Avançar para o conteúdo principal

Mensagens

A mostrar mensagens de junho, 2006

Traço

aqui um risco, curvo. Depois outro, mais curto, com uma ponta que vira ligeiramente para cima. Deixo correr o traço, à solta, em círculos como ondas pequenas de uma maré que, subitamente, começa a encher, a encher, até desaguar para um lado qualquer, que lhe consiga conter a fúria invasiva. Recosto-me para trás, um bocadinho afastada, para conseguir apreciar as palavras que escrevi. A seguir, recomeço do princípio, para nunca me esquecer de como se desenha a escrita.

Às 6 em ponto

aqui A massagem ayuvérdica, especificamente, trabalha muito o lado espiritual. "Ela busca atingir a kundalini, uma energia localizada na região do cóccix que, ao subir pela coluna, ativa os chacras dessa região", define Gopi. Não se trata de uma técnica suave. "É uma massagem preventiva profunda, lenta e que trabalha com o peso do corpo", descreve. São usados tanto os pés quanto as mãos para estimular determinados pontos do organismo. Parece-me uma boa opção para um final de dia de trabalho daqueles...
Damien Rice And so it is Just like you said it would be Há canções de amor com um sabor épico, a grandes batalhas e conquistas impossíveis. Ouvimo-las, como se o nosso corpo se lançasse para a frente, de sentidos álerta, para disputar um combate onde todos saem ganhadores ou perdedores. Depende do ponto de vista.

Ora cá está ele...

Todos os benditos anos, mais ou menos por esta altura, o meu feitiozinho do contra é submetido à mais dura prova que alguma vez tem conseguido suportar. A festa de final de ano É então que, feitio e amor maternal em plena batalha campal, sou obrigada a arrastar-me para o local do evento, antecipando, em agonia, as duas horas seguintes. A coisa começa umas semanas antes, com uma inocente alusão do rebento sobre a música que anda a ensaiar na flauta e não podes ouvir mãe, é surpresa . Uns dias (poucos!) depois, já todo o prédio cantarola a dita música, debaixo do chuveiro matinal, num reflexo condicionado de quem a ouve em repeat mode , de manhã, à hora do almoço, tarde e noite. A fase seguinte é a da vestimenta. Desengane-se que acha que os putos podem ir vestidos da maneira como é habitual. Ná. Há sempre uma docente que acha o máximo que as meninas vistam saia rodada de cetim em cores que reproduzam o arco-íris. Experimentassem chegar à véspera do acontecimento sem ter conseguido desco...

Discos pedidos

Há um rapazito a quem iniciei (salvo seja) na blogosfera, anos atrás. Sendo eu muuuuito mais velha que o próprio, há sempre aquela tendência maternal de ajudar a não cometer os mesmos erros que nós próprios cometemos por não termos tido assim um(a) amigo(a) mais velho(a), suficiente maluco para embarcar em coisas malucas como esta (leia-se, andar a despejar as nossas intimidades para uma folha online). E, em resposta, da parte dele existe a inevitabilidade de uma apreciação superior ao normal, de algumas coisas que eu produzo. Que sabe bem, claro, embora a gente diga que não e tal, que isto a modéstia é uma coisa muito bonita. Por isso, acedendo ao teu pedido, cá está o repost , puto . Sigo o vento Sigo-te o rasto, enquanto passeio por entre cada raio de sol que te toca.Enquanto respiro o ar frio da manhã, sem nunca saber onde estás. Sem te ver, ouço o teu riso, vejo-te o brilho no olhar, consigo imaginar do que falas, conheço a música que te emociona, sei o que tens na alma. Sigo-te o...

No

primeiríssimo blogue que comentei, anitos atrás e um dos meus preferidos desde sempre e até sempre A (des)propósito de Shakespeare "só ainda não percebi se esta coisa dos blogs nos aliviará as consultas de psiquiatria em geral se as de sono em particular" falando por mim, esta coisa dos blogs, serve-me o primeiro propósito que, graças aos deuses, soninho nunca me faltou.

A Dura Prova Anual

é o título do meu próximo post, que não é este. Tem lógica, se é o próximo, não é o actual. Parece-vos insanidade? Só ligeiramente, é que, desde ontem, ainda não recuperei totalmente as capacidades. Todas. As que derivam, directa ou indirectamente, dos impulsos produzidos nos centros motores do cérebro, lobo frontal e parietal numa bulha destrambelhada. Voltarei. suspense... Adenda: como se percebe, já não será o título do próximo post mas de qualquer outro que algures aparecerá, ao sabor das minhas moods inconstantes.

Chegar

ao fim de um dia, com a sensação de estar cumprido o papel que nos coube, neste cantinho de rocha à deriva pelo Universo.

Um parêntesis(zinho)

aqui Gosto de casas antigas , ocorre-me, distraidamente, enquanto contemplo um prato ricamente confeccionado mas que não irei consumir porque temperado com cicuta. Casas antigas , daquelas de paredes grossas e sólidas onde, apesar de todas as demãos de cal que, ao longo dos tempos, as vão cobrindo, nunca pára de verter a humidade inevitável das coisas vivas, sob a forma de sal. Saliva, lágrimas, salitre na parede de uma casa, tal qual o suor de um corpo que anoitece nos braços do seu amor... Gosto daquelas casas que resistem com altivez ao ataque dos séculos, não abanam um milímetro nas piores tempestades e fumigam de insecticida o bicho gorducho e pálido que lhes rói as entranhas das escadas de madeira. São casas com cataventos no topo das chaminés e guardam baús de relíquias empoeiradas, de tanto tempo esquecidas lá para o fundo do sótão. Algumas, perdem o brilho no momento em que os ocupantes não resistem ao apelo da modernidade, deitam abaixo as cantoneiras de pedra e forram de azu...

Não

é possível renegar a nossa natureza. Podemos camuflá-la, até acreditar firmemente que a abandonámos em prol de opções que cremos serem as melhores, as únicas nesse momento. Mas ela é como uma rolha de cortiça, afundada à força até ao mais fundo do mar. Mais coisa, menos coisa, volta.

Tenho

o peito preenchido de céu. No voo rasante dos sentidos, desenha-se o meu Norte. Há um porto que me abriga da borrasca, como o côncavo de uma rocha erodida pelas tormentas. Nessa baía de mar chão que é a amizade, é onde me acouto.
aqui

Dos finais (felizes)

Nesta cidadela virtual que é a blogosfera, não é difícil esquecermo-nos da verdadeira dimensão da nossa existência. Somos de carne e osso, vertemo-nos para este espaço sob a forma de palavras e, às tantas, quase nem distinguimos qualquer diferença entre o que somos na nossa vida normal e a personagem que encarnamos por aqui. De tanto confundirmos as coisas, convencemo-nos da nossa importância para os que nos lêem e formam de nós opinião, através do carácter que trancrevemos para os nossos textos. Esforçamo-nos por causar boa impressão, lógico. Consideramo-nos pessoas de bem e é isso que pretendemos que os outros nos considerem. Por isso reagimos tão mal quando nos tentam denegrir a imagem. Ainda mais, quando não reconhecemos aos outros a idoneidade requerida para tentarem pôr a nossa em causa. E, pior ainda, quando os outros se esquecem, eles próprios, que não a possuem. Não nos ficamos. Damos o troco que entendemos que merece o agressor. E damos, assim, azo a algumas das cenas menos e...

Dos currículos, competências e mais umas quantas minudências

e apelo à re-leitura da chamada de atenção sobre umbigos, lá para trás, eu bem aviso... Ao longo da vida e em circunstâncias tão diversificadas quanto fazer um exame, proferir uma palestra, saber ouvir um amigo, criar um filho, exercer uma profissão com dignidade, investir na formação e qualificação profissional, ser convidado para um cargo público, um programa de rádio ou escrever nos jornais ( não, a rádio não é da mesma cor política, poupem o argumento ), gerir pessoas, concretizar projectos na comunidade e tantas, tantas outras, somos chamados a provar o que valemos. Se somos daquelas pessoas com reduzida participação cívica ou política, pouco interventivas, com uma vida dedicada aos seus projectos pessoais e pouco ao convívio social, somos capazes de ter a sorte de passar despercebidos. Cumprimos o horáriozinho e voltamos ao remanso do lar para enfrentar o mundial com uma cerveja fresca numa mão e o comando da tv na outra. Ocasionalmente, até pegamos na mulher e nos putos e damos ...

Das Confissões e outros Paliativos

Diz-se, dos soldados que combatiam nos tempos em que a guerra não se fazia carregando num botão, que eram capazes de continuar a lutar por longo tempo, ainda que gravemente feridos, com membros decepados, enquanto durava a descarga de adrenalina a que estavam submetidos. É assim que nós, os que não temos sangue de lagarto, que somos leais a quem nos acompanha, que nos sentimos, como filhos de boa gente que somos, embarcamos no calor da querela, sem olhar para trás. Foi assim que aderi, entusiasta, com mais alguns amigos detentores de motivação comum, a um projecto com a finalidade de fazer alguém provar do próprio veneno. E por lá continuaria, não fora outro amigo, sábio, perguntar-me porque raio me dava ao trabalho. E insistia, incrédulo, se eu achava que alguma vez me podia comparar a tal gente. Que, de tão pobrezinha de espírito, descobriu ali o alimento de que precisa para ir sobrevivendo. Porque a única coisa que lhes resta é a auto-manipulação e de mais uns quantos incautos que a...

Da memória partilhada

7 de Março de 2001 Acho que o que mais lhe custou foi ver-se desmascarada. Que já não acreditávamos na sua personagem de menina sonsinha, vítima da difamação. "Se tens algum assunto mal resolvido, vai tratar disso" dito de frente, olhos nos olhos deixou-a sem reacção. Não esperava. O pior é que já não era só eu a saber, outros testemunharam o seu embuste desavergonhado. A embriaguês de querer ser superior levou-a a descurar o cuidado que sempre tivera até ali. E todos estão cá para o contar. Apenas não assistiu quem devia...mas o tempo se encarregou de pôr tudo no devido lugar. Ao sairmos da mesa e, mais tarde, noutras ocasiões em conjunto, comentávamos que não era possível tanta burrice à mistura com leviandade juntas. Desde esse dia, nunca mais me conseguiu enganar. E muitos chás de hortelã se passaram depois, entretanto apagados, vá-se lá saber porquê. Apesar disso, e também há quem o confirme, a minha boca não se abriu enquanto um vínculo mínimo de respeito se manteve. E ...

Do estilo

A mim, confesso, agrada-me mais o directo. Nada como chamar as vacas de vacas e os bois pelos nomes. A sensação de limpeza com que se fica depois de dizer o que apetece, de peito aberto e rosto erguido, é infinitamente melhor do que simulacros de recadinhos com imagenzinhas e analogiazinhas mal conseguidas. Não temer as consequências é apanágio daqueles que se orgulham do seu percurso de vida. Não é para todo/as.

Bem

aqui tá visto, então, terá que ser por partes . aviso à navegação: a série que se segue é descarada e assumidamente umbiguista e não interessa a ninguém, tendo como finalidade única aplacar a minha necessidade de auto-afirmação pessoal e repôr algumas coisitas nos devidos lugares...depois não digam que não avisei, caso insistam em não seguir de roda. adenda exclusiva para ignorantes: como não perceberam, óbvio, esclareço que a do aplacar necessidade de...e tal, era no sentido irónico. Tão a ver? Atingiram e tal? Não? Ah e podem fazer copy paste de tudo, como é costume.

aqui pessoas que, a única impressão que nos deixaram, foi a certeza que nos teriam enriquecido imenso se nunca tivéssemos tido o galo de se cruzarem no nosso caminho. Curiosamente, não deixa de ser giro verificar a importância que elas nos continuam a atribuir...
Drag ...que a música sempre disse tudo o que havia para dizer, muito para além das palavras. E esta música, em particular. (tentei colocar aqui o player mas esta coisa dá um erro esquisito...)
Bem...pronto, a sério, vá lá, é isto: há hábitos que nunca se perdem. Sujar o lavatório com pasta de dentes, puxar os lençóis todos enquanto se dorme, bem enroladinha que é para o parceiro não ter a mínima hipótese, ler até de madrugada ou então embirrar quando o outro o faça. Há dias de abrir a porta à solidão, como visita desejada. Há já algum tempo que preciso de um sítio qualquer para guardar os vernizes e a tralha de gaja que carrego comigo para todo o lado. Nada de mais, portanto. Só um T zerozito para aquelas coisas que, pela insanidade que acarretam, não me sinto bem em estender ao ar livre e prender muito bem presas com molas coloridas noutro lado qualquer. :-)
Pois agora vou andar por aqui de vez em quando porque, pensando bem não tenho nada que dar justificações coisa nenhuma, chiça! mania de arranjar uma explicação para tudo , sim.

É triste

ser-se um distraído do caraças. E constatar esta verdade insofismável quando, ao sair de casa com um calor de derreter, a tentar aproveitar o Sábado para fazer aquelas coisas que não se conseguem fazer nos alucinados dias úteis, se descobre que... ...é feriado.
Sítios que apetece visitar...
Foi assim desde sempre. Despeço-me de mordaças e amarras. Solto o cabelo, estendo as asas. Não me prendam, sou pertença do vento.
O nome. É mesmo o que quer dizer. Em oposição à premeditação das acções ou à produção de uma atitude para obter algo em troca. Sempre sem nó. E também sem rede, na maior parte das vezes.