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Mensagens

A mostrar mensagens de agosto, 2006

Que tipo de leitores seremos?

Longe da "exaltação" inicial da entrada na blogosfera, hoje, reduzo-me a um pequeno núcleo de blogues que me despertam interesse. Cada vez mais pequeno. Dispenso blogues sobre política, "noticiários" quase réplica dos restantes órgãos/meios de comunicação social. Não consulto os blogues de "colunáveis" da blogosfera pois por serem "de referência" despertam a minha veia "do contra" e, para além disso, vejo os seus autores noutros suportes a dizer as suas coisas, daí já não me apetecer ver o que dizem por esta via. Não tenho paciência para blogues quase só feitos de imagens, muito menos os que seguem à risca o mote "uma imagem vale mais que mil palavras". Para isso vou a sites de fotografia, que os há aos molhos, e escolho eu as fotos de que gosto. Cada vez menos me interessam as polémicas, os intensos debates sobre as opiniões/posições políticas e afins de uns quantos blogues opositores também tidos como "de referência...

A Memória Inventada

é um dos blogues que conheço desde os meus primórdios na Blogosfera. É escrito pelo Vasco Barreto, que alterna a sua vida entre Nova Iorque e, ocasionalmente, Lisboa. Em tempos mais idos, teve uns "colaboradores" muito sui generis , até ao dia em que o Vasco decidiu assumir a gestão da casa sózinho. A este autor devo, ainda (há quantos anos, três?), a publicação de um texto seu numa revista da nossa cidade, entretanto suspensa. Dos poucos emails que trocámos, por ocasião do seu envio do texto escolhido, metade foram de mim para ele, a desfazer-me em desculpas pelos sucessivos atrasos. Coisas de orçamentos e planos de actividades e assim...até hoje. Não existe previsão de quando tornará a ser editada a revista. Mas, nesse dia, o texto do Vasco, o do Jorge-Shark e o da Maria Clara-Caínha, seleccionados desde essa altura, serão dos mais importantes para mim. Porque assumi esse compromisso, que não depende apenas de mim ou já estaria honrado há muito tempo. Seja como fôr, para de...

por casa coexistem três seres humanos, em sã harmonia, quebrada, vai não vai, pela principal disputa que nos aflige a todos: a posse partilhada de UM computador. Considerando a estrutura etária da população residente - um pré-adolescente de buço incipiente e voz a engrossar à medida que quase me supera em altura, uma que para lá caminha precocemente, de tal forma a passos gigantescos que, qualquer dia, tenho que lhe emprestar os pensinhos e tampões e a outra, suposta matriarca, com idade para ser mãe deles mas a mesma vontade inquebrantável de me agarrar ao teclado e não mais o ceder - a coisa, às vezes, complica-se. Então em períodos de férias, o que é o caso , o processo negocial em torno de quem fica quanto tempo aos comandos do dito, é digno de uma Cimeira de Bruxelas. Sem qualquer dúvida. Ele é chantagens emocionais, ele é tentativas de suborno, deixas-me acabar este jogo e eu deixo-te ir comigo para o parque à noite , com as respectivas cedências da parte mais fraca, claro, a pi...

Post Light

Acordar tarde. Deambular pela casa na penumbra das persianas corridas, fresca, silenciosa. Almoçar fruta, figos, manga e pão escuro, de centeio, com manteiga light. Pôr a leitura em dia, esticada no sofá, ainda na semi-penumbra da sala. Dormitar de novo, eventualmente. Beber litros de água. Fazer uma leitura rápida pelos blogues de estimação e comentar uns poucos. Decidir se arranco para a piscina mais próxima ou se dou uma volta ao litoral alentejano, enquanto tomo um café forte na esplanada do costume. Ou se não faço nem uma coisa nem outra e pego nos putos para ir jantar fora (fora mesmo, desta cidade) enquanto aproveitamos para ver os campos ao fim do dia, e explicar aquelas coisas que só se explicam quando olhos curiosos olham para um vitelinho bébé a mamar, para o cão a encaminhar o rebanho com mordidas mansas na cauda das ovelhas. Conduzir na frescura da noite, com os vidros abertos, devagar, no rádio "Pasión", do Rodrigo Leão, a induzir lembranças intensas e um sorris...

Reencontros

É como abrir uma arca antiga e reconhecer, de imediato, o aroma que dela se desprende. O perfume das roupas, talvez conservadas por um saquinho de linho cheio de cânfora ou alfazema, o cheiro da madeira, a maciez dos interiores forrados a tecido. E depois é o olhar, que é outro dos sentidos absorvedores de emoções. Naquele interior tudo é conhecido, tornado nosso por anos de convívio, passamos a vista por todos os cantos e recantos num breve reconhecimento, pegamos num objecto que nos foi oferecido por alguém muito amado e só é preciso esse toque para ver as imagens desse dia a desfilar-nos pela mente. Reencontrar memórias é recuperar um livro que sabemos de cor, o primeiro que lemos, ou talvez não, aquele que mais nos infuenciou para o resto das nossas vidas. É continuar do ponto em que as arrumámos com carinho, embrulhadas em papel de seda, como se o hiato espaço/tempo nunca tivesse existido e o dia de hoje fosse apenas o dia seguinte àquele onde as deixámos guardadas, muitos anos a...

Do Medo

Porque é Verão e há sol e estamos felizes por estar vivos, bronzeados e podermos sentar-nos à beira-mar e deixar que a espuma das ondas nos abrace. Mas também porque lá longe, lá assim não tão longe, não há sol porque o fumo dos fogos e o pó dos morteiros o cobre e torna tudo cinzento e triste. E há mães que correm com os filhos nos braços, por estradas poeirentas, em busca de um buraco que as esconda da insanidade. Que as esconda e engane a rota das bombas e lhes permita um dia, uns minutos mais de vida. Porque há seres humanos que, hoje, não têm a sorte de poder estar, tão sómente, a admirar um pôr-de-sol, este post faz sentido: Tenho medo. Tenho-o e não se dissolve, pelo terror como lugar que conjuga o indizível com a perda de tudo. Tudo. Mas não, não me deixo intimidar, vergar, dobrar, não deixo que me sitiem, que me encurralem na toca. É esse o sentido da iniciativa werenotafraid . Associo-me sem mais palavra. in bombyx mori, um blog, lamentavelmente, fechado. Mas não está fech...

Da espuma das ondas

* à magia dos objectos * mais a lembrança de outros momentos felizes * Eis a fórmula para um dia (quase) perfeito. ** * Fotos: Mar ** "canivetes" da filhota

De vez em quando

a minha costela Kátia Vanessa de Jesus Aparecida, emigrante francesa em vacances cá na terra, mulher de carnes firmes e fartas, que lê a Maria e comenta com a prima que nunca saiu de Portugal, em carregada pronuncia francófona, que o Jean dela também tem um piercing lá no...pois, vem assim ao de cima e emociona-se muito com aquelas coisas cor-de-rosa de novela mexicana e sininhos e estrelinhas e provérbios e coisas assim. Vai daí, a minha mensagem do dia de hoje para todos vós é:

Não quero

mesmo nada que venha aqui ninguém ao engano. É que isto do aspecto tem que se lhe diga, o imaginário de cada um/a a funcionar e depois é um balde de água fria quando se descobre o embuste. Pronto, a verdade verdadinha é que, não fossem vocês deixar-se enlevar pela pin up dos anos sessenta ali de baixo, tenho a esclarecer que eu sou loira sim, uma lady , disso não há qualquer dúvida, mas o meu verdadeiro aspecto é assim mais próximo deste: * Para pedidos de casamento é favor anexar cópia do extrato de conta bancária.

Vede bem

(gosto mesmo destas doutas expressões que dão assim a idéia de que eu até sou uma gaja letrada e tal) que, após publicar o post anterior e durante todos os afazeres subsequentes da manhã, andei a pensar cá para comigo que, se calhar, tinha que fazer aqui um post-adenda a explicar umas coisinhas mais (porque ninguém lê lençóis e se explicasse tudo, tutto, tudinho ali no post de baixo vocês davam à sola sem ler metade), antes que as más línguas viessem a pensar que eu tinha os Serviços da Protecção Civil ao meu uso e serviço exclusivos. Vai na volta, ainda o pensado nem tinha sido dito, muito menos escrito, eis que não tarda a questão, colocada por um solícito comentador "quaisi quaisi Exmo. Senhor Professor Doutor". Então, cá vai o post-adenda: Post-adenda ao Post "E agora até podia" Após a conclusão da odisseia, eu e os funcionários-colegas-anjos-da-guarda da Protecção Civil Municipal que me acudiram, ainda ficámos por ali uns minutos, em plena avenida das Piscinas ...

E agora até podia

na sequência dos vossos comentários animadores ali da posta de baixo ( be afraid of what you wish...), contar-vos que tive um furo. Pois é, se há coisa que a mim transtorna assim a raiar o mais puro pânico (estou a exagerar, claro. Ou não...) é todo o tido de assuntos relacionados com a viatura onde me desloco e que não tenham que ver com o acto simples de pegar na mangueira e enfiar lá no receptáculo apropriado, para dar de comer ao bicho. Tudo o resto é terror puro. Não sei ver níveis disto nem daquilo, nem faço a menor idéia do tempo apropriado para que os istos e aquilos se esgotem, à medida que palmilho quilómetros, sobretudo, de cidade. Não imagino onde diabos se escondem, numa mala de carro vazia e limpa, todos aqueles artefactos estranhos que os homens - eles sim! - extraem, como se de um parto automóvel se tratasse, na hora H. Essa, a do furo. Resumindo, ia calmamente e a horas! para o serviço quando os solavancos estranhos do lado direito me fizeram temer a tragédia. Saída ...

Poderia

dizer-vos que a tarde hoje se fez de azuis de cloro e verdes de uma relva recém-aparada. Mas também de azuis de céu, vagamente perturbado por fiapos brancos e de leituras calmas de mais um capítulo do Mia Couto, à sombra de um chapéu-de-sol. E que houve braçadas lentas, boiares à deriva, "bombas" que causaram ó mãe, olha lá que ele ia-me afundando! e ralhetes e risos e uma família entre tantas a disfrutar do que há de melhor na vida, estar com quem amamos acima de todas as coisas que existem na terra e no céu e para lá dele. Poderia contar-vos do regresso a casa, pela estrada recta, guardada por àrvores aqui e ali, das ovelhas a pastar o pouco que resta da terra crestada, olha, olha, aquilo não é um touro?? (era uma vaca...), da euforia dos pássaros em turbilhão sempre que pressentem mais um ocaso de fogo. E do banho tépido para retirar da pele todos os vestígios de produtos químicos que nos matam lentamente, do Kerastase massajado no cabelo que os 80 euros das nuances não s...

Uma mãe

que passa de Gata Borralheira a Cinderela este não tem assinatura da artista mas é da mesma autoria... aos olhos da sua filha. isto a propósito das mudanças de visual e de "moods", faladas num post lá mais abaixo...captasteis agora o "meaning" da coisa? (e garanto que as semelhanças, em ambos os desenhos estão assinaláveis. Tenho uma artista em casa!)

Mais uma vez

a Emiéle é um manancial de informação inesgotável, mulher atenta, informada, actualizada. Abriu-nos caminho para este site , onde se podem encontrar coisas como estas: Porque não tenho forças para comentar as imagens de crianças inertes, carregadas nos braços de quem as resgatou dos escombros, que fazem manchete em tudo quanto é jornal... Este conflito é um embuste em tudo menos nos mortos.

De vez em quando

acordo numa de nova mulher. Mudo o visual, desfaço-me da "farda" diária dos jeans em diversos tons de desbotado e T-shirt e apetece-me uma saia justa e carregar os olhos de uma sombra escura, debruada a rimmel... São moods de gaja, do 8 ao 80 em décimas de segundo. É assim que sou. Teenager inconsequente aos 40 ou femme fatale desde os 20. Conforme estou virada para uma ou para outra. Há já demasiado tempo que ando a adiar os pequenos luxos de que não prescindo, apesar de tudo. Anda-me a parecer que temos que agendar aquele jantar no Kais...

Sem razão aparente

acabamos por nos tornar indefectíveis. Queremos estar sempre lá, marcar presença. Sermos os primeiros. Sentimos como importante que nos pressintam a passagem, nem que ao de leve, um aroma suave que perdura pelo ar, sem se conseguir identificar claramente de onde provém. Noutras vezes não, aí abancamos, eis-me aqui, quero dizer que estou e voltarei. Sem margem para dúvida. E sem razão aparente. Poderíamos inventariar muitas. As razões. Mas seria apenas um julgamento ao acaso porque nada nos mandata para explicar comportamentos. Nem os nossos, quanto mais os alheios. Mas o facto de a razão não ser aparente, ou ser difícilmente identificável não implica que ela não exista. Existe. Há sempre uma razão. Esse é um facto incontestável. Mesmo que seja uma razão que a razão desconhece.