Avançar para o conteúdo principal

Mensagens

A mostrar mensagens de 2026

Fazes o Luto

da pessoa que foste. Dos momentos que não vão voltar. Relembras as memórias duma música, um gesto perdido, um olhar partilhado numa noite de verão, o sentimento de eternidade- diz boa noite aos senhores . Boa noite! , a insustentável certeza de que te queriam e tu querias. Relembras. Sabes, agora, que não haverá réplica, o que eras não tornarás a ser, quem te olhava nessa altura não mais verá o que viu. Percorres - frame a frame - cada minuto do que foi vivido, sabes de cor o que sentiste, imaginas o que outros terão sentido. Não sabes como abdicar dessa perfeição que não pediste mas te foi oferecida. Não sabes e por isso procuras não esquecer. Precisas que outros te validem o que foi real. Na sua ausência, o que te resta são registos, vozes longíguas, olhares gravados, sorrisos tímidos, um sopro de Verão. Não saberás nunca se o que sentes tem espelho no coração de alguém. Mas acreditas que o que foste terá deixado marca.

Não somos mais

que uma casca orgânica, de matéria em diferentes estados de decomposição.  O que nos preenche, aquilo a que se convencionou chamar de "alma", ainda está por explicar. Uns creem que é Deus, esse ser etéreo e invisível, que determina o que somos e como nos comportamos. Outros, adeptos de produtos naturais de inalação rápida, acreditam em unicórnios coloridos e chakras mais ou menos (des)alinhados. Por fim, há os que se questionam. Os que procuram algum sentido - mais ou menos científico e plausível, mas, acima de tudo, credível - para esta passagem da Humanidade pelo planeta. Se fossemos apenas a casca, tudo seria mais fácil. Nascíamos, lisinhos e robustos. Entrávamos na idade assim assim, onde, alegremente, nos limitávamos a procriar e tentar sobreviver a um mais forte predador e, no final, definhávamos, acabando por fazer parte do composto vegetal que cobre o chão das florestas intocadas pelo Homem. Tudo limpinho e sustentável. Mas não. Algo se encarregou de transformar um...

Há 40 anos

Eu tinha 21 e não sabia quem são estas pessoas que hoje me rodeiam. Há 4o anos eu ouvia " maldita Geni", bebia Four Roses na Gafieira - que hoje nem aparece nas pesquisas do Google quando rediges Rua da Rosa , anos 80 - , era eu só eu e não tinha mais ninguém que , anos mais tarde sairia de mim. Tinha o irmão, 9 anos mais novo que eu e que eu amava e queria perto de mim . Não tinha casa, nem sabia o que era um crédito, nunca tive um cão. Tinha os meus pais longe, a 200 kms, seguros e porto seguro onde poderia sempre voltar, quando me apetecesse. Essa rede que me dava segurança e assim permitia a loucura do 2001 em Cascais ou o Seagul em Setúbal, todas as loucuras que podiam falhar porque havia sempre para onde voltar. Há 40 anos, podia voltar. Hoje tenho pessoas que sairam de mim e são elas que precisam desse lugar para voltar, se o resto lhes falhar. Já não ouco Maldita Geni, tenho 2 cães e uma casa que acabou por ser aquela de onde saí, há 40 anos. Não sei quem são t...

Brain [Storm]

O meu cérebro, durante a noite, canta, declama poesia, faz o pino, sapateado, contabilidade e inventa receitas exóticas. Faz-se intrépido explorador das viagens que nunca farei, prevê o futuro, o passado e o fim do Universo, num imenso Big Bang ou apocalipse zombie. É especialista em doenças infeto-contagiosas, animais fofinhos ou como eliminar o plástico dos oceanos, imunoalergologista e trolha nas horas vagas. Também gosta de design de interiores, estadias em hotéis e não esticar um dedo para fazer mais nada na vida, mas, a parte contabilista corta-lhe logo as asas. O meu cérebro é uma panela de pressão em ebulição, com o pipo estragado. Também tem apetências a ser guru de lifestyle ou artista de circo mas, em desespero, sem saber onde encaixotar tanto personagem, às primeiras luzes da manhã, acaba a cometer hara kiri. (post SAPO Fevereiro 22, 2025)

Novembro

O mês é Novembro, o penúltimo do ano. Os dias, esses, são vários e internacionais: - Dia Europeu contra a Exploração Sexual e o Abuso Sexual de Crianças e Jovens, a 18; Dia do 35º aniversário da Convenção dos Direitos da Criança, a 20. A 25, assinala-se o Dia Internacional de Eliminação da Violência contra as Mulheres. São dias atrás de dias e a violência não pára, acumulam-se os rostos e os casos, os nomes e as imagens de um flagelo que não devia acontecer no Século XXI, em nenhum lugar do mundo. E acontece ao nosso lado. E agrava-se e aumenta, quando deveria cessar de vez. Nas TVs, em prime time servido à hora do jantar, sabemos que mais uma mulher foi atacada com ácido, por um homem que não aceitou que ela é um ser autónomo e com vontade própria. O seu ex-companheiro. Ontem foi a criança que foi ouvida em Tribunal, num testemunho de gigante coragem contra o pai abusador. Amanhã será a mulher que saiu de casa com a roupa do corpo, rumo a qualquer casa-abrigo, na tentativa de pro...

M de Mudança

Porque, acima de tudo, é preciso mudar. Mentalidades mas, sobretudo, atitudes e atos. Num país em que um Juiz absolve uma besta que rebenta o tímpano à mulher a poder de murros, muito há a mudar. Num país em que a (inércia da) Justiça obriga mulheres vítimas de violência doméstica a tornarem-se prisioneiras com os filhos, em Casas-Abrigo a centenas de quilómetros de onde têm o seu Mundo todo, há algo que tem que mudar. Urgentemente. Tem que mudar a aplicação da lei. A destreza da intervenção das forças de segurança, o peso das medidas de coação, a moldura penal para quem agride, violenta e mata outro ser humano, mais fraco. A forma como se desvaloriza a violência no seio do casamento, como se ignora que os filhos que a ela assistem serão, para sempre, adultos marcados e nunca "vítimas indiretas". Nunca a promoção da igualdade de género foi uma Causa tão premente, como nos dias que correm. Num ano que começou com a morte de 11 mulheres, só no primeiro mês. Crimes com req...

Maria *

Maria Novembro 30, 2024 Mar Maria* Recebi-a num dia de chuva. Era franzina e o olhar fugia do meu. Bateu à porta e entrou devagar, a medo, medo do desconhecido. Estava ali, perante uma estranha, para contar a sua vida. Falou baixo e com os olhos postos no chão, arranhando, nervosamente, um pedaço do tecido desbotado da saia. Falava e alisava a saia, num gesto mecânico de alindar o que lhe parecia feio, como quem tentava compôr as rugas da história que, a contragosto, ali fora contar. Uma história de medo. Contou que teve medo quando ele lhe bateu a primeira vez, estava ela grávida da filha. Não reagiu, no choque de não acreditar, mas pensou que tinha sido só naquele dia, ele vinha cansado, o trabalho correra mal, ela não tinha tratado do jantar porque tinha ido fazer a ecografia e a consulta atrasou. Contou, enquanto alisava a saia. Na segunda, já não sabe bem porque foi, mas sabe que a filha bebé comecou a chorar porque a tinha ao colo e o soco que levou a fez bater na p...

Não se consegue desmentir o Medo *

O Medo aparece em letras garrafais. É usado para oprimir, deprimir, assustar e dominar. O Medo como arma de arremesso daqueles que, de outra forma, não alcançam controlar a narrativa. Em letras garrafais, um néon em cada esquina, um peso que desaba sobre o peito. Não se consegue desmentir o Medo. Ainda que o tentem, o desmentido já não vem com a mesma forma, muito menos o mesmo tamanho. O desmentido vem discreto e tímido, em letras de rodapé, ali escondido entre uma notícia de menor importância e os anúncios de venda de pílulas para dormir. Para adormecer a consciência e entorpecer a mente. Ninguém vê o desmentido. Mesmo que seja visto, já ninguém tem tempo para perceber a que parangonas anteriores se refere. Algo mais importante sobressai. Uma nova parangona, um novo Medo. Uma urgência urgente de, novamente, sucumbir. É melhor tomar umas pílulas para dormir. *(texto inspirado nesta frase de Jorge Serafim, na apresentação do seu livro "À Sombra da Angústia", na Biblio...

Da finitude

Nao acreditamos. Sabemos que assim é mas resistimos, duvidamos, reclamamos, enraivecemos. Não queremos. Pensamos em driblar o inevitável, enganar o comprovado, desafiar o destino. Talvez só agora, só desta vez, a exceção, o insólito , o milagre, talvez, talvez, talvez. Se pensar com muita força tornar-se-à verdade. Assim é e assim será. (post SAPO Outubro 06, 2024)

Carrego

no ADN um perfeccionismo assanhado, disfarçado de balda e "deixa andar". Passo tempo infinito sem limpar ou arrumar os cantos da casa mas tenho quebras de tensão se vejo uma diferença de altura entre duas toalhas acabadas de pendurar. Mata-me um chão mal assentado, um rodapé demasiado largo para o meu conceito de estética, uma parede mal estucada. Não sou capaz de viver com as imperfeições de uma obra mal feita. Tudo tem que ser milimétrico, simétrico, contínuo e lógico. Perfeito. Uma bancada de mármore não pode ter um corte a meio, ligado com silicone a outra metade. Um armário não pode nunca ficar torto, uma gaveta não deve estar perra mas sim correr suavemente e encaixar perfeitamente. Sou assim na vida, seja com naturezas mortas, tanto quanto comigo, numa ansiedade cheia de altos e baixos, que cansa. Numa autocrítica feroz, cruzada com a ilusão de "não quero saber". Nenhum trabalho que fiz ficou bom o suficiente, nenhuma palavra foi a tal, faltou sempre ...

Biografia

Atravessei, a pulso, planuras, montanhas e vales. Descobri que as pedras se movem para te desviar do caminho, aguçadas, rasgando a pele, impulsionadas por forças ocultas que não vislumbras, testes que põem à prova a vontade de continuar. Avancei por campos de estevas e trigo, descansei na sombra das oliveiras centenárias, continuei. Fui leitora, aprendi, ensinei, escrevi, sonhei poesia, reli, assisti, representei, declamei, tentei pintar não consegui, procurei, escutei, absorvi, admirei, deslumbrei-me e não desisti. Quando os ventos se calaram e as marés recuaram pensei ter encontrado terra firme. Um pedaço de chão meu, resgatado de raízes profundas e magma em ebulição. Mas nada é - nunca - nosso. Possuímos o nosso corpo e, mesmo esse, caminha para diferentes estados de decomposição. Um olhar que se enevoa, a audição que se vai, neurónios que morrem, uma artéria obstruída, os ossos que enfraquecem. Confrontados com a nossa finitude, as estradas que trilhamos em frente apenas le...

Os dias correm

Velozmente. Em catadupa, atropelando-se, uma hora a seguir à outra, os minutos todos ao molho, enrolados, um novelo de emoções, sensações, decisões. Em piloto automático vamos seguindo, cavalgando a onda, sem pensar, sem parar. Não há tempo. O tempo foge-nos, imparável, sem que algo nos ajude a fazê-lo parar. Pelo meio, vamos ultrapassando barreiras, contornando os obstáculos, encerrando [os que são encerráveis] capítulos. Quando, por fim, conseguimos assentar e um momento de pausa se instala, é como se não fosse verdade e limitamo-nos a fazer de conta que descansamos. No fundo, o tic tac continua dentro de nós, apenas com um volume um pouco mais baixo. Para de novo nos acordar, aos gritos, como se tivéssemos falhado em cumprir algo irrecuperável. Até quando, eis a questão. (post SAPO Setembro 15, 2023)

Vivemos

inquietos. Sempre à espera, alerta, como se isso significasse poder ter algum controle. Uma mera quimera... Vamos cumprindo tarefas, numa normalidade aparente, para que não se quebrem as rotinas. acordar, beber café, planificar, verificar, relembrar, sair de casa, regressar. Por dentro, um alarme surdo, permanente, a relembrar que não, a normalidade não existe, que o imprevisto está à espreita, que não controlamos nada. Limitamo-nos a seguir. Há uma espécie de indigestão, congestão de sentimentos. Queremos respirar e o ar não desce, eles ali, todos em nó a bloquear a passagem. E para este mal não há química que ajude, a ciência não consegue ser mais forte que o coração. (post SAPO Setembro 2023)

Procurei

o teu olhar por entre os corpos e as sombras da noite. Guiei-me pelo bater do meu coração, cega a todos os outros rostos que me envolvem, como fantasmas sem alma. Deixei-me levar pela ternura quente que me invade sempre que me apareces e fico sem ar, num sobressalto que não sei disfarçar. Tacteando, procurei o teu sorriso, essa linguagem universal que quer dizer, estou aqui, gosto de ti. Por vezes tão longínquo que mal o vislumbro e penso que sonho, noutras, ali ao alcance da mão, de um carinho suave nos cabelos. Não te encontrei, numa multidão indistinta que nenhum apelo me traz. Nada se compara ao teu perfil, ainda que ao longe, essa pose altiva de pastor que trazes inscrita no adn. Talvez moldada pela sorte dessa voz profunda, do cante que te corre nas veias, herança da terra e dos trigos que te pintam olhos e pele. Procurei-te depois de te ter tido. Por um breve sopro, um vulcão em erupção, o movimento das galáxias, o desabrochar de uma flor, tudo em ti foi meu. E tendo ficado ...

É Outono

e de cada vez que te peço "Setembra-me", com a sede de abraços que me atravessa o coração, vejo que te esfumas nas brumas e acordo do son(h)o breve que me consumia. É Setembro e as ruas molhadas regam a saudade que tinha secado no nosso quintal. Aquela que apagámos e escondemos debaixo das folhas que começaram a cair cedo demais. Cheira a verde e as andorinhas acenam, num adeus que promete regressos mas deixa ninhos vazios. Setembro traz a água, ansiada e purificadora. E eu olho para a planura, respiro fundo e acredito que novas sementeiras irão florescer. (post SAPO Setembro 2022)

Há dias

de esperança. A Esperança é um raio de sol rompendo o nevoeiro. É um horizonte azul, com a promessa de que haverá sempre o infinito e um pouco mais. Há dias em que acreditamos que o melhor está [sempre] para vir, ouve-se uma voz alegre que nos conta segredos e as pessoas sorriem. Basta um sopro destes dias para que o mundo se transforme. Sacudimos a alma amarrotada, arejamos pensamentos e pintamos de vermelho vivo o coração. Saímos para a rua com a certeza de ir conquistar o impossível. Nesses dias, a luz tem mais calor, os pássaros rodopiam e a cidade está engalanada de cor, mesmo que chova. A Esperança traz consigo a vontade de acreditar. A Esperança é a roda do moinho que move a nossa vida acomodada. Com Esperança, fazemos o caminho. (post SAPO Agosto 2022)

Escrevo sempre

de um fôlego, como se a avalanche de palavras não pudesse ser contida. Sou capaz de matutar numa frase enquanto faço a vida normal, compras, carro, trabalho, café, casa. Ela ali anda comigo, espreita por entre um pensamento e outro, insiste, quer sair, precisa de ver a luz do dia. Quando sinto que me foge e a perco tenho que parar, deixar o que estava a fazer, sentar-me e escrever. Depois de a ver no fundo branco do ecrã, de a encadear com outra frase e mais outra e ainda outra e a história desabrochar e a mensagem por ali ficar, suspiro. Já posso voltar à vida normal, compras, carro, trabalho, café, casa. (post SAPO Março/2029)

Para escrever

como se a alma nos saísse pelos dedos é preciso rasgar o corpo por dentro e nem sempre somos capazes. Não é só o coração que tem que se abrir, é o peito todo, é uma maré que sobe, visceral, e quando sai traz-nos inteiros, de um fôlego, sem mais nada para dar. Há muito que não o faço, talvez porque para o conseguir me falte o sol, o mar, um sopro de dourado, um cante ancestral. Talvez porque não haja quem mo mereça. Que (me) escreva dessa forma tão plena, quem saiba cuidar dessas palavras, tão gigantes e frágeis. Enquanto não decido, adio. (post SAPO Janeiro 20, 2019)

De repente

chega o medo, o medo é um pássaro negro que poisa no peito. É um caminho sem fuga, uma dor que aperta e agonia, um pulmão sem ar. A cor do medo é cinza, um nevoeiro frio que desce e envolve o coração. O medo tem muitas caras e a pior é a que nasce pelos que queremos proteger. Este medo são correntes que nos tolhem o amor. O medo por um filho faz de nós animal encurralado pelo futuro. Precisava de ter superpoderes e não tenho. (post SAPO 8/2018)

Na despedida

(post no SAPO 5/2017)

Atravessamos sempre

sozinhos os piores desertos das nossas vidas. Numa ilusão de comunidade envolvente, estamos sós com os nossos medos, a incerteza de conseguirmos chegar, os demónios que nos assombram e são só nossos porque ninguém os vê ou toca. Rodeados de amigos e familia, só nós sabemos o que a eles não podemos fazer chegar. Disfarçar, não preocupar. É connosco próprios que contamos para travar as nossas lutas.(post no SAPO 4/2017)

Escrevo

melhor na sombra. Em busca de um pouco de silêncio, volto a esta velha casa, tantos anos ponto de encontro de anónimos, sem amarras, sem nós. É dificil escrever sobre o medo num local onde se reúnem filhos, irmãos, amigos com rosto, uns mais outros menos, quase nenhuns verdadeiros, quase todos voyers àvidos de vidas que não sejam a sua, sobretudo se houver sangue. Sao salas ruidosas e cheias de tudo, música em loop, filmes da vida real e muita ficção, conversas cruzadas de quem só pede um pouco de atenção, imagens de mundos ao alcance de poucos, quanto mais exótico melhor. São espaços abertos, imensos, demasiado amplos, sem horizonte à vista, cheios de gente aos encontrões, como migantes perdidos em busca de um chão. Andamos por ali, uns e outros, deambulando em scroll, todos conhecidos, todos atores de um teatro que não baixa nunca o pano. E sem espaço para parar, cansados, sem sermos ouvidos, percebemos que só precisamos de um pouco de silêncio. De abrir de novo a represa e deixar f...

Um dia (mas não o de hoje)

há-de chegar, prometo que sim, talvez quando já ninguém o espere, como uma revelação ou milagre, ao entardecer depois do pó dos caminhos assentar debaixo das chuvas, se calhar quando o sol romper - como sempre - o nevoeiro. Um dia. Um dia vai chegar e será esse que vamos chamar de primeiro e depois desse o seguinte e os outros que hão-de vir. E as respostas que hoje nos faltam vão ser tantas que serão escritos compêndios e publicados ensaios e produzir palestras e teorias de que o Universo gira em torno das pessoas que nascem diferentes, carregando uma luz mais brilhante que as outras. Um dia virá, em que a corrida de memória em memória chega por fim à meta final e a manhã nos vai trazer só o cante dos pássaros e o aroma da esteva. Não será ainda hoje.(mas chegará)