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A mostrar mensagens de setembro, 2007

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Detalhes

Foto: José Maria
Havia uma casa. Não, esperem, havia uma casa dentro de outra casa. Não, nada disto. Havia uma pequena casa, que estava dentro de outra casa, dentro da Casa. A Casa ficava na Praça que tinha uma Igreja e uma Farmácia* e, com ela, ou melhor, dentro dela, lá estavam todas as outras casas. 1 2 3 Se olhássemos com atenção descobríamos que as casas tinham lá dentro anjos pequeninos, 4 e sonhos de algodão e tesouros escondidos dentro de caixinhas coloridas 5 e também duendes que moravam em florestas encantadas 6 7 8 e tinham gente. Nestas casas havia gente que falava e contava e gente que escutava, gente com gestos e balões e sorrisos e sussuros e muitas palmas. Gente com olhos brilhantes e corpos de abraço e, pelo meio dos abraços, um monte de livros. Era uma espécie de cidade pequena dentro da outra, a maior, a cidade-mãe. Uma cidade com paredes feitas de letras brancas de esferovite e enormes janelas tapadas a veludo e tule. E sem tecto. Apenas as estrelas como cobertura desta cidade onde...

Paixões

é o título do texto que encima a pesquisa no Google, feita por "Cristina Taquelim". E não lhe poderia fazer maior justiça, este título para um texto que fala de si. Paixões. As que desperta e as que a movem. As que desperta são avassaladoras e para a vida. As que a movem são grandiosas e simples a uma só vez (e voz). Quando a conhecemos pela primeira vez não somos capazes de perceber logo o que, verdadeiramente, a faz caminhar. Depois de algumas horas de conversa, não há equívoco possível: aquela mulher esconde em si uma multidão de gente. A mãe-ídolo, a mulher-companheira, a profissional determinada, a chefe-amiga mas firme, a colega solidária e disponível, a sonhadora-contadora, a sensível e emotiva mediadora, a amiga que tempo algum ou longe, ou distância conseguem afastar, uma vez ganha, a artista criativa. Tudo embrulhado nas paixões. As que põe em todas as realizações que consegue, sempre que a isso se propõe, materializar. As que vai revelando aos poucos, à medida qu...

Encontro-me*

aos poucos, muito devagar, depois de me ter perdido por aí, de ti. Recolho pedaços, partículas soltas do Eu que fui em tempos. A cada um, que apanho do chão e guardo com cuidado, mais perto do todo. Acrescento-lhe notas de azul, nuvens em forma de anjo, espuma do sal que me beija os pés. Faço, a cada novo dia, um upgrade do ser humano que gosto de me saber. Não olho para trás. Ou, sequer, para a frente. Nem quero saber dos que me observam. Desenho-me. Pinto a carvão, com um traço fino e preciso, os contornos da embalagem que me envolve as emoções. (Re)Defino-me. Apenas pelo supremo gozo de me saber verdadeira. E única.

Uma igreja vestida de tule

Foto: Mar para ouvir, entre muitos outros, uma mulher cujo currículo fala por si. Ouvi-la em pessoa, no entanto - a voz serena e doce, a sensibilidade com que descreveu o que sentia por estar no nosso país: "Tocada" - foi, de longe, um privilégio. A obra da escritora tem sido matéria de estudos por parte de professores, críticos, mestres, recebendo teses e monografias, geralmente ligadas a questões de literatura & historia, Barroco brasileiro, Romantismo, ou pos-modernidade. Sua obra encontra-se registrada na Kindlers Literaturlexicon, em verbete escrito pela professora Ana Letícia Kügler, e na Enciclopédia Britânica, edição de 1991. O livro Boca do Inferno foi incluído na lista dos cem maiores romances do século, em língua portuguesa, publicada no caderno Prosa & Verso do Jornal O Globo, em 5 de setembro de 1998, elaborada por escritores, críticos e intelectuais. Esta noite, Lídia Jorge.

Acontece"u"

em Português. Carlos Pinto Coelho em Beja, sem holofotes, apenas os que iluminaram uma igreja vestida de tules e veludo cor de sangue.* Uma sessão tão simples quanto rica, tão despretensiosa quanto valiosa, sobre a língua e os livros para um público reduzido mas que, apesar do frio, não quis perder o que "Acontece" nesta cidade a que Ana Miranda** chamou "cidade convento". Uma pérola. * e **: amanhã segue reportagem completa que o dia hoje foi longo.

Cada vez mais perto...

recebido por mail

E mais Palavras

A Cidade dos Contos 17 a 23 de Setembro "Todos os anos, em Setembro, a cidade acorda ao som dos andarilhos. São mais de duzentos e vêm de longe, em busca do lugar onde moram as palavras. Chegam como uma revoada de pássaros, para se alimentar do mistério que é a palavra contada e escrita. Os seus passos ressoam pelas ruas e as suas vozes, entram pelas frestas das portas e janelas, pelas chaminés e desafiam quem vive na cidade. Este ano os caminhos dos andarilhos vão até à Praça da República onde encontrará a Feira do Livro e da Leitura IX Encontro dos Aprendizes do Contar. Bem vindos sejam os Andarilhos ! "

Palavra

que, de vez em quando, passando uma rápida vista de olhos por uns quantos de uns blogues ( para pesquisas científicas de âmbito estritamente profissional, meus caros, claro, claro..) , me bate assim uma nostalgia do tempo em que também eu tinha tempo, pachorra, motivação e, sobretudo, fé, para conseguir manter um blogue assim todo bonitinho, arranjadinho, engraçadinho e actualizadinho com os temas mais pertinentes da actualidade político-social mundial...por entre umas quantas imensas, maioritárias, quase monopolistas umbiguices eguistas (de ego, o que mais poderia ser?) Palavra. Mas depois, passa-me logo.

Desde há muito que sei

qual é

O mais recente Herói

"Ou somos capazes de derrotar com argumentação as ideias contrárias, ou temos que deixar expressá-las. Não é possível derrotar as ideias com a força, porque isto bloqueia o livre desenvolvimento da inteligência." da minha prole.

Aquele

Mar e Mano preçário foi meu. A parede foi do mano. Festa em mil novecentos e qualquer coisa. No tempo em que a gravidade não pesava e o louro dos cabelos era natural...E a Festa durava toda uma semana. Inalterada, permanece desde então, a integridade e a convicção.

A

revista "Pública" deste Domingo, para além de um excelente artigo sobre permanecermos jovens até cada vez mais tarde (O Sócrates, na foto em que o apanharam num ângulo favorával, quase parece bonito...), presenteia-nos com as previsões da Maya para a semana, ali logo pelas primeiras páginas, impossíveis de ignorar de tão ostensivas, de maneiras que não adoptei o habitual modo passa-à-frente-que-os-astros-são-para-crentes, e resolvi ler o signo que me corresponde no Zodíaco. Não fui capaz de conter um sorriso e pensar, Hum... "...que las hay, hay.". XXI O MUNDO O MUNDO traz muita segurança aos nativos de Touro que revelarão grande capacidade de luta em prol das suas metas. No plano afectivo a evolução da sua vida vai provar que as escolhas que fez recentemente, estão certas. No plano material, é o plano mais protegido. Na saúde, faça uma vida muito regrada. (sic) :-)

Este ano

não consegui contribuir para a construção da Festa. Afazeres profissionais e período de férias a coincidir com o maior pico de trabalho militante, impediram-me de poder disfrutar daquilo que já é um hábito desde os 14 anos: sentir que um bocadinho daquela magnifíca, única e inimitável realização, nos pertence. Uma simples parede caiada de branco com uma barra azul por baixo chega para suscitar orgulho, "aquela ali é minha" enquanto símbolo da partilha feita entre um colectivo de milhares de homens e mulheres, de todas as classes e estratos sociais e profissionais, que dá o seu contributo voluntário com um único objectivo: provar que na união está a força, que a luta continua, que ser leal e coerente compensa, extasiar-se perante a grandiosidade da condição humana que, sendo capaz do pior, também é capaz de realizações assim. E a prova final disso é quando, às 19.00 de Sexta-feira, se abrem os portões e um mar humano, de milhares e milhares de pessoas, inunda as ruas que tanto...

Muito Trabalho

Pouca cada vez menos Blogosfera .

E é

tanto assim * que, a esmagadora maioria dos meus textos não tem um título e começa, precisamente, por essa palavra ou frase. A mais recente, que não me tem saído da cabeça, é: "Encontro-me". A ver vamos o que dá.

Às vezes

começo com uma frase. Uma expressão cujo significado me acompanha durante um dia, uma tarde, umas horas. Tudo depende de factores vários. Noutras é uma palavra, simples, só, despida de sentido mas com uma sonoridade agradável ao ouvido. É por elas que começam os meus textos. Nunca sei bem como acabam. Regra geral, escrevo-os de enfiada, de um só fôlego, sem tempo para pensar em como construir parágrafos mais elaborados ou metáforas bem conseguidas. Saem, simplesmente. Só numa pequena parte dos casos é que, depois de os terminar, lhes introduzo pequenas alterações, uma vírgula fora de sítio, uma maiúscula que falta, uma letra que escapou à fúria veloz dos dedos sobre o teclado. Nada que lhes altere o rumo ou o significado que lhes quis imprimir. Escrevo sempre com o coração na ponta dos dedos e, tal como acontece com todas as coisas do coração, esta só sai bem quando é verdadeiramente sentida. Quando não depende de "obrigações" e timings , quando é livre e saboreada, quando ap...