Avançar para o conteúdo principal

Mensagens

A mostrar mensagens de outubro, 2008

Eu prometi...com adenda

algures ali para trás, que voltava ao tema. Não que o dito assuma grande importância para mim ou afecte de alguma forma o rumo da minha vida neste momento. Ele está traçado e assumido, tem os azimutes todos definidos, estão escolhidas as rotas mais directas, as coordenadas perfeitamente claras. Não, não é para mudar nada, a longo prazo, garanto. E quando se tem uma certeza assim, porque é disso que se trata, de certezas partilhadas, não é qualquer malabarista chunga a tentar fazer o pino para dar nas vistas, que consegue interferir. No entanto, confesso, eu sou uma apaixonada pela condição humana nas suas fomas mais extremas, por esta raça esquisita de ser vivo que é o único capaz do melhor e do pior, pelas relações que estes seres estabelecem com a sociedade que os rodeia e a forma como como nela se integram, uns mais outros menos, melhor ou pior. E é assim que, como boa antropóloga investigadora que sou, não me vejo capaz de desperdiçar tão vasto manancial de estudo que, todos os dia...

É por isto que

eu gosto da Blogosfera! Com um pequeno comentário, a Noite (que eu julgava ser outra Noite, que conheci por aqui em tempos) leva-me ao seu blogue, onde me revejo em tanta coisa. Mais um para os Indispensáveis. Bem vinda, Noite ! :-) Para lá do espelho Para lá do espelho há mil imagens que se imobilizam ao toque leve de um botão. Param os sorrisos, as lágrimas, os gestos, as conversas, os saltos, as correrias, os meninos, o vento, as gotas da chuva, as núvens no céu, os néons e as estrelas cadentes. Tudo pára. Pára o tempo. A imagem que se eterniza num olhar. Para lá do espelho.

Frases-Chave

"...sabemos que, para além do que não se pode explicar, o que nos separa é exactamente o que nos une, a tua esperança diáriamente renovada, a minha abstracção diáriamente mantida."

Tenho tentado

não perder o pé. Se calhar é mais a mão. O que seja. A verdade é que, quando se vive demais lá fora, não sobra assim tanta vida para vir viver aqui. Simples. Mas esforço-me por não perder a vontade de cá voltar. Uma e outra vez e mais uma. A esta parte de mim. Que também me caracteriza e define. Que também me serve. Que me completa, até. Onde sou generosa e (às vezes) me dou a toda a gente, (quase) da mesma forma que me dou apenas a quem quero, lá fora. Pedaços de quem sou espalhados por aqui, genuínos. Para quem os possa entender. Ainda que o conjunto, esse, seja exclusividade, apenas, de quem o saiba ganhar.

RuralBeja

no duplo papel de membro-da-organização/visitante-leia-se-andar-por-ali-pelas-tascas-a-beber-uns-canecos-todo-o-dia, aliada à ausência da minha fonte de inspiração favorita, dá como resultado uma lacuna generalizada de condições para blogar. Assim sendo, a malta já volta. Nã demora nada.

É de

urgência que falamos. Uma urgência morna que nos tolda a vista não deixando de iluminar o olhar, que nos preenche devagarinho, um a um, todos os espaços em branco, como se uma maré. Como uma intempérie que nos colha num rodopio, um Vento Suão. É isto. Disto que falamos. Desta urgência no amanhã, esta vontade de fazer de conta que foi sempre assim, hoje e em todos os ontens que passaram. Como se assim nos fizessem menos falta as memórias que não vivemos em conjunto. Assim enganamos o tempo e o passado. Trazendo-as de todo o lado, a cada dia, para perto do futuro que há-de vir. Com urgência.

"Toma lá Bolachas"

Como é que uma frase destas pode ser das coisas mais bonitas que nos possam dizer? Et nous ferons de chaque jour Toute une éternité d'amour Que nous vivrons à en mourir.
É verdade que estamos cada dia mais perto do céu. Não é? Foto daqui

Pra começo de conversa

Não percebo as pessoas, juro. Melhor dizendo: não percebo as reacções das pessoas. Reformulando: Não fucking consigo entender as reacções de certas pessoas. Hei-de voltar a este assunto. É uma promessa. Dasse...

Carregar Baterias

Li não sei onde

que nunca se deveria começar um texto, qualquer texto, pelo vocábulo Não . Já nem me lembro bem da explicação, semântica ou outra, que era dada, a verdade é que conhecendo-me nem devo ter ligado muito mas o certo é que aquilo ficou-me. E de cada vez que a pena, ali em cima no rectangulozinho do título, me foge para o Não para começo de conversa, o que era o caso hoje , dou por mim a apagar, reformular e a dar início à prosa com outra expressão qualquer. Como hoje. E a prosa lá flui, umas vezes com o mesmo exacto sentido que teria se iniciada por um Não , noutras com as voltas todas trocadas e o sentido precisamente oposto. Volúvel, esta prosa , penso eu que lhe dou vida enquanto ela, à sucapa, a vai ganhando por mérito próprio e me baralha todas as morais, intenções, conclusões e coisas que tais. É a magia da escrita, esta existência própria que transcende o criador, as metáforas que nos deitam a lingua de fora com ar travesso, as imagens que nascem sem esperarmos e nos surpreendem ao ...

Aflige-me apenas,

na Utopia como na Vida, a consciência da efemeridade, quando o mínimo que peço e sei que mereço , é a eternidade.
J M le Clézio, Nobel da LIteratura, diz que a profissão de escriba permite apreender melhor os ruidos do mundo . Por dizer coisas assim é que ganhou ele o Nobel e não eu.

Sómente

pessoas de carácter superior são capazes de sentir a felicidade dos outros como uma parte da sua própria. Felicidade. Essas são as que interessam. O resto é lixo que varro distraidamente para um canto do planeta, enquanto coloco um pouco de rimel sobre os olhos e sorrio...

E agora

depois de te ter dito tudo o que te disse antes, tenho que te dizer isto: A vida inteira esperei por alguém como tu Mesmo sabendo que não sei como és. E mesmo que ainda não se tenha passado a vida inteira. Jorge Reis-Sá* * retirado do blog do João Marchante que em boa hora o publicou.

Emprestaram-me um livro

e quando isso acontece creio que podemos, oficialmente, considerar-nos amigos dessa pessoa para toda a vida. No mínimo. "(...) e depois a mamã comprou-me um estojo que parece um estojo de revólver, mas, em vez de revólver tem um apara-lápis que parece um avião, uma borracha que parece um rato, um lápis que parece uma flauta, e um monte de coisas que parecem outras coisas, e com tudo isto vamos concerteza fazer palhaçadas nas aulas." in , o Regresso do Menino Nicolau, de Goscinny e Sempé. Quando fôr grande, quero saber escrever assim. *a imagem foi tirada daqui .

E no final

o que nos resta, ou que resta de nós , é termos sido boas pessoas, pessoas de bem. É esse legado ficar para os que nos sobrevivem, que nos sobrevêem. É falarem dos nossos feitos com ternura e saudade, é lembrarem o nosso sorriso, é contarem histórias que protagonizámos. E essa perenidade só se alcança se tivermos sido pessoas de bem. Hoje morreu o pai de uma grande amiga. E olhando a foto que se destacava do seu caixão fechado, foi exactamente isso que se sobrepôs ao sentimento de dor e perda que pairava pela sala: o seu rosto franco, o sorriso aberto, os olhos brilhantes de quem acreditava e lutava e manteve sempre a esperança. A força que soube transmitir aos que com ele privaram, aos que dele nasceram. Creio que todos os que ali estavam souberam isso, como eu. E é isso que importa que fique por cá, quando partimos nós.