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Mensagens

A mostrar mensagens de julho, 2011

Los poetas andaluces de ahora - Água Viva

Não dá

para viver com esqueletos nos armários. Abre-se a porta e eles ali, desconjuntados, um monte indistinto de tíbias, perónios e costelas, a desarrumação total, ossos secos a chocalhar, uma pessoa tenta de novo fechar a porta, esquecer que eles existem e nada, há sempre uma falange encravada no trinco, as mandíbulas a sorrir numa fileira de dentes alinhados, aqueles olhos vazios a mirar o amanhã que nunca há-de vir, uma clavícula enfiada na manga do nosso melhor casaco, não dá. Não dá. Esqueletos não se fizeram para viver dentro de armários de pessoa normais e vivas, ossos são para enterrar, sete palmos de terra e ao pó voltarás, admitindo-se, vá lá, que possam ser incinerados, forno crematório com eles e um momento lúdico de cinzas deitadas ao mar, lê-se um poema do Cesariny, uma música suave ouve-se no ar e bora  lá de volta para casa. Em alternativa, plantam-se as cinzas num jardim debaixo de uma oliveira e pronto. Esqueletos guardados dentro dos armários de quem ainda respira empa...

A malta percebe

que começa a precisar de terapia quando do nada, de súbito, um texto lido a meio do pequeno almoço se transforma num novelo na garganta, apertado, intransponível a tudo quanto não seja um miserável fio de ar... «E escrevi o teu nome e o teu número de telefone numa página da agenda do mês de Fevereiro. E, ao escrevê-lo, sabia que era uma despedida, mas todo o mês de Março nos arrastámos na despedida, como caranguejos na maré vazia. Sem ti, lancei outras raízes, construí pátios e terraços, fontes cujo som deveria apagar todos os silêncios, plantei um pomar com cheiro a damasco, mandei fazer um banco de cal à roda de uma árvore para olhar as estrelas do céu, um caminho no meio do olival por onde o luar pousaria à noite, abóbadas de tijolo imaginadas pelo mais sábio dos arquitectos e até teias de aranha suspensas no tecto, como se vigiassem a passagem do tempo. Nada disso tu viste, nada te contei, nada é teu. Sozinhos, eu e a aranha pendurada na sua teia, contemplámo-nos longamente, ...

Talking Heads - Heaven

Heaven by David Byrne

Ainda há Pérolas

na blogosfera... Esta tinha-a nos rascunhos, guardada há tempo, à espera da altura exacta para [re]nascer por aqui. Tomem-na. Há um poema. Um certo poema. Julgo-o feito a partir de memórias sedimentadas nas mais pequenas gavetas do teu coração. Assim como um guarda-jóias invisível, um estojo antigo, passado de mão em mão, na mesma família, por sucessivas gerações de mulheres. Há um poema. Um poema algures onde deixaste o pó das brincadeira da infância, os jogos, as cantigas, as lengalengas. Tudo aquilo que poderia sugerir um mundo organizado entre os sonhos e os seus resultados. Um mundo onde a ternura era uma janela a fechar o vento mais frio do Inverno desse tempo. Há um poema. Procuro-o nos teus gestos hoje mais comedidos e reservados, na tua voz onde se insinua a força das pausas, a grande nuvem cinzenta do tempo de hoje onde a tristeza fez a sua sementeira multiplicada. Há um poema. Deve haver mesmo esse poema num lugar que só tu sabes. Pode não ser ainda poema, pode não ter ai...

É

Verão e isto não está para os tristes. O blogue fez um brushing, mudou de visual, está fresquinho, alegre e colorido e aqui a Je não tarda irá fazer o memo, olarilolé.