e apelo à re-leitura da chamada de atenção sobre umbigos, lá para trás, eu bem aviso...
Ao longo da vida e em circunstâncias tão diversificadas quanto fazer um exame, proferir uma palestra, saber ouvir um amigo, criar um filho, exercer uma profissão com dignidade, investir na formação e qualificação profissional, ser convidado para um cargo público, um programa de rádio ou escrever nos jornais (não, a rádio não é da mesma cor política, poupem o argumento), gerir pessoas, concretizar projectos na comunidade e tantas, tantas outras, somos chamados a provar o que valemos.
Se somos daquelas pessoas com reduzida participação cívica ou política, pouco interventivas, com uma vida dedicada aos seus projectos pessoais e pouco ao convívio social, somos capazes de ter a sorte de passar despercebidos. Cumprimos o horáriozinho e voltamos ao remanso do lar para enfrentar o mundial com uma cerveja fresca numa mão e o comando da tv na outra. Ocasionalmente, até pegamos na mulher e nos putos e damos uma volta ali até ao litoral, oh luxo, para sentir o ar da maresia.
Encantados da vida, resta-nos rezar para que os não sei quantos por cento de doenças cardio-vasculares se concentrem todos nos andares do condomínio acima e abaixo do nosso.
Se temos o azar de, pelas nossas características pessoais, o percurso de vida desde a infância, a postura digna, a competência ou, simplesmente, o respeito que soubemos merecer, adquirir alguma visibilidade, tá tudo estragado. Ele é as insinuações de receber favores, ele é as acusações de prestar favores (decidam-se lá, pá!), ele é a crítica porque se faz, ele é o diz que disse porque não se faz, ele é, numa palavra, a inveja e o ressabiamento (afinal, foi em duas) de quem não é capaz do mesmo.
Tenho a sorte de já ter experimentado as duas versões. A invisibilidade e a ribalta. Tentei manter-me igual, consciente da efemeridade do poder, esforcei-me por ser justa no exercício das funções para as quais a população da minha cidade me elegeu. Nunca me desviei do que sempre considerei correcto, dos princípios que me ensinaram os pais que tive como modelo e exemplo a seguir. Habituei-me a ignorar a maledicência e ouvir a crítica. A corrigir erros e pedir desculpa. A defender convicções e não abdicar da razão quando a julgo ter.
Foram uma escola, estes últimos anos.
O crescimento pessoal devia tornar-nos imunes às manifestações de ódios e rancores, por parte daqueles que não sabem conviver com as suas próprias incapacidades. Infelizmente, não torna. E leva-nos a cometer excessos, às vezes os mesmos actos que abominamos nos outros.
No entanto, se algo me posso gabar de ter de bom (e, ao contrário do que pareça à vista mais desarmada, este texto todo não é nada, mas mesmo nada, a gabar-me...) é a capacidade de me auto-criticar, a sensatez de me reconhecer imperfeita e falível, orgulhosa demais, teimosa até ao extremo, impulsiva e emotiva em excesso. Mas também humilde, consciente das desigualdades, sensível às injustiças.
E é essa humildade que me faz gostar tanto de ser como sou. Uma mulher independentente e responsável pelos seus actos. Ciosa das suas escolhas, nos amigos como nos amores, mãe de dois filhos lindos e felizes.
É este o meu património, para quem queira ver. E que só devia importar-me a mim e aos que gostam de mim.
Ao longo da vida e em circunstâncias tão diversificadas quanto fazer um exame, proferir uma palestra, saber ouvir um amigo, criar um filho, exercer uma profissão com dignidade, investir na formação e qualificação profissional, ser convidado para um cargo público, um programa de rádio ou escrever nos jornais (não, a rádio não é da mesma cor política, poupem o argumento), gerir pessoas, concretizar projectos na comunidade e tantas, tantas outras, somos chamados a provar o que valemos.
Se somos daquelas pessoas com reduzida participação cívica ou política, pouco interventivas, com uma vida dedicada aos seus projectos pessoais e pouco ao convívio social, somos capazes de ter a sorte de passar despercebidos. Cumprimos o horáriozinho e voltamos ao remanso do lar para enfrentar o mundial com uma cerveja fresca numa mão e o comando da tv na outra. Ocasionalmente, até pegamos na mulher e nos putos e damos uma volta ali até ao litoral, oh luxo, para sentir o ar da maresia.
Encantados da vida, resta-nos rezar para que os não sei quantos por cento de doenças cardio-vasculares se concentrem todos nos andares do condomínio acima e abaixo do nosso.
Se temos o azar de, pelas nossas características pessoais, o percurso de vida desde a infância, a postura digna, a competência ou, simplesmente, o respeito que soubemos merecer, adquirir alguma visibilidade, tá tudo estragado. Ele é as insinuações de receber favores, ele é as acusações de prestar favores (decidam-se lá, pá!), ele é a crítica porque se faz, ele é o diz que disse porque não se faz, ele é, numa palavra, a inveja e o ressabiamento (afinal, foi em duas) de quem não é capaz do mesmo.
Tenho a sorte de já ter experimentado as duas versões. A invisibilidade e a ribalta. Tentei manter-me igual, consciente da efemeridade do poder, esforcei-me por ser justa no exercício das funções para as quais a população da minha cidade me elegeu. Nunca me desviei do que sempre considerei correcto, dos princípios que me ensinaram os pais que tive como modelo e exemplo a seguir. Habituei-me a ignorar a maledicência e ouvir a crítica. A corrigir erros e pedir desculpa. A defender convicções e não abdicar da razão quando a julgo ter.
Foram uma escola, estes últimos anos.
O crescimento pessoal devia tornar-nos imunes às manifestações de ódios e rancores, por parte daqueles que não sabem conviver com as suas próprias incapacidades. Infelizmente, não torna. E leva-nos a cometer excessos, às vezes os mesmos actos que abominamos nos outros.
No entanto, se algo me posso gabar de ter de bom (e, ao contrário do que pareça à vista mais desarmada, este texto todo não é nada, mas mesmo nada, a gabar-me...) é a capacidade de me auto-criticar, a sensatez de me reconhecer imperfeita e falível, orgulhosa demais, teimosa até ao extremo, impulsiva e emotiva em excesso. Mas também humilde, consciente das desigualdades, sensível às injustiças.
E é essa humildade que me faz gostar tanto de ser como sou. Uma mulher independentente e responsável pelos seus actos. Ciosa das suas escolhas, nos amigos como nos amores, mãe de dois filhos lindos e felizes.
É este o meu património, para quem queira ver. E que só devia importar-me a mim e aos que gostam de mim.