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Mensagens

A mostrar mensagens de dezembro, 2006
Não há meio de lhe fugir. É o último dia do ano e, só por isso, traz em si algo de diferente. Acaba aqui 2006. Um ano mais que passámos, de uma forma que agora me parece vertiginosa. Sem dados de relevo a assinalar. O que já não é mau. Podemos, duma perspectiva optimista, considerar que tivémos a sorte de não nos acontecer, a nós e aos que mais amamos, nada de mal durante este ano. É inevitável termos expectativas para o que hoje começa às doze badaladas. Temos sempre. Afinal, o futuro é misterioso e pode reservar-nos tanta coisa...Só pensamos nas boas, claro. Também espero que seja um ano melhor. Sempre para melhor. Com pessoas* melhores, com maior energia, com esperança, com muitos dias feitos de histórias bonitas, para guardar dentro de uma caixa de memórias. Mas não tomo decisões de Ano Novo que nunca são cumpridas. Para vocês que por aqui me acompanham, cheios de paciência, confidentes daquilo que sou ou do que invento para mim, amigos virtuais ou nem tanto, gente boa, tudo o que ...
aqui Uma cidade faz-se dos lugares que a tornam única. Das pedras seculares gastas pelos passos de todos os caminhantes que as percorreram. Mercadores e guerreiros, reis e plebeus, pastores e mulheres a caminho da fonte com um pote de barro sobre a cabeça. Faz-se de marcas de história ao virar da esquina, lajes romanas, pelourinhos, um rebordo manuelino na janela de uma moradia. Veste-se dos amores que nela nasceram e morreram, alguns vividos em suspiros, na distância de um balcão com grades por onde se avistava a planura e a marcha de um certo cavaleiro. Outros que se consumam diante dos nossos olhos, num recanto qualquer do jardim, num dia de sol derramado preguiçosamente no lago. Uma cidade faz-se de todos os sons e cheiros que impregnam as paredes, que transpiram das calçadas, os que nos atingem em pleno mais os que imaginamos que existiram por detrás de uma cortina de linho, nas portadas de uma casa senhorial. A minha cidade faz-se de tudo isto e mais as zonas novas, amplas e mini...
Foto: Mar Parece que passou muito tempo desde que vinha para aqui com a alma nas mãos, deixar pedacinhos de emoções para que ficassem registados para a posteridade. Parece que já lá vai o tempo de vida do blog como se de um amigo se tratasse. Esse tempo da inocência em que a beleza que encontramos nas coisas brota da fé que nelas depositamos. Houve um tempo assim, ainda que agora quase pareça não ter existido, agora que este não é mais do que um lugar onde venho às vezes. Poucas. Como se este fosse um abrigo pouco usado, cuja chave já quase perdi por entre os caixotes e malas e sacos que guardam lembranças de um passado que foi meu. Que continua a ser meu porque os nossos passados pertencem-nos por mais que pareçam esquecidos, embrulhados em folhas de plástico às bolinhas, daquelas que rebentamos entre os dedos num reflexo inconsciente, quando abrimos as caixas onde os guardamos. É para isso que aqui registamos dias e noites diferentes, luas e marés, alegrias de quase rebentar e mágo...

E para não variar

aqui também sou do contra. Não sou católica. Não serei agnóstica por completo, gosto de misticismo mas é mais aquela coisa pagã que torna as deusas (é claro que, neste caso, só podem mesmo ser gajas) algo de muito pouco etéreo mas antes muito carnal, com curvas quanto baste e rituais de fertilidade em que elas é que mandam. Não sendo católica, a cena do nascimento de Jesus e as palhinhas e os Reis Magos mais a virgindade da Nossa Senhora e as aparições são como que takes de um filme que já vejo há mais de 40 anos. Uma pessoa acaba por se fartar assim um bocado... É verdade que, em pequena, fiz a Primeira Comunhão e achei um piadão àquilo, toda de branco e tule vestida, parecendo um anjo de olho azul e caracóis dourados e só tive pena que aquela espécie de vestido de noiva em miniatura (mas qual é a idéia daquilo, transformar as criancinhas em noivas de cristo??!) tivesse sido emprestado por uma vizinha com mais posses, o que me obrigou a devolvê-lo logo a seguir, lavado e engomado co...
De passinho em passinho.

Falava-se de

seleccção natural. Com o tempo o velho Darwin confirma-se sempre. Aplica-se a tudo. Aos gajos que começam porque procuram algo que depois encontram noutro lado, aos que começam porque sim e depois desistem também pelo mesmo motivo. Àqueles que entraram porque a moda assim o impunha, aos que o fizeram porque era bem , ou porque eram casados com este ou com aquela ou a tia também tinha e mais a prima e o vizinho de cima, aos entusiastas, aos moderados, aos menos um bocado. Não há como lhe fugir. À selecção natural. No final, no finzinho mesmo, só aqueles que gostam muito de escrever e os outros que, gostando muito de escrever, gostam muito de falar consigo próprios e mais ainda os que, apreciando mesmo muito o acto de escrever e de falar consigo próprios, gostam também de ouvir coisas quem tenha algo para lhes dizer, é que vão ficar por aqui. E, mesmo esses, começarão a seleccionar naturalmente o que lhes interessa mesmo escrever. Porque para encher chouriços mais vale tar quieto.

Uma

das vantagens de viver numa cidade de média dimensão é poder ocupar o tempo em passatempos tão ecléticos quanto, escolher cada dia um percurso diferente casa-emprego e cronometrar qual deles demora mais do que cinco minutos para depois o poder riscar da lista. O de hoje: 4m 45s. Claro que, nisto entram variáveis como apanhar ou não o semáforo aberto, ter o azar de apanhar pela frente um abstrôncio daqueles que só engata a primeira 30 segundos depois de ter caído o verde, conseguir passar à justinha o amarelo já avermelhado numa manobra que faria inveja a qualquer Nelson Piquet, ser obrigada a dar passagem a um grupo de criancinhas todas atadas umas às outras por uma corda, encontrar o atalho que descobri por acaso e dá um jeitão do caraças cortado por um sinal de obras inesperado ou tão sómente ficar sem gasolina. Seja como fôr, a minha melhor média é de 3 minutos e isto, atente-se, considerando localizações (casa-emprego) que estão em pólos opostos da cidade... E ando a tentar bat...

Costumava

"gabar-me" de conseguir funcionar melhor sob pressão. Hoje concluo que isso era antes de ter perdido 99% dos neurónios que me faziam simplesmente funcionar...

Ora então

vamos lá às explicações que tardam mas não falham, sempre que acreditamos naquilo que defendemos e só afirmamos aquilo que temos convicção de saber que é o caminho certo. Este blog é Pelo SIM no Referendo, como diz ali ao lado. E, para que melhor se fundamente esta posição, também se pode contar que a sua autora escreveu o seu primeiro texto sobre a despenalização da Interrupção Voluntária da Gravidez, por volta de 1980, quanto não teria mais que uns 16 anos de idade. É que, já nessa altura, o Partido político que representa as suas convicções político-ideológicas e ao qual desde tenra idade está ligada apresentava, na Assembleia da República, propostas de Projectos de Lei para que deixasse de constituir crime o recurso da mulher à IVG. Há duas décadas atrás... Ou seja, aquilo que hoje, hipocritamente, o Governo do Partido Socialista não pode deixar de pôr, pela segunda vez , à consideração dos Portugueses, é algo que uma simples alteração legislativa já poderia ter tornado realidade h...

Cometas

aqui Não saímos impunes. Trazemos, agarrada a nós como uma cauda de cometa, a cartilha que fomos lendo ao longo da vida. Um bê e um à, bá. Bê e um u, bú! Actos e palavras, ofensas e elogios, erros e omissões, generosidades e altruísmos e os amigos e inimigos ganhos à conta de cada. Não há impunidade no acto de viver. Pagamos, em unidades monetárias de riso e lágrimas, tudo aquilo que formos sendo. Tudo se paga , diz o povo, não te rias com o mal do vizinho que já o teu vem a caminho . É por isso que gosto de sentir um aconchego na alma quando, roendo um lápis vermelho, abro o livro de deve e haver e somo e subtraio e multiplico, e no fim consigo que transite para a página seguinte um saldo positivo. Não sou anjo mas gostava de ter asas, não sou santa e não gostava de ser porque cheiram a bafio e caruncho e os meus cheiros são mais a sal e a sol. Tenho pecados agarrados à minha cauda de cometa que lhe embaciam o brilho nesses pontos mas no resto, as peças de luz que a compõem são basta...