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serena Ingrid

Chamaste?
Pareceu-me ouvir a tua voz, por entre o rumor das folhas.
Ou terá sido o vento?
Poderá ter sido o vento mas, se o foi, tinha o som quente da tua voz, aquele pingo de mel que sempre me adoça os sentidos quando ma sussuras perto do lóbulo da orelha.
Vou já.
Vou assim que saiba onde deixei guardada a chave do meu coração, logo que consiga procurar por detrás daqueles blocos de pedra antiga, primeiro tenho que retirar o musgo macio, depois, com a ponta afiada de uma adaga removo a terra a toda a volta e puxo. Puxo com força.
Sou capaz de demorar um bocadinho, ainda.
É que são muitas pedras onde procurar e depois faz-se noite e tenho que me recolher naquele recanto abrigado de árvores e deixar lugar aos espíritos que só vivem durante a noite. Não me posso mexer ou fazer qualquer ruído porque eles são curiosos e brincalhões e, se me descobrem, lançam-me por cima o véu da eternidade e depois já não posso ir ter contigo.
Espera-me, sim?
Espera sem que dês por isso, vai pisando firme o chão onde se desenha a tua vida, sorri e ri e ama sem limites, sente-me perto quando o cálido ar das tardes te tocar a face ou o voo das gaivotas te emocionar.
Logo, logo, atravesso o portão e chego.

Comentários

shark disse…
Este é sem dúvida o teu melhor registo, Mar.
Magnífico post, daqueles que dá gosto ler e que rareiam na blogosfera destes dias.
Parabéns, parceira.
E espero que os espíritos da noite não tenham radar... :)
Mar disse…
Eu fico muito quietinha e eles nem dão por mim ;-)
Obrigada, é bom apreciarem-nos. *
Anónimo disse…
LINDO !
Mar disse…
Agradecida por assim o pensares anónimo/a.

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