não consegui contribuir para a construção da Festa.
Afazeres profissionais e período de férias a coincidir com o maior pico de trabalho militante, impediram-me de poder disfrutar daquilo que já é um hábito desde os 14 anos: sentir que um bocadinho daquela magnifíca, única e inimitável realização, nos pertence.
Uma simples parede caiada de branco com uma barra azul por baixo chega para suscitar orgulho, "aquela ali é minha" enquanto símbolo da partilha feita entre um colectivo de milhares de homens e mulheres, de todas as classes e estratos sociais e profissionais, que dá o seu contributo voluntário com um único objectivo: provar que na união está a força, que a luta continua, que ser leal e coerente compensa, extasiar-se perante a grandiosidade da condição humana que, sendo capaz do pior, também é capaz de realizações assim.
E a prova final disso é quando, às 19.00 de Sexta-feira, se abrem os portões e um mar humano, de milhares e milhares de pessoas, inunda as ruas que tantos deles construiram e limparam do mato e das ervas e se junta numa dança colectiva, mal soam os primeiros acordes da Carvalhesa. Só quem nunca assistiu ao espectáculo que é ver uma massa humana, qual rio feito de rostos e corpos, de todas as raças, cores e credos, altos e baixos e fracos e fortes e gordos e feios e belos, velhos e novos, a correr para o recinto do palco principal, para dançar em conjunto e dando os braços ao parceiro do lado que nunca viu na vida nem tornará a ver, é que nunca será capaz de verdadeiramente compreender o significado das palavras solidariedade e militância.
Só para aqueles que tenham a capacidade de perceber e respeitar o outro, a inteligência suprema de admirar, reconhecer e elogiar a verdade, ainda que contrária à nossa posição pessoal, cá vai:
e mais um (que anexa a história da "Carvalhesa" que muitos não conhecem):
Não podem negar que é de algo verdadeiramente ÚNICO que falamos!
(e é mesmo esse o amargo de boca para tantos...)
Não há FESTA como esta!

Comentários
Comoveram-me as palavras deste post!
Lá no encontraremos então... em cada rosto, em cada sorriso, em cada punho erguido! Podes ser tu a meu lado, posso ser eu ao teu... acima de tudo a certeza de que somos muitos, muitos mil, a comemorar Abril e a lutar todos os dias para não perdermos o que foi conquistado com dor e com a vida de muitos homens e mulheres.
Até lá...