Porque, acima de tudo, é preciso mudar. Mentalidades mas, sobretudo, atitudes e atos.
Num país em que um Juiz absolve uma besta que rebenta o tímpano à mulher a poder de murros, muito há a mudar.
Num país em que a (inércia da) Justiça obriga mulheres vítimas de violência doméstica a tornarem-se prisioneiras com os filhos, em Casas-Abrigo a centenas de quilómetros de onde têm o seu Mundo todo, há algo que tem que mudar. Urgentemente.
Tem que mudar a aplicação da lei. A destreza da intervenção das forças de segurança, o peso das medidas de coação, a moldura penal para quem agride, violenta e mata outro ser humano, mais fraco. A forma como se desvaloriza a violência no seio do casamento, como se ignora que os filhos que a ela assistem serão, para sempre, adultos marcados e nunca "vítimas indiretas".
Nunca a promoção da igualdade de género foi uma Causa tão premente, como nos dias que correm. Num ano que começou com a morte de 11 mulheres, só no primeiro mês. Crimes com requintes de horror, que nos servem em horário nobre, com uma ligeireza que banalisa, quase torna "normal".
Precisamos mudar a forma como se encaram os agressores, homens - maioritariamente - que entendem a Mulher como um objeto que é seu, lhes pertence e do qual podem dispôr sem que ninguém os penalise. Que "se não for sua não é de mais ninguém". É esta premissa da posse que, desde logo, tem que mudar.
E a forma como se ensina às crianças de tenra idade que são iguais em direitos, não são melhores ou piores que a outra, superiores ou inferiores, fortes e fracos, cor-de-rosa ou azuis. A mudança começa aqui. Infelizmente, já não irá a tempo de evitar que uma bebé de 2 anos tenha terminado a sua curta existência às mãos de um pai assassino, sem nunca ter podido crescer e tornar-se menina e depois mulher. Não impedirá que milhares de mulheres neste país não tenham podido ser o que sonhavam, arquitetas, artistas, médicas, cientistas, Juizas, professoras, Primeiras-Ministras. Tenham sido, apenas, mais uma estatística, passada em rodapé num telejornal.
Mas será um passo para que outras, as que nessa escola serão educadas para crescer iguais aos seus parceiros homens, sobrevivam para essa nova sociedade que ajudarão a construir.
Mais justa. Mais fraterna. Mais humana.
(post SAPO Janeiro 06, 2025)
Longe da "exaltação" inicial da entrada na blogosfera, hoje, reduzo-me a um pequeno núcleo de blogues que me despertam interesse. Cada vez mais pequeno. Dispenso blogues sobre política, "noticiários" quase réplica dos restantes órgãos/meios de comunicação social. Não consulto os blogues de "colunáveis" da blogosfera pois por serem "de referência" despertam a minha veia "do contra" e, para além disso, vejo os seus autores noutros suportes a dizer as suas coisas, daí já não me apetecer ver o que dizem por esta via. Não tenho paciência para blogues quase só feitos de imagens, muito menos os que seguem à risca o mote "uma imagem vale mais que mil palavras". Para isso vou a sites de fotografia, que os há aos molhos, e escolho eu as fotos de que gosto. Cada vez menos me interessam as polémicas, os intensos debates sobre as opiniões/posições políticas e afins de uns quantos blogues opositores também tidos como "de referência...
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