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Mensagens

A mostrar mensagens de novembro, 2006

À falta de tempo para mais...

...ali ao lado passa-se a mensagem que é de passar. Via Arrastão . e outra quantidade de links que podia aqui colocar para sitios onde já li coisas sobre o assunto que me apeteceu transcrever para aqui na íntegra, mas que agora não dá porque não tenho tempo.

Hoje

assinei uma petição a favor da despenalização da Interrupção Voluntária da Gravidez. Lá terei que arranjar tempo para escrever sobre isto...

Inteiros

aqui Aproveito a forma como a tarde se escoa devagar, tranquilamente, na preguiça do conforto que se instala quando estamos de bem com o mundo. Vejo os carros lá fora, a passar lentamente, cada um com destinos que gosto de imaginar desejados, ali vai uma família que saiu para um passeio pelo campo, logo atrás um par de namorados encantados com a descoberta um do outro e de si mesmos. Dentro de cada carro vai uma vida diferente. Mas todas têm em comum esta tarde de Sábado que se espreguiça pela planície, morna e dolente, sossegada como o são todos os dias de descanso depois de cada semana que riscamos do calendário. Aproveito mais um dia sereno, rodeada do que me faz falta para possuir dentro de mim uma sensação de paz que é tudo o que quero. Porque concluo que só se consegue disfrutar verdadeiramente da vida quando existem pessoas que amamos e sabemos que elas estão bem, que ainda as temos relativamente seguras, enquanto nada de inesperado e trágico nos corte o caminho a meio da viagem...

NÃO VEJO

Aqui um post novo há uma carrada de dias...

Vejo

aqui um búzio e lembro-me de ti. Lá dentro, um som distante de vozes salgadas, guarda os segredos que contámos um ao outro. Pego-lhe e escondo-o na sacola de pano crú que levo sempre a tiracolo. Mais tarde, servirá para me alimentar a saudade das marés de inverno. Aquelas que se desfaziam contra as rochas, enquanto prolongávamos os almoços até quase se tornarem jantares. Continuo o percurso e sai-me ao caminho uma pedra lisa, redonda. Faço-a rodar na palma da minha mão e sinto a sua pele macia, gasta pelo tempo e pelos temporais, voltas e mais voltas pelos fundos oceânicos, um mundo inteiro percorrido até chegar aqui. Agora. À minha mão. Meço-lhe o peso em jeito de balanço e sei que posso pintar-lhe um sol e uma flor e oferecer-ta de presente. Ficará bem na tua mesa de trabalho, por cima de um monte de papéis que assim não voarão, mesmo que deixes aberta uma janela, esquecida. No fim desse dia, ainda hei-de encontrar folhas de àrvore cor-de-rosa em forma de estrela, duas caricas velha...

Quanto

mais tempo passamos embrenhados na crueza e exigência da vida analógica, mais caímos em nós e damos conta do relativismo desta vida paralela. E o blog aparece reduzido à dimensão daquilo que verdadeiramente é: um local aprazível, onde de vez em quando nos apetece abancar confortavelmente, descalçar os sapatos, pôr um som suave e deixar vogar o pensamento ao sabor do acaso. O lugar onde o registo de momentos únicos, de recordações impetuosas, de vontades súbidas, é possível. Um legado de pedacinhos de vida, gravados no éter durante tempo infinito. Enquanto ninguém os apagar ou não desaparecerem os servidores que lhes insuflam a vida. Como as máquinas que mantêm vivo um ser humano, ventilando-lhe respiração artificial. Este estado de consciência extrema que nos encandeia de tanta clareza, acaba por nos manietar o sonho e bloquear as palavras que pintamos de cor-de-rosa. O que vale é que é só às vezes.

O supremo luxo

São as últimas horas úteis de mais uma Sexta-feira. O término de um dia de trabalho na ponta de uma semana que mal dei conta de passar, vou eu reflectindo enquanto o semáforo não muda de cor. Dasse...que há alturas em que a carga profissional se conjuga para nos tornar quase autómatos a passar de uma tarefa para outra, de uma solicitação para a seguinte, de um telefonema para o próximo, de um atendimento para mais outro, de uma reunião para as que ainda faltam. Passou-se outra semana, na brevidade de uma inspiração para tomar forças ao nascer de cada novo dia e uma expiração ao mergulhar nos lençóis em busca das poucas horas de sono capazes de garantir a rotina da manhã seguinte. E eu estou numa sexta-feira à entrada da noite, a conduzir devagar enquanto vou recebendo os telefonemas de uma amiga que me desafia para jantar fora, de outra que me convida para uma qualquer festa não sei aonde, de um membro da família que me diz por sms, vamos petiscar, se quiseres vai lá ter . E vou declin...

VIDA DE SOLTEIRO

O copo com a imperial tombou em câmara lenta sobre o tampo da mesa e nenhum dos presentes conseguiu deitar-lhe a mão a tempo de evitar o pior . Ninguém esboçaria sequer um gesto nesse sentido. Pela névoa que o meu olhar baço transmitia ao cérebro para processamento nas calmas assisti à formação da pequena enxurrada que não tardou a encontrar, pelo meio de guardanapos de papel ensopados, palitos usados e cascas vazias de caracol, o leito ideal para o meu colo desguarnecido. Todos os olhares em redor daquela távola de cavaleiros desandantes acompanharam a custo a progressão da maré espumante, depois de se certificarem que o rumo da mesma apontava para qualquer outro conviva. E eu de perna aberta a aguardar o banho gelado de espuma para arrefecer de forma irremediável qualquer entusiasmo involuntário da minha zona genital nesse serão que se ambicionava predador. Tudo nas calmas, três espectadores bamboleantes mas atentos e um protagonista de circunstância, convocado da plateia para partic...

I have two jobs

ocorre-me, de repente, saída do nada esta famosa expressão americana ouvida na boca dos heróis/heroínas dos filmes que por cá consumimos. Famosa porque vulgarizada pela existência de um sistema de emprego precário e sem vínculo que predomina nessa nação. I have two jobs , diz ela/e no meio da trama dramática, para justificar que só assim consegue sustentar a família e tal. E eu hoje só conseguia pensar que ao menos ele/as são pagos... Porque eu tenho dois " jobs ", sem qualquer dúvida. Depois de um dia inteiro em reunião da organização, para definir linhas estratégicas de funcionamento, verdadeiro brainstorming - para continuar na linha americanóide - desenvolvido em equipa, saio de serviço por volta das 19.00 para "pegar" ao serviço número dois, de imediato. Neste, o horário é flexível pelo que, tanto pode terminar às 22.00, como às 00.00 ou 01.00, brincando. Contempla conteúdos funcionais tão díspares e versáteis quanto servir de burro de carga com os sacos de co...

Hoje

foi dia de praça cheia, casa nossa. De todos quantos, esta tarde, partilharam castanhas e copos de tinto e música e bailarico, os que mais precisavam, sem limite. Do arrumador de carros, ao velhote que passa os dias sentado nos degraus da igreja. Também das senhoras reformadas que ali se encontram todos os dias. E dos funcionários das várias repartições públicas concentradas naquele local. E de quem, passando, ia ficando. A praça foi de todos. Aberta. Cheia. Cheia de gente e cheia de fartura. Não faltou o pão para ninguém, com chouriça assada a pingar. Houve quem levasse para casa, a fome no olhar, o saquito mal disfarçado com umas quantas fatias de pão e o que mais pudesse lá caber. E houve batata doce. E bolos e até roupa para comprar a preço de sandes com galão. Foi dia de festa para muitos. Mais de uma centena. Mas foi dia também de ver a fome envergonhada que ainda acontece nesta cidade. Para nos fazer reflectir. E sentirmo-nos humildes. Temos tanto, incomparavelmente tanto, olhan...

(continuação)

daquela coisa dos escrevinhadores que comecei lá mais para baixo e não concluí e que agora não sei bem onde está, para poder lincar aqui tudo direitinho e vocelências irem lá parar, directamente, sem trabalho nenhum, quem tiver pachorra que procure. Anyway , o que eu queria mesmo dizer, quando comecei esta profunda análise pseudo psica, era que escrevo, basicamente, para mim. Ou seja, pela motivação, até que podia ter um blog sem comentários. Mas acho que um blogue, se é um blogue, deve ter a possibilidade de existência de comentários, senão seria outra coisa qualquer. Uma Webpage , um site , o raioqueoparta , mas não um blogue. Por isso os meus blogues sempre tiveram e terão caixas de comentários. O que não significa exactamente o mesmo do que terem as ditas sempre abertas. Cá está. Escrevo para mim. O que me apetece, me dá prazer, com vontade de receber feedback ou não, várias vezes por dia ou zero numa semana, com caixas abertas ou fechadas, consoante. Existirão, decerto, tantas m...

Admiro

pessoas serenas. Convictas das suas afirmações, traduzindo coerência nas posteriores acções. Pessoas que inspiram tranquilidade e segurança. Por não viverem numa montanha russa de emoções descontroladas, não mudarem ao sabor do catavento que se deixa virar por cada brisa que sopra. Agora o Norte, mais logo o Este. E logo a seguir o Sul, talvez. Admiro a solidez daqueles em que sabemos sempre onde agarrar, quando neles procuramos uma tábua de salvação. São marcos no caminho e encontramo-los sempre lá. Quer troveje ou faça sol. Sempre virados para o mesmo ponto cardeal, estrelas polares orientadoras dos perdidos até que pisem terra firme. E gostava de ser assim, eu própria, como aqueles que admiro. Capaz de manter felizes os outros.
serena Ingrid Chamaste? Pareceu-me ouvir a tua voz, por entre o rumor das folhas. Ou terá sido o vento? Poderá ter sido o vento mas, se o foi, tinha o som quente da tua voz, aquele pingo de mel que sempre me adoça os sentidos quando ma sussuras perto do lóbulo da orelha. Vou já. Vou assim que saiba onde deixei guardada a chave do meu coração, logo que consiga procurar por detrás daqueles blocos de pedra antiga, primeiro tenho que retirar o musgo macio, depois, com a ponta afiada de uma adaga removo a terra a toda a volta e puxo. Puxo com força. Sou capaz de demorar um bocadinho, ainda. É que são muitas pedras onde procurar e depois faz-se noite e tenho que me recolher naquele recanto abrigado de árvores e deixar lugar aos espíritos que só vivem durante a noite. Não me posso mexer ou fazer qualquer ruído porque eles são curiosos e brincalhões e, se me descobrem, lançam-me por cima o véu da eternidade e depois já não posso ir ter contigo. Espera-me, sim? Espera sem que dês por isso, vai ...

Hoje

puxaram-me pela veia política aquela, que anda ali tão disfarçada entre a aorta e outra qualquer que lhe passe ao lado, a ver se não dá muito nas vistas, low profile que já lá vai o tempo em que era preciso estar sempre a embandeirar por tudo e por nada. Ora a dita, a veia, desta vez saltou logo, pulsante de entusiasmo, à medida que lia o post do Shark , embrulhou-se toda lá com as outras - um pandemóniuo desgraçado e a tensão arterial a pagá-las - e resolveu aparecer e dar nas vistas de todos, eu é que sou a veia principal e mais isto e mais aquilo . O tema toca-me, como lá digo. Porque sou mãe de uma criança que beneficia do mesmo sistema que a filhota do Shark, em condições diametralmente opostas. Porque, como lá lhe digo, não se deve meter tudo no mesmo saco e os bons exemplos devem ser divulgados, espalhados aos sete ventos alto e bom som, contra a nacional tradição da maledicência, em que só se dá relevo ao que está mal feito. Como fazem alguns blogues que só sobrevivem de dar ...