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A mostrar mensagens de novembro, 2010

Pousas uma pedra

ao acaso, num pedaço incerto de chão. Ou então nem tanto ao acaso, antes num perímetro escolhido por ti, delimitado, cuidadosamente medido. É por aí que começas, por esse pedaço de chão que escolheste como teu, para sempre ou pelo menos até que as pedras durem, lentamente erodidas por ventos e marés. Pegas numa pedra e começas uma construção, algo que leva bocados de ti pelo meio, que sobe a pulso, argamassa amassada com paixão, idéias que fazem de trave mestra, suor e sangue para dar tempero, o sabor a que só sabem os projectos que amamos. Acertas prumos, limas arestas, voltas atrás e dás a volta para logo avançares mais um pouco. Observas a tua obra, orgulhas-te. Sorris. E depois vem alguém que se instala no espaço que tornaste habitável e nem sequer pede licença.

Pessoas passam

por dentro de cada uma das nossas vidas. Por dentro de nós. Umas passam sem deixar rasto, breves sorrisos, poucos suspiros. Não fazem mossa, ligações inócuas sem cheiro nem sabor. Nunca mais as lembramos, ainda que cruzem o nosso caminho uma e outra vez. Depois há as outras. As pessoas marca de água . Que sabemos lá mesmo quando mal se vislumbram, mesmo que oceanos pelo meio. Sentimos-lhe o sabor, pressentimos-lhes o toque macio de uma pele que podia ser a nossa, que parece ser uma extensão da nossa. Aquelas que marcam fundo, que se entranham, rasgam-nos os sentidos, cicatrizam e depois por ali perduram. E nunca mais nos deixam, moram a partir daí em nós, memórias doces, impressão gravada no negativo da retina e do coração. Fechamos os olhos e ei-las, ali à mão. Essas são as que queremos guardar para sempre, ainda que elas nunca o saibam.

Às vezes

muitas vezes, faço textos só porque as palavras, duas palavras juntas, uma depois da outra, têm som de melodias. Como estas: Passam pessoas. Ou pessoas passam. Que hão-de dar num texto qualquer.

Sei que são

só desculpas. Areia para os olhos. Palavras mansas de quem não quer partir, quebrar mas antes desvanecer devagar. Sei que são subterfúgios, ilusões, pequenas traições. Que nas palavras se tentam desculpar. Mas nos actos acabam por se identificar.

Tenciono

meter a minha vida em ordem. Ou ordem na minha vida. Whatever. Ser mais organizada, arrumada, dedicada, empenhada. Menos destravada, desbocada, intempestiva, definitiva, emotiva. Tenciono provar que sou capaz. Apenas porque quero.

Descobri

que já tenho 23 seguidores e a mais recente é a dona deste blogue . Questionando-me como terá ela vindo cá parar e o que a levou a colocar-me na sua lista, eu que nada escrevo de regular ou extraordinário.. A seguir com atenção.

Um dia destes

tenho que te contar. O meu segredo, aquele de que tu já sabes mas que ainda permanece segredo porque não passado para palavras ditas. Se bem que nas escritas ele aí esteja, por aí em todas, espalhado, espelhado. Um dia destes conto-te. Sento-me a teu lado, baixo a cabeça para que não me trema a voz de encontro a esse teu olhar cristalino e digo-te. Digo-te daquilo que me indendeia o peito e do que me empurra para o precipício. O que me enche de luz e o que me faz mirrar, como um balão a quem lhe tirem o ar. Conto-te da mágoa pelas horas perdidas, da doçura pelos minutos vividos, da angústia pelo fim das esperanças, da ternura pelo sabor do beijo. Conto-te e sei que me ouves, que entendes, que me apoias e nunca julgas, que me poisarás talvez a mão nos cabelos. Sei que saberás que só te conto a ti, porque há coisas que só os grandes amigos são capazes de ouvir. Porque há coisas que só dos grandes amigos queremos nós escutar. Está quase na hora de te contar e de te escutar. Mas primei...