Não precisei de ter lido Saramago para ser pertença do Alentejo, de alma inteira, pelo nascimento e o coração. Porque se ele dizia "não sei o que tenho em Beja" eu sei bem que este chão é o meu. Dos antepassados alentejanos fui herdar, se não a pele trigueira a verticalidade e o carácter só nestas terras temperados, no suor e nas lutas, como aço. Se na lonjura do olhar transporto a cor e a saudade do mar, em compensação ondula-me nos cabelos o doirado dos trigais, numa mistura descendente de qualquer moura encantada, guardiã das nascentes e dos poços, de um tesouro enterrado e de castelos antigos. Não sei viver com a mentira, tal como não pratico o engano. Só vivo e sinto de maneira plena e esgoto até ao limite tanto os sofrimentos e as dores quanto os sorrisos e amores. Não conheço meios-termos nem águas mornas. Aqui me tens cheia de erros e defeitos, intensa demais, tantas vezes inconveniente mas honesta, humilde, sem máscaras. . Amo a terra e as papoilas, os tronco...