

E também é

munto lindo, comovente até, constatarmos que servimos permanentemente de modelo a alguém, que nos imita e se inspira em nós, bebe as nossas palavras para conseguir organizar um raciocínio. Faz-nos assim bem ao ego, sei lá...

Já viram

as Vista s? (espectáculo, estou rendida, o avanço tecnológico é uma coisa munto linda)

RESISTIR

Somos resistentes. Ao frio, à fome, ao calor extremo, à sede. À mágoa que consome. Somos resistentes à dor, a da tortura e a do amor. A que sufoca, a que amordaça. A que arredonda o corpo e o rasga e o abre para se dividir noutra vida. E à que nos dilacera quando parte quem amamos. Resistimos. Somos combatentes, resistentes. Vamos à luta e compramos as guerras que nos desafiam a travar. Na corda bamba, sem vacilar. Ganhamos umas, perdemos outras, tornamos a ganhar. Ousamos e voamos e caímos. E tornamos a voar. Resistimos. Quando nos atacam e abatem e nos agridem e condenam. E não aplaudem. Resistimos, sim. E, resistindo, vencemos

Estas duas

cara melas não acharam mais nada para fazer senão entalar-me no desafio do *"meme", sendo o dito algo que parece que alguém diz que é ( não perceberam? eu também não ) isto: (*) Um “meme” é um ”gene cultural” que envolve algum conhecimento que passas a outros contemporâneos ou a teus descendentes. Os memes podem ser ideias ou partes de ideias, línguas, sons, desenhos, capacidades, valores estéticos e morais, ou qualquer outra coisa que possa ser aprendida facilmente e transmitida enquanto unidade autónoma”. Como a única coisa que percebo o que quer dizer, desta algaraviada toda, é o "aprendida facilmente e transmitida", apraz-me então ensinar-vos que ( isto tendo por base reminescências do penúltimo post ): - A teimosia é a minha melhor qualidade. - E aquilo a que outros possam chamar arrogância é, tão sómente, o facto de sermos donos do nosso nariz. - Por último, ser do contra compensa sempre. E é por isso mesmo que não vou passar porra nenhuma a ninguém.

Agora é a minha vez

de louvar o dia em que o mundo conheceu uma pessoa especial. De tentar pôr em palavras o sabor de uma emoção. A de saber que contamos com alguém para tudo, apesar de tudo. De tecer a elegia da Amizade e da Lealdade, do Carinho e da Alegria. A de saber que existes ! Não é fácil descrever-te. Cai-se no risco do excessivo e, por isso, duvidável. Mas tudo o que eu pudesse dizer de ti seria pouco. Porque és mesmo uma pessoa Grande. Por isso, digo apenas: Agora é a minha vez. De te oferecer uma flor silvestre. Muitos parabéns, querido Shark e um beijo do tamanho da planície ondulante.
É de noite e todos os lugares ostentam sobre si o manto sereno do mistério. Uma mistura de névoa esbranquiçada a pintalgar partes escuras de céu, com um cinza monocromático que se apoderou dos objectos e das pessoas. Elas atravessam ruas, ao longe, todas pardas como os gatos, uniformizadas pela luz fraca dos candeeiros da rua e parecem fazer parte de uma sociedade enfim igualitária, sem diferenças, nem ricos nem pobres ou feios contra bonitos, quanto mais não seja pela falta de detalhes desta observação nocturna. Pelo menos, os que são alcançáveis a olho nu. Vejo-os andar em passo miúdo, com pressa de chegar a algum lado ou então apenas de sair do lugar onde se encontram. Pode ser porque está um friozinho estival, as noites aqui sempre foram de arrefecer demais, mesmo que durante o dia o calor nos tenha obrigado a procurar guarida no claustro de algum convento. Talvez até no mesmo de onde a Mariana espraiou a vista até que os olhos se lhe gastassem de tanto olhar. Olhar para o Amor, po...
A dentuça é só para enganar. Por detrás esconde-se um anjo da guarda em forma de pessoa bonita, com um coração do tamanho de um molho de malmequeres brancos, imenso. Sempre de peito aberto para ajudar quem o souber merecer. Ali. Na hora em que é preciso. Por isso é com imenso orgulho que posso afirmar que nunca me falhaste! Foto: Mar E dar-te assim um beijo enorme.
(mais tarde, embora sem previsão de quando, ao certo, virei cá explicar porque é que eu, uma ambientalista convicta, ando tentada a encontrar técnicas diferentes e criativas de não reciclar a vasta colecção de caixotes de cartão que vão ficando vazios, despojos de uma mudança. Later . Para já, para já, e quase atrasada , vou exercer o dever cidadão de participação na minha Assembleia de Freguesia)

É duro

tentar irromper pelo meio das ervas daninhas. Corre-se o risco de confundir o trigo com o joio e tratar tudo pela medida grande que é como quem diz, vá de pulverizadores carregadinhos de pesticida para cima. Foto: Mar Mas o vermelho sobressai sempre.

Há quem

crie blogues para si. Para usar como fiel dopositário do que lhe vai por dentro, como caixa arquivadora de poemas, músicas, fotos ou pensamentos que de outra forma se perderiam, na voragem dos tempos.Há aqueles que os criam para os outros, por detrás do nick da pessoa que não são mas talvez gostassem de ser, altos, espadaúdos, loiros e de olhos azuis. e vão vivendo a sua realidade dupla, tantas vezes com mais empenho com que vivem a vida analógica. Porque no blogue é que gostam de quem (não) são. Há ainda os que criam um blogue por razões comerciais, uma espécie de mina, a galinha dos ovos de outro descoberta, afinaleratãofácil , e vai neles construindo o filme que mais audiências dará. Uns safam-se, outros não. Depende de um conjunto de factores físicos muito pouco aleatório. A vocação para escrever e assim... Mas há um pequeno número de pessoas que cria blogues para dedicar a outros. E, espantosamente, é preciso alguém chamar-nos a atenção para isso, para que percebamos a importânci...

E se, por um lado

há mudanças íntimas, privadas, que não temos que mostrar a ninguém porque niguém tem nada com as nossas coisas mais pessoais, por outro, há aquelas gritantes, verdadeiros néons chamativos que são alardeadas aos sete ventos, num processo de auto afirmação que parece totalmente descabido aos olhos de quem não sabe da missa a metade.