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Um parêntesis(zinho)

catavento
aqui

Gosto de casas antigas, ocorre-me, distraidamente, enquanto contemplo um prato ricamente confeccionado mas que não irei consumir porque temperado com cicuta. Casas antigas, daquelas de paredes grossas e sólidas onde, apesar de todas as demãos de cal que, ao longo dos tempos, as vão cobrindo, nunca pára de verter a humidade inevitável das coisas vivas, sob a forma de sal. Saliva, lágrimas, salitre na parede de uma casa, tal qual o suor de um corpo que anoitece nos braços do seu amor...
Gosto daquelas casas que resistem com altivez ao ataque dos séculos, não abanam um milímetro nas piores tempestades e fumigam de insecticida o bicho gorducho e pálido que lhes rói as entranhas das escadas de madeira.
São casas com cataventos no topo das chaminés e guardam baús de relíquias empoeiradas, de tanto tempo esquecidas lá para o fundo do sótão.
Algumas, perdem o brilho no momento em que os ocupantes não resistem ao apelo da modernidade, deitam abaixo as cantoneiras de pedra e forram de azulejos o que antes era motivo de orgulho para quem passava na vereda do caminho, ao longe.
Depois, ao invés de acolherem os amigos que não sabemos ainda quem são mas já sabemos que temos, enchem-nas de luzinhas de feira, cheiros de coirato frito e espectáculos de moulin rouge barato, com coristas decadentes a mostrar a perninha a dar a dar. Passam ao estatuto de condomínio barato, com problemas de canalização e vizinhas que jogam o lixo pelas escadas.
E a única coisa que guardam, recuperada de dentro dos baús, são marionetas de madeira, com olhos muito grandes e redondos e a pintura esborratada. Nunca gostei de marionetas. À primeira vista, até podem comover pela expressão de candura, os adereços com que se mascaram de personagens da vida real, o padeiro, a costureira, o polícia, a madame, a dona-de-casa, o artista louco na sua ilha que, durante a noite, produz as obras de arte para oferecer, pela fresquinha, aos olhos de quem espera por notícias suas, sentada na ponta do paredão mais próxima do mar que os liga.
Mas, às tantas, aquela voz de falsete, esganiçada porque sai de uma garganta que não a sua e que tenta disfarçá-la, na parte de trás da caixinha que lhe serve de palco, não convence.
São bonecos sem alma porque sem vida própria, desenham movimentos ao som da música que lhes tocam, sempre presos por cordéis, a representar as cenografias escritas por outros. Têm sempre pouca gente, os espectáculos de marionetas.
Pelo contrário, uma boa peça de teatro, representada por pessoas de carne e osso, com fraquezas e lágrimas e risos, arrasta multidões, em encores sucessivos e digressões por muitos sítios diferentes e bonitos.
Gosto de peças de teatro, inspiradas em vidas de verdade.
Qualquer dia escrevo sobre isso.

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Que tipo de leitores seremos?

Longe da "exaltação" inicial da entrada na blogosfera, hoje, reduzo-me a um pequeno núcleo de blogues que me despertam interesse. Cada vez mais pequeno. Dispenso blogues sobre política, "noticiários" quase réplica dos restantes órgãos/meios de comunicação social. Não consulto os blogues de "colunáveis" da blogosfera pois por serem "de referência" despertam a minha veia "do contra" e, para além disso, vejo os seus autores noutros suportes a dizer as suas coisas, daí já não me apetecer ver o que dizem por esta via. Não tenho paciência para blogues quase só feitos de imagens, muito menos os que seguem à risca o mote "uma imagem vale mais que mil palavras". Para isso vou a sites de fotografia, que os há aos molhos, e escolho eu as fotos de que gosto. Cada vez menos me interessam as polémicas, os intensos debates sobre as opiniões/posições políticas e afins de uns quantos blogues opositores também tidos como "de referência...

Esta coisa

nova eu eu descobri na minha mais recente mudança de template e que escarrapachei ali pró lado é muito útil! Eu, que apesar da minha teimosia e de aprender html à conta de muito queimar pestanas, nunca fui capaz de arranjar uma cena daquelas dos feeds ou rss's ou lá o que é e que serviria para me dizer quais os meus blogue(r)s favoritos que tinham acabado de publicar e quando. Nunca fiz a menor idéia de onde ir buscar tal coisa, se tinha que instalar software se não, se apenas teria que que aceder a um site tipo sitemeter, copiar códigos, sei lá, nunca descobri. Nem me esforcei muito, confesso. Apenas maldizia a minha sorte de cada vez que fazia mais uma ronda pelos favoritos e os descobria iguais, paraditos. Aparece agora esta funcionlidade, toda lindinha, no blogger que, diga-se em abono da verdade, tem feito algum esforço de modernização para se equiparar às outras plataformas teoricamente mais sofisticadas. E é ver, os meus favoritos todos ali ao lado, actualizados ao minuto. ...

Eu gosto

das artes. Juro. E da cultura de um modo geral. Gosto de ler bons livros, visitar museus, assistir a espectáculos de todo o tipo, admirar Bieniais de artes plásticas na Festa do Avante ou fora dela. Tenho os livros quase todos do Saramago, adoro a escrita do Zé Luis Peixoto. Encanto-me com a música dos corais alentejanos mas também sou capaz de ficar de olhar perdido no vazio a ouvir Muse e Pearl Jam. Palavra. Agora, abro a porra do Facebook e quase me nauseia ver hoje as publicações de malta que flutua alegremente numa nuvem fofa alheia de tudo quanto os rodeia, anunciando lançamentos de livros, fala de filmes e idas ao cinema, publicita iniciativas de qualidade mas que não reflectem a realidade do país em que vivemos HOJE. No dia de HOJE, depois daquela cambada de imbecis ter anunciado as linhas com que nos Governa. Desculpem lá o mau feitio* mas acho que HOJE qualquer cidadão responsável só tinha um único caminho, um dever: gritar bem alto a condenação a esta política , a este...