Não passamos de intrépidos exploradores à descoberta de novos mundos, garimpeiros na demanda do filão mais precioso. Levantamos ferros e largamos caravelas por esses mares fora, na esperança de ir sempre mais além, muito além do Bojador.
Quando, enfim, um recorte de Terra firme contra o céu nos parece o lugar de atracar, trôpegos de tanto navegar sem chão por debaixo dos pés, fundeamos e saímos em busca de promessas de solo farto e apressamo-nos a desfraldar bandeiras, erigir monumentos, marcar territórios. Não venha alguém usurpar o que com tanto esforço - dias e dias de marés altas, sede e sal, febres e escorbutos, delírios e visões de sereias que afinal eram dragões - por fim alcançámos.
A ilha do Paraíso que, vai-se a ver, desfeita a miragem, era só mais uma rocha estéril no meio do oceano.

2 *:
BRILHANTE!
De vez em quando saem umas coisitas com algum sentido miga Xica...:-)
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