Diz-se, dos soldados que combatiam nos tempos em que a guerra não se fazia carregando num botão, que eram capazes de continuar a lutar por longo tempo, ainda que gravemente feridos, com membros decepados, enquanto durava a descarga de adrenalina a que estavam submetidos.
É assim que nós, os que não temos sangue de lagarto, que somos leais a quem nos acompanha, que nos sentimos, como filhos de boa gente que somos, embarcamos no calor da querela, sem olhar para trás.
Foi assim que aderi, entusiasta, com mais alguns amigos detentores de motivação comum, a um projecto com a finalidade de fazer alguém provar do próprio veneno.
E por lá continuaria, não fora outro amigo, sábio, perguntar-me porque raio me dava ao trabalho. E insistia, incrédulo, se eu achava que alguma vez me podia comparar a tal gente. Que, de tão pobrezinha de espírito, descobriu ali o alimento de que precisa para ir sobrevivendo. Porque a única coisa que lhes resta é a auto-manipulação e de mais uns quantos incautos que ainda não lhes descobriram as manhas (lá chegarão).
Foi apenas nessa altura que percebi.
Como se, repentinamente, a consciência do ferimento me tivesse atingido e, olhando estupefacta para as minhas mãos amputadas, tivesse tombado, alheia ao estrépito da batalha, para entrar numa outra dimensão, toda branca e impoluta, já sem ruído ou sangue algum, apenas um leve odor a éter.
Sou tão, mas tão melhor que eles. É que, no fim, sou dos que sobrevive. E se levanta.
É assim que nós, os que não temos sangue de lagarto, que somos leais a quem nos acompanha, que nos sentimos, como filhos de boa gente que somos, embarcamos no calor da querela, sem olhar para trás.
Foi assim que aderi, entusiasta, com mais alguns amigos detentores de motivação comum, a um projecto com a finalidade de fazer alguém provar do próprio veneno.
E por lá continuaria, não fora outro amigo, sábio, perguntar-me porque raio me dava ao trabalho. E insistia, incrédulo, se eu achava que alguma vez me podia comparar a tal gente. Que, de tão pobrezinha de espírito, descobriu ali o alimento de que precisa para ir sobrevivendo. Porque a única coisa que lhes resta é a auto-manipulação e de mais uns quantos incautos que ainda não lhes descobriram as manhas (lá chegarão).
Foi apenas nessa altura que percebi.
Como se, repentinamente, a consciência do ferimento me tivesse atingido e, olhando estupefacta para as minhas mãos amputadas, tivesse tombado, alheia ao estrépito da batalha, para entrar numa outra dimensão, toda branca e impoluta, já sem ruído ou sangue algum, apenas um leve odor a éter.
Sou tão, mas tão melhor que eles. É que, no fim, sou dos que sobrevive. E se levanta.