da pessoa que foste.
Dos momentos que não vão voltar.
Relembras as memórias duma música, um gesto perdido, um olhar partilhado numa noite de verão, o sentimento de eternidade- diz boa noite aos senhores . Boa noite!, a insustentável certeza de que te queriam e tu querias.
Relembras.
Sabes, agora, que não haverá réplica, o que eras não tornarás a ser, quem te olhava nessa altura não mais verá o que viu.
Percorres - frame a frame - cada minuto do que foi vivido, sabes de cor o que sentiste, imaginas o que outros terão sentido. Não sabes como abdicar dessa perfeição que não pediste mas te foi oferecida.
Não sabes e por isso procuras não esquecer. Precisas que outros te validem o que foi real. Na sua ausência, o que te resta são registos, vozes longíguas, olhares gravados, sorrisos tímidos, um sopro de Verão. Não saberás nunca se o que sentes tem espelho no coração de alguém.
Mas acreditas que o que foste terá deixado marca.
melhor na sombra. Em busca de um pouco de silêncio, volto a esta velha casa, tantos anos ponto de encontro de anónimos, sem amarras, sem nós. É dificil escrever sobre o medo num local onde se reúnem filhos, irmãos, amigos com rosto, uns mais outros menos, quase nenhuns verdadeiros, quase todos voyers àvidos de vidas que não sejam a sua, sobretudo se houver sangue. Sao salas ruidosas e cheias de tudo, música em loop, filmes da vida real e muita ficção, conversas cruzadas de quem só pede um pouco de atenção, imagens de mundos ao alcance de poucos, quanto mais exótico melhor. São espaços abertos, imensos, demasiado amplos, sem horizonte à vista, cheios de gente aos encontrões, como migantes perdidos em busca de um chão. Andamos por ali, uns e outros, deambulando em scroll, todos conhecidos, todos atores de um teatro que não baixa nunca o pano. E sem espaço para parar, cansados, sem sermos ouvidos, percebemos que só precisamos de um pouco de silêncio. De abrir de novo a represa e...
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