Velozmente.
Em catadupa, atropelando-se, uma hora a seguir à outra, os minutos todos ao molho, enrolados, um novelo de emoções, sensações, decisões.
Em piloto automático vamos seguindo, cavalgando a onda, sem pensar, sem parar.
Não há tempo. O tempo foge-nos, imparável, sem que algo nos ajude a fazê-lo parar. Pelo meio, vamos ultrapassando barreiras, contornando os obstáculos, encerrando [os que são encerráveis] capítulos.
Quando, por fim, conseguimos assentar e um momento de pausa se instala, é como se não fosse verdade e limitamo-nos a fazer de conta que descansamos.
No fundo, o tic tac continua dentro de nós, apenas com um volume um pouco mais baixo. Para de novo nos acordar, aos gritos, como se tivéssemos falhado em cumprir algo irrecuperável.
Até quando, eis a questão.
(post SAPO Setembro 15, 2023)
melhor na sombra. Em busca de um pouco de silêncio, volto a esta velha casa, tantos anos ponto de encontro de anónimos, sem amarras, sem nós. É dificil escrever sobre o medo num local onde se reúnem filhos, irmãos, amigos com rosto, uns mais outros menos, quase nenhuns verdadeiros, quase todos voyers àvidos de vidas que não sejam a sua, sobretudo se houver sangue. Sao salas ruidosas e cheias de tudo, música em loop, filmes da vida real e muita ficção, conversas cruzadas de quem só pede um pouco de atenção, imagens de mundos ao alcance de poucos, quanto mais exótico melhor. São espaços abertos, imensos, demasiado amplos, sem horizonte à vista, cheios de gente aos encontrões, como migantes perdidos em busca de um chão. Andamos por ali, uns e outros, deambulando em scroll, todos conhecidos, todos atores de um teatro que não baixa nunca o pano. E sem espaço para parar, cansados, sem sermos ouvidos, percebemos que só precisamos de um pouco de silêncio. De abrir de novo a represa e...
Comentários