inquietos.
Sempre à espera, alerta, como se isso significasse poder ter algum controle. Uma mera quimera...
Vamos cumprindo tarefas, numa normalidade aparente, para que não se quebrem as rotinas. acordar, beber café, planificar, verificar, relembrar, sair de casa, regressar.
Por dentro, um alarme surdo, permanente, a relembrar que não, a normalidade não existe, que o imprevisto está à espreita, que não controlamos nada. Limitamo-nos a seguir.
Há uma espécie de indigestão, congestão de sentimentos. Queremos respirar e o ar não desce, eles ali, todos em nó a bloquear a passagem.
E para este mal não há química que ajude, a ciência não consegue ser mais forte que o coração.
(post SAPO Setembro 2023)
melhor na sombra. Em busca de um pouco de silêncio, volto a esta velha casa, tantos anos ponto de encontro de anónimos, sem amarras, sem nós. É dificil escrever sobre o medo num local onde se reúnem filhos, irmãos, amigos com rosto, uns mais outros menos, quase nenhuns verdadeiros, quase todos voyers àvidos de vidas que não sejam a sua, sobretudo se houver sangue. Sao salas ruidosas e cheias de tudo, música em loop, filmes da vida real e muita ficção, conversas cruzadas de quem só pede um pouco de atenção, imagens de mundos ao alcance de poucos, quanto mais exótico melhor. São espaços abertos, imensos, demasiado amplos, sem horizonte à vista, cheios de gente aos encontrões, como migantes perdidos em busca de um chão. Andamos por ali, uns e outros, deambulando em scroll, todos conhecidos, todos atores de um teatro que não baixa nunca o pano. E sem espaço para parar, cansados, sem sermos ouvidos, percebemos que só precisamos de um pouco de silêncio. De abrir de novo a represa e...
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