"Todos os anos, em Setembro, a cidade acorda ao som dos andarilhos.
São mais de duzentos e vêm de longe, em busca do lugar onde moram as palavras.
Chegam como uma revoada de pássaros, para se alimentar do mistério que é a palavra contada e escrita.
Os seus passos ressoam pelas ruas e as suas vozes, entram pelas frestas das portas e janelas, pelas chaminés e desafiam quem vive na cidade.
Este ano os caminhos dos andarilhos vão até à Praça da República onde encontrará a Feira do Livro e da Leitura IX Encontro dos Aprendizes do Contar.
Bem vindos sejam os Andarilhos ! "
melhor na sombra. Em busca de um pouco de silêncio, volto a esta velha casa, tantos anos ponto de encontro de anónimos, sem amarras, sem nós. É dificil escrever sobre o medo num local onde se reúnem filhos, irmãos, amigos com rosto, uns mais outros menos, quase nenhuns verdadeiros, quase todos voyers àvidos de vidas que não sejam a sua, sobretudo se houver sangue. Sao salas ruidosas e cheias de tudo, música em loop, filmes da vida real e muita ficção, conversas cruzadas de quem só pede um pouco de atenção, imagens de mundos ao alcance de poucos, quanto mais exótico melhor. São espaços abertos, imensos, demasiado amplos, sem horizonte à vista, cheios de gente aos encontrões, como migantes perdidos em busca de um chão. Andamos por ali, uns e outros, deambulando em scroll, todos conhecidos, todos atores de um teatro que não baixa nunca o pano. E sem espaço para parar, cansados, sem sermos ouvidos, percebemos que só precisamos de um pouco de silêncio. De abrir de novo a represa e...

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