O Medo aparece em letras garrafais.
É usado para oprimir, deprimir, assustar e dominar. O Medo como arma de arremesso daqueles que, de outra forma, não alcançam controlar a narrativa.
Em letras garrafais, um néon em cada esquina, um peso que desaba sobre o peito.
Não se consegue desmentir o Medo. Ainda que o tentem, o desmentido já não vem com a mesma forma, muito menos o mesmo tamanho. O desmentido vem discreto e tímido, em letras de rodapé, ali escondido entre uma notícia de menor importância e os anúncios de venda de pílulas para dormir. Para adormecer a consciência e entorpecer a mente.
Ninguém vê o desmentido. Mesmo que seja visto, já ninguém tem tempo para perceber a que parangonas anteriores se refere. Algo mais importante sobressai. Uma nova parangona, um novo Medo. Uma urgência urgente de, novamente, sucumbir.
É melhor tomar umas pílulas para dormir.
*(texto inspirado nesta frase de Jorge Serafim, na apresentação do seu livro "À Sombra da Angústia", na Biblioteca Municipal de José Saramago, Beja. Apresentado pelo Professor Galopim de Carvalho, numa sessão com tantas outras frases que permitiriam o nascimento de tantos outros livros.)
(post SAPO Outubor 19, 2024)
Otto Dix, pintor expressionista alemão, retrata o medo em suas obras por meio da temática bélica. Na imagem: Shock Troops Advance under Gas
Longe da "exaltação" inicial da entrada na blogosfera, hoje, reduzo-me a um pequeno núcleo de blogues que me despertam interesse. Cada vez mais pequeno. Dispenso blogues sobre política, "noticiários" quase réplica dos restantes órgãos/meios de comunicação social. Não consulto os blogues de "colunáveis" da blogosfera pois por serem "de referência" despertam a minha veia "do contra" e, para além disso, vejo os seus autores noutros suportes a dizer as suas coisas, daí já não me apetecer ver o que dizem por esta via. Não tenho paciência para blogues quase só feitos de imagens, muito menos os que seguem à risca o mote "uma imagem vale mais que mil palavras". Para isso vou a sites de fotografia, que os há aos molhos, e escolho eu as fotos de que gosto. Cada vez menos me interessam as polémicas, os intensos debates sobre as opiniões/posições políticas e afins de uns quantos blogues opositores também tidos como "de referência...

Comentários