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Mensagens

A mostrar mensagens de 2011

IL DIVO live at Coliseum London 2011 by KC

IL DIVO LIVE @ O2 Arena London February 2009 4of9

Ciclos e gavetas

Produzo prosa ao sabor das marés, ciclos de lua, de amores e desamores. Inflamo o teclado de paixões ou ódios de estimação, de humor e mau-feitio, antigas ou novas descobertas e admirações embevecidas, crenças e projectos tanto quanto me esqueço, por longas temporadas, que a escrita costuma ser um bálsamo que me apazigua as maleitas. Funciono assim, aqui como na vida, por rompantes de emoção que me levam a paraísos ao virar de uma esquina, revelam mundos encantados descritos por entrelinhas de uma canção ou, tão somente, atiram para o conforto de um sofá embalada pelo som distante da TV. Desiludo-me muitas vezes, já não tantas quanto antes mas ainda mais que aquelas que deveria. Sempre que um projecto morre antes de nascer, quando um dia de sol se transforma em chuva triste ou em todas as raras ocasiões em que alguém mostra ser quem não parecia. Essas são as perdas que mais marcam, logo depois daquelas físicas de verdade, em que chega o fim da matéria será que habita nela a alma? e ...

Desenganem-me meus queridinhos, poder de decisão não é o mesmo que capacidade de decisão

A diferença gritante pequenina, tiny, tiny, tiny little difference é que muitas vezes - todas? quase sempre? algumas vezes? raras? - quem detém o primeiro não possui as capacidades para executar a segunda.*  *ou de como mais faz quem quer do que quem pode.  ** ou ainda de como levar a a água ao nosso moinho, com a diferença de que o que poderia concretizar-se com apenas um simples, claro e objectivo telefonema, requereu uma boa meia dúzia deles mas o resultado final foi o que pretendíamos, não é mesmo Chérizinha?? ;-)

Isto é Fabuloso

Ficar-te-á sempre na boca esse amargo dos voos altos que adias com a convicta certeza do teu direito a fazê-los. No fundo sentes que os mereceste, tamanha a dor de crescimento pela qual já passaste. Devias saber, e digo-to eu, que me orgulho imensamente do caminho que trilhaste, prova de que uma pessoa se faz se não tiver medo de falhar.

Mary J. Blige, U2 - One

Navegar é preciso

Não passamos de intrépidos exploradores à descoberta de novos mundos, garimpeiros na demanda do filão mais precioso. Levantamos ferros e largamos caravelas por esses mares fora, na esperança de ir sempre mais além, muito além do Bojador. Quando, enfim, um recorte de Terra firme contra o céu nos parece o lugar de atracar, trôpegos de tanto navegar sem chão por debaixo dos pés, fundeamos e saímos em busca de promessas de solo farto e apressamo-nos a desfraldar bandeiras, erigir monumentos, marcar territórios. Não venha alguém usurpar o que com tanto esforço - dias e dias de marés altas, sede e sal, febres e escorbutos, delírios e visões de sereias que afinal eram dragões - por fim alcançámos.  A ilha do Paraíso que, vai-se a ver, desfeita a miragem, era só mais uma rocha estéril no meio do oceano.

O Silêncio

Deixa as palavras onde estão. Imóveis, desarmadas. Não lhes agites os demónios que nelas dormem ávidos de despertarem. Não fales do que és, nem descrevas coisa alguma. Preserva o que em ti e nos outros é intocável. Não deixes que as palavras desfigurem. Que as palavras mutilem. Que as palavras viciem. Que as palavras mintam. Que as palavras sejam peças de um jogo em que o desfecho É o xeque-mate. Fernando Namora, in Nome para uma casa, 1984

Sair do mundo

por um bocadinho. Do mundo que nos está mais próximo, daquele que vemos todos os dias. Não é preciso que seja até um destino exótico, horas de avião, malas a rebentar, aeroportos atulhados, correrias e arrelias, basta uma casa a que chamamos lar, paz de espírito, uma cama e lençóis lavados. Basta desligar telefones, esquecer rotinas, comer só se apetecer, dormir o que se puder. Basta a nossa companhia e as conversas que com os nosso botões vamos mantendo. Basta viver e esquecer.

Da auto-estima

Um dia um gesto súbito. Espontâneo e inesperado e que nos consegue tocar de forma particular. Um singelo gesto que nos rebenta com os diques todos e os muros de betão que em redor tentamos construir, liberta a enxurrada contida para que a sua força arraste o que encontra pela frente e lave até ao último grão a poeira dos tempos, que nos cobre. Como daquela vez em que num email, alguém me tinha deixado esta singela e espontânea mensagem: "...E não pares de escrever. Tens um talento nato para exprimir emoções que são difíceis de ser descritas. Muda de blog, muda de nome, mas não percas isso! Sim?!" Uma mensagem a partir da qual tomei consciência de que afinal não quero é mudar nada, que gosto de ser assim mesmo, um ser imperfeito com as minhas fragilidades e forças, as contradições e convicções. É com este carácter que atravesso a vida. Isto é o que sou e não vou fingir que sou outra coisa qualquer. Não quero mudar. Nao irei mudar. Obrigado!

Sinal Fechado - Toquinho & Badi Assad (pout-pourri)

Despedi-me das pedras, uma por uma. Passei devagar a palma da minha mão pela sua pele gasta, senti-lhes o calor, encostei o peito à sua altivez secular e podia jurar que lhes ouvi, batendo, um coração. Era um som suave, feito de risos e histórias, do tilintar dos copos, tinha vozes profundas cantando uma música antiga, um violino e um piano, o bater dos pés no chão e um refrão dolente,  dentro das tuas muralhas há uma rosa a quem quero bem. Era o som da amizade e duas mãos dadas, de um brinde ao futuro, da esperança, tinha dentro a memória de um olhar a derreter o peito e um abraço que em tempos foi a minha casa. Despedi-me, sabendo que ali se fechava a última página da história que, ali mesmo começara. Despedi-me devagar. Das pedras e das estrelas, do espaço, dos sons e dos sonhos que um dia, não muito distante, chegaram a ser uma realidade. A minha, a nossa.   Despedi-me das lembranças felizes, empacotei-as à força em caixas de segredos que talvez volte a abrir da...
É comum ouvir-se dizer de alguém, com um misto de admiração e respeito que, Ah escreve tão "bem"... Escrever "bem" não tem nada que saber: é pegar no coração com jeitinho, abrir-lhe as portas de par em par para que nele possa entrar o mundo inteiro, estender aos outros um sorriso e as palmas das nossas mãos abertas e deixar que, pelas pontas dos dedos, saiam todos sentimentos que durante esse processo o nosso corpo acolheu. Fácil, fácil.

Los poetas andaluces de ahora - Água Viva

Não dá

para viver com esqueletos nos armários. Abre-se a porta e eles ali, desconjuntados, um monte indistinto de tíbias, perónios e costelas, a desarrumação total, ossos secos a chocalhar, uma pessoa tenta de novo fechar a porta, esquecer que eles existem e nada, há sempre uma falange encravada no trinco, as mandíbulas a sorrir numa fileira de dentes alinhados, aqueles olhos vazios a mirar o amanhã que nunca há-de vir, uma clavícula enfiada na manga do nosso melhor casaco, não dá. Não dá. Esqueletos não se fizeram para viver dentro de armários de pessoa normais e vivas, ossos são para enterrar, sete palmos de terra e ao pó voltarás, admitindo-se, vá lá, que possam ser incinerados, forno crematório com eles e um momento lúdico de cinzas deitadas ao mar, lê-se um poema do Cesariny, uma música suave ouve-se no ar e bora  lá de volta para casa. Em alternativa, plantam-se as cinzas num jardim debaixo de uma oliveira e pronto. Esqueletos guardados dentro dos armários de quem ainda respira empa...

A malta percebe

que começa a precisar de terapia quando do nada, de súbito, um texto lido a meio do pequeno almoço se transforma num novelo na garganta, apertado, intransponível a tudo quanto não seja um miserável fio de ar... «E escrevi o teu nome e o teu número de telefone numa página da agenda do mês de Fevereiro. E, ao escrevê-lo, sabia que era uma despedida, mas todo o mês de Março nos arrastámos na despedida, como caranguejos na maré vazia. Sem ti, lancei outras raízes, construí pátios e terraços, fontes cujo som deveria apagar todos os silêncios, plantei um pomar com cheiro a damasco, mandei fazer um banco de cal à roda de uma árvore para olhar as estrelas do céu, um caminho no meio do olival por onde o luar pousaria à noite, abóbadas de tijolo imaginadas pelo mais sábio dos arquitectos e até teias de aranha suspensas no tecto, como se vigiassem a passagem do tempo. Nada disso tu viste, nada te contei, nada é teu. Sozinhos, eu e a aranha pendurada na sua teia, contemplámo-nos longamente, ...

Talking Heads - Heaven

Heaven by David Byrne

Ainda há Pérolas

na blogosfera... Esta tinha-a nos rascunhos, guardada há tempo, à espera da altura exacta para [re]nascer por aqui. Tomem-na. Há um poema. Um certo poema. Julgo-o feito a partir de memórias sedimentadas nas mais pequenas gavetas do teu coração. Assim como um guarda-jóias invisível, um estojo antigo, passado de mão em mão, na mesma família, por sucessivas gerações de mulheres. Há um poema. Um poema algures onde deixaste o pó das brincadeira da infância, os jogos, as cantigas, as lengalengas. Tudo aquilo que poderia sugerir um mundo organizado entre os sonhos e os seus resultados. Um mundo onde a ternura era uma janela a fechar o vento mais frio do Inverno desse tempo. Há um poema. Procuro-o nos teus gestos hoje mais comedidos e reservados, na tua voz onde se insinua a força das pausas, a grande nuvem cinzenta do tempo de hoje onde a tristeza fez a sua sementeira multiplicada. Há um poema. Deve haver mesmo esse poema num lugar que só tu sabes. Pode não ser ainda poema, pode não ter ai...

É

Verão e isto não está para os tristes. O blogue fez um brushing, mudou de visual, está fresquinho, alegre e colorido e aqui a Je não tarda irá fazer o memo, olarilolé.

09102010026 Aurora tem um menino.mp4

(...)

"Para esquecer é preciso deixar correr o coração, de lembrança em lembrança, na esperança de ele se cansar"... Miguel Esteves Cardoso, in "O Ultimo Volume"

Eis-me aqui

Não precisei de ter lido Saramago para ser pertença do Alentejo, de alma inteira, pelo nascimento e o coração. Porque se ele dizia "não sei o que tenho em Beja" eu sei bem que este chão é o meu. Dos antepassados alentejanos fui herdar, se não a pele trigueira a verticalidade e o carácter só nestas terras temperados, no suor e nas lutas, como aço. Se na lonjura do olhar transporto a cor e a saudade do mar, em compensação ondula-me nos cabelos o doirado dos trigais, numa mistura descendente de qualquer moura encantada, guardiã das nascentes e dos poços, de um tesouro enterrado e de castelos antigos. Não sei viver com a mentira, tal como não pratico o engano. Só vivo e sinto de maneira plena e esgoto até ao limite tanto os sofrimentos e as dores quanto os sorrisos e amores. Não conheço meios-termos nem águas mornas. Aqui me tens cheia de erros e defeitos, intensa demais, tantas vezes inconveniente mas honesta, humilde, sem máscaras. .  Amo a terra e as papoilas, os tronco...

Não

não, acho que estás te fazendo de tonta te dei meus olhos pra tomares conta agora conta como hei de partir.

Qual a coisa mais importante

que queres que saibam de ti? Qual a coisa mais importante que queres que a pessoa mais importante para ti saiba de ti? A mesma coisa em ambos os casos? Coisas diferentes consoante o primeiro ou o segundo? Só me importa que saibas que me fazes feliz.

Fogo fátuo

Vieste como um fogo de Verão, daqueles que tudo consome, que não conhece travão. Foste um incêndio que segue o seu caminho por mais esforços que sejam feitos para o conter, que só se extingue por si, de livre vontade, sem hora marcada. Vieste e eu não te disse que não, como se um campo de girassol desde sempre à espera desse teu calor. Vieste sem avisar, da mesma forma como decidiste amainar, talvez por força do vento que de repente se foi ou de alguma chuva extemporânea que matou as últimas fagulhas. E, no rescaldo, o que resta são pedaços fumegantes de memórias, um monte indistinto de dias vividos ao extremo, escombros de semanas que se assemelharam a anos e que, talvez por isso, pouco deixaram por descobrir, depressa cansaram. Cedo demais.   Hoje, talvez tenhas partido ao ataque noutras frentes e aqui, nesta terra marcada em que os reacendimentos escasseiam, é hora de começar a reconstrução.

Só para desempoeirar o ecrã

Todos os dias lho demonstro.

Poesia dos campos

(clicar sobre a foto para ver maior)

Chegas-me

sem que eu saiba bem como, um tímido raio de sol depois da tempestade. Não que eu antes não soubesse que estavas lá, que o sabia, tanto tu como o sol e entre nós uma cortina de nuvens, uns dias espessa, noutros tão fina que quase podia estender a minha mão e tocar. Em ti. Estavas lá e eu sabendo há muito, que o sabia, não podia. E um dia, de repente claro e brilhante, um céu sem nuvens, eis que me chegas. Único e tão certo como se antes desse céu nada houvesse, como se apenas a Primavera fosse estação e as horas já não precisassem de mudança. Não sei se ficas, se o tempo estará a favor desse vento fresco que me sopras na curva do pescoço, não sei se o meu regaço se fará casa, talvez nunca venha a correr o rio nestas minhas mãos que te estendo abertas. Não sei. Mas não importa. Chegas e contigo trazes andorinhas, o cheiro dos campos e a luz da cal, um traje antigo e a voz dos deuses. Não preciso de mais nada para ser feliz.

Soul mates

da blogocoisa. Pronto. O que é bom. Saber que há mais  me's por aí. :-) Obrigada. A-DO-RO. Portanto, querido Universo just bring it on. Sei do que sou feita e podes apostar que uma mulher também se define pela capacidade de aceitar que este foi o ano e meio de vida mais merdoso de sempre: das piores derrotas, das piores constatações, dos mais duros wake up calls, de ter que começar de novo mesmo sem vontade. E tu bem sabes quantas vezes já comecei do zero. Finco os pés, fecho os punhos, cerro os dentes e ponho este ar de tá bem, tá bem mas não desisto, não desisto, não desisto. Aqui me tens, de sorrisinho trocista.

Eu tinha que

copiar isto. Na íntegra. Pedindo antecipadamente à Dra "Paracuca" que me perdoe e que não se aborreça com este meu gesto que tão sómente pretende dizer: A mim também! Igualzinho, tudo, tudo, tudo. O que me faz medo Perder pessoas. Eu não gosto de toda a gente, não sou particularmente fácil, tenho mau feitio, faço birras, amuo e entristeço com facilidade. Mas escolho as pessoas e quando decido gostar delas ponho nisso o coração. Todo. Trago-as para a minha circunstância e torno-as indispensáveis. Não preciso de estar com elas todos os dias, não telefono, não respondo às vezes mas gosto delas com os dois ventrículos na mesma. Se de repente sinto que uma pessoa se está a ir embora, seja porque razão, até nos casos em que a culpa é minha e da fraca manutenção que lhe faço, dói-me o coração inteiro. Normalmente tento reverter a coisa. Procuro, tento recuperar o que perdi mas nunca insisto. Normalmente arrumo a coisa ao terceiro telefonema e tento habituar-me à ausência. Len...

Reality's clock is tickling your dreams*

Comprei uma máquina para fotografar a Lua. Não chegou a tempo. Assim anda a minha vida, fora de tempo, desfasada das vontades, desencontrada dos sonhos. Dispersa por um calendário que insistem em impôr-me mas que não é o meu. Ando ao contrário dos ponteiros, eu. Invento viagens e travessias por mundos imaginários, no avesso da realidade. Só sou feliz num outro lado do espelho, inverso ao de quem me rodeia e assim acabo sózinha, num tabuleiro de xadrez sem Rei e onde nunca existe Xeque à Rainha. E perco-me em tentativas de entrar no Jardim mágico, focada na busca da solução milagrosa, aquela que me faça encolher para caber na porta sem precisar de ser maior para chegar à chave dourada... * Lewis Carroll

Pincelar

a fachada, um jeitinho no exterior, uma caiadela de branco alvo bordada pela barra azul ou amarelo-ocre. Plantar umas malvas cor-de-rosa nos canteiros, talvez uma buganvília que suba pela ombreira, num abraço protector às portadas. Manter a aparência de solidez, a todo o custo, não dar tréguas ao salitre, não deixar desabar o reboco. Abrir as janelas de par em par. Um sorriso aberto para quem vier por bem. Segurar a trave mestra lá dentro, lá por dentro, a poder de calços, reforçar os pilares, cuidar que os [muitos, tantos, mas quando é que eles acabam?] estremeções na estrutura não ameacem a segurança do edifício. O que é preciso é que se aguente de pé, que não desmorone, que fique sempre de pé. Foto: Mar algures numa rua de Lisboa...

E assim nasceu o alentejano...

E hoje

é dia de Poesia, Igualdade e Canções, de um copo com amigos, de assinalar a Luta e a convicção de dias melhores que hão-de vir por aí. Hoje é dia de viver como melhor sabemos: com verticalidade, solidariedade, amizade e combatividade.

E ontem

a Ana Ademar disse este poema de uma forma magistral, doída, com palavras doces, sentidas e que me fez senti-lo de forma igual e desprender lágrimas teimosas. Falta, de Sarah Kane e os itálicos são o meu muito pessoal poema, só meu... "E eu quero brincar às escondidas contigo e dar-te as minhas roupas e dizer que gosto dos teus sapatos e sentar-me nos degraus enquanto tu tomas banho e massajar o teu pescoço e beijar-te os pés e segurar na tua mão e ir comer uma refeição e não me importar se tu comes a minha comida e encontrar-me contigo no Rudy e falar sobre o dia e passar à máquina as tuas cartas e carregar as tuas caixas e rir da tua paranóia e dar-te cassetes que tu não ouves e ver filmes óptimos, ver filmes horríveis e queixar-me da rádio e tirar-te fotografias a dormir e levantar-me para te ir buscar café e brioches e folhados e ir ao Florent beber café à meia-noite e tu a roubares-me os cigarros e a nunca conseguir achar sequer um fósforo e falar-te sobre o programa de te...

Sabe bem

Fazer [de novo] qualquer coisa de produtivo.

Ainda agora conheci e já sou Fã

Entristece-me, de verdade, estes dias de celebração obrigatória dos sentimentos de quem sobrevive por ter medo de viver. Apetece-me sempre o sarcasmo, a ironia fácil, dada de bandeja. Mas no fim o que me fica é sempre a tristeza daqueles não diálogos, daquelas não ternuras, daqueles não casais, daquelas pessoas fragmentadas entre o que quiseram ser e o que se sujeitaram ser. O medo há-de ser sempre o contrário do Amor.

Gostava muito

de me esquecer das coisas boas. Gostava que a evidência das falhas, dos defeitos, a consciência das lacunas fosse mais forte. Gostava de desligar quando me parece já conveniente, de meter uma quinta [parece que já há carros com 6ª não há..?] na autoestrada dos afectos e embalar por aí adiante, rumo ao horizonte [e mais além ou assim]. Gostava que fosse fácil. Mas não é. Não é.

Queen - The Show Must Go On - 1991 - Remastered

Hoje é dia de Freddy. Porque sim.

Tenho uma amiga

que diz que nasce e morre todos os dias. E eu que não sei dizer as coisas assim bonitas como ela as diz, lembro-me das suas palavras a cada vez que sinto, também eu, que morri um pouco mais ou antes que tenho mais um luto a fazer. Fazemos vários lutos na vida. A cada morte física de alguém que amamos, a cada derrota, sempre que sentimos que falhámos, de cada vez que perdemos um amor, a cada fim de um sonho. E todos os lutos são iguais. Todos nos fazem, também a nós, morrer um pouco. Porque cada perda nos tira um pedacinho de coração que não volta a existir. Nunca mais é preenchido o espaço, cada pequena ferida que essa mágoa nos deixa aberta. Seguimos em frente, voltamos a fazer-nos à vida e acabamos por ter que ultrapassar. Tornamos a tentar. Somamos partes novas às que já nos compunham, crescemos, enriquecemos, ficamos mais fortes e continuamos, com pessoas novas, amigos diferentes, sonhos redobrados, amores intensos. Outra vez. Mas nunca esquecemos a pessoa que fomos,...
Faith No More - EASY

Eis que

nos impele uma vontade de resgate. Assim uma força que só nós detemos, que nos tranforma, transfigura e move, sempre que alguém que amamos precisa do nosso fôlego. Nada trava esta determinação, este querer, a ilusão de sermos tudo para alguém, que apenas necessita desta mão para se levantar. É aí que esquecemos as intempéries e agruras do caminho, que mesmo os maiores escolhos nos parecem pequenos grãos de areia, que nos olvidamos de nós e a certeza de conseguir agarrar o outro à beira do precipício se torna na razão de cada amanhecer. E eis-nos quais Florences Nightingale, a humedecer panos em bacias de água fresca para acalmar a febre do nosso amado. Enquanto ele, quiçá, a afoga no regaço de outro alguém.

Como não estou mas é capaz de nada

Resta-me transcrever e encaminhar-vos para quem sabe disto. estou gira?, será que me vai achar gira? então porque tentou? e porque não tentou? e quem era ao telefone, ai que não consigo dormir, e se o perder? e se ele deixar de gostar de mim, será que ele sabe o quanto eu gosto dele? nunca ninguém vai gostar dele como eu. É que é talqualzinho...:-)

Nem sempre

o que parece é. o que é, parece. o que gostaríamos que fosse, existe. o que temos é o que gostaríamos de ter. os outros têm o que gostariam. e isso inclui-nos a nós próprios. O cabrão do mundo anda todo trocado.

Desvendamos as pessoas

devagar, como quem folheia um livro ou desdobra, folha a folha de celofane colorido, com cautela, um presente minuciosamente embrulhado. Por vezes apetece rasgar tudo de repente, expôr ao nosso olhar sôfrego o interior crú de quem nos interessa mais que tudo. Abrir fundo o coração de quem, para nós, é aurícula e ventrículo e sangue venoso e arterial, que nos enche o cérebro e o peito de oxigénio e suspiros. Enterrar as mãos, até aos cotovelos, nesse lago morno de sistemas circulatório e respiratório e bombear a nossa paixão directamente nas veias desse que, para nós, é ar e chão e alimento, esse sem o qual definhamos e mirramos e perdemos o Norte e mais valia que deixássemos de existir. Mas não. Continuamos a decifrar, com cuidado, aquilo que mais queremos e tememos conhecer. Procuramos sentidos e entrelinhas, perseguimos finais felizes, a moral da estória para dela retirar lições, aquelas que nos mudam e aproximam ou ensinam, da próxima vez, a não cair no abismo da interpretação e...

Numa das poucas

mensagens que enviei no dia 31 de Dezembro dizia que este foi, talvez, um dos piores anos da minha vida. Mas trouxe-me dos momentos mais felizes que já vivi. Era isto que dizia o texto, assim, ipsis verbis , preto no branco, contradição por cima de contradição, fazendo jus ao que tenho em mim de tão normal que já não espanta ninguém, esta estranha forma de olhar o mundo, quase sempre do contra, sabendo exactamente o que não quero mas com sérias dúvidas sobre o que continuo a perseguir para um dia saber que cheguei finalmente a casa. O texto dizia isto e falava desses momentos em que fui feliz e lembrava-os devagarinho, como quem saboreia um doce e o deixa derreter na boca esperando que nunca acabe. Falava de Amizade, de magia, de noites intermináveis e de Família, de risos e calor. Falava de saúde, de vida e de garra para as lutas. E a mensagem dizia tudo isto a quem foi directamente responsável por quase todos alguns desses momentos, numa despedida breve...