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Mensagens

A mostrar mensagens de outubro, 2006

É isto o Outono?

daqui Começa o tempo de hibernar sem que quase se tenha dado pelo que foi de renascer. A noite chega mais cedo, sem ser de mansinho, antes abrupta, cortina escura que cai sobre as casas, o rodopio dos carros nas últimas compras, os corpos que ainda não se sentem cansados porque não têm dentro relógio e, para eles, a noite ainda não é noite mas sim à tardinha. Que utilidade dar aos restos de energia que, até há pouco tempo, guardávamos para o café do fim da tarde, os passeios pelas ruelas a ver montras, as saídas até ao campo para cheirar as terras e as flores silvestres e assistir ao pôr-de-sol? É demasiado cedo ainda, para hibernar debaixo de uma manta defronte à tv. E tarde demais para ver o pôr-do-sol. Se não tivesse amarras, colocava as minhas asas de anjo e atravessava o oceano até um país onde o sol se põe enquanto molhamos os pés na espuma morna e a noite não é escura porque está à pressa para ir cobrir outro lugar qualquer longe dali e é por isso que as madrugadas nascem cedo e...

Eu acendi

a nº 852,982 . E vocês?

Recado

Caro Shark : Pelo presente informo que, após várias tentativas de comentar no teu tasco, o gajo responde isto: "Erro na submissão de comentário O seu comentário falhou pelas seguintes razões: Comments are not allowed on this entry." A tal "entry" é a das fotos alentejanas que até tem a caixa de comentários aberta e portantes não se percebe lá muito bem porque é que o gajo acha que os mesmos estão "not allowed". A ver mas é se se entendem duma vez que a malta quer comentar, cumprimentos e abraços e tal. Ass: Mar

Foi engraçado

Foto: Mar (clicar para ampliar) Ela é a neta do moleiro e naquele dia fez um discurso sentido, que eu aqui referi. Devemos ter-nos cruzado apenas uma ou duas vezes durante a festa e não fomos apresentadas. Mais tarde, ela descobriu as fotos que publiquei no Ponto e enviou-me um mail curiosa sobre quem tinha estado lá e feito aquelas fotografias. Eu enviei-lhe as restantes e descobri que ela escreve as Cartas do Seu Moinho . É bonita a blogosfera, quando serve para isto :-)

Debato-me

com um grave problema "técnico" na questão da postagem: - todos os posts que escrevo mentalmente enquanto conduzo, estaciono e subo as escadas de casa, são completamente bloqueados pela presença contínua de vírus de nome pré-adolescente-ocupando-em-regime-de-permanência-o-único-pc-disponível-nesta-casa-de-família. Corro os anti-vírus todos, desde a ameaça, à chantagem (confesso, pronto, crucifiquem-me à vontade), passando pelos berros em abordagem final e já desesperada perante o insucesso de todas as anteriores. E... nada. Pelo menos até acabar a missão não sei das quantas no Run ou completar o nível não sei que mais no Lineage , ou acabar só mais um bocadinho a conversa com a miuda gira que aparece na foto do Messenger... Já pensei contactar o Blogger a expôr o problema.

Mais uma

campanha a que não podia deixar de me associar. Desta vez foi uma Campanha de Sensibilização para o Cancro da Mama , designada Mamatour 2006 , com o lema "Dou mais tempo à vida". Organizada pela Liga Portuguesa contra o Cancro, o Movimento Vencer e Viver e a Sociedade Portuguesa de Senologia, contou com a colaboração das Câmaras Municipais para pôr "Portugal a caminhar contra o cancro da mama". Às 11 em ponto da manhã em simultâneo, em todas as capitais de distrito do país (segundo o folheto só Braga e Faro não participaram), algumas centenas de pessoas , homens e mulheres de todas as idades, uniram-se no sentido de lembrar a importância da detecção precoce na luta contra o cancro da mama. Para contrariar a crueza dos números. (uma em cada dez mulheres irá desenvolver esta patologia ao longo da sua vida). Em Beja foi assim: (e só foi pena a máquina e a fotógrafa não estarem nas melhores condições...)

Nem podia

daqui deixar passar em branco a gentileza da susete no Charco , ao alertar-me para a divulgação deste blogue , nem muito menos deixar de, aqui no meu canto, afirmar a minha convicção absoluta de que o caminho é o SIM (outra vez). Embora este post desmistifique por completo a necessidade da realização de um referendo para o efeito e denuncie a hipocrisia dos senhores governantes quando o propõem ao invés de legislar, de uma vez por todas, sobre o assunto, tal como é competência directa da Assembleia da República.

Que tipo

de escrevinhadores * seremos? Ando há tempos para dar sequência a um outro post em que refletia sobre os vários tipos de leitores que poderíamos ser, nesta comunidade virtual. O reverso da medalha de quem lê é quem escreve. E nem todos escrevemos para o mesmo ou pelo mesmo. Como não sou psicanalista, psicóloga ou coisa que o valha, não tenho nenhuma autoridade científica para analisar as motivações de cada um. Por isso mesmo, nem vale a pena continuarem a ler (se é que o fazem...) se estiverem à espera de um tratado sobre a alma humana no momento em que se debate com um teclado nas unhas. Aliás, isto leva-nos directamente para o tipo de escriba que eu sou. Escrevo para mim, sobretudo. O que me dá na bolha, quando me apetece. Quando não me apetece ou, embora me apetecendo não tenho como alcançar um computador num raio de menos de um quilómetro, não escrevo. O que se nota, aliás. Mas é engraçado dizer isto agora, para mim própria, claro, porque houve um tempo em que assim não era. Com...

Excertos*

aqui ** "Tu dizes que ela se deitou nas ervas em cima de umas sacas velhas e que sentiste os seus peitos nas tuas mãos, como se fossem frutos a medrar ao sol, o sabor acariciante dos seus lábios molhados a roçarem os teus, o abismo negro dos seus olhos a entrar dentro de ti.Tu dizes que o cheiro das ervas e do corpo dela se misturavam num perfume inebriante. Dizes que ela chorava de mansinho e te abraçou com muita força. Ela diz que te perguntou onde estava a mãe e que tu já não a ouviste pois crescias dentro dela. Tu lembras-te de a ver nua, tremendo de frio, de loucura ou de desejo. Ela diz que não era frio, nem loucura, nem desejo. Era medo. Medo de te perder." * de O Perfumista, já aqui anunciado, para que possam saborear um pouco do "cheiro" deste romance. ** o aroma do benjoim é uma das pedras basilares que percorre todo o romance, eis a sua flor.

Há vezes

aqui em que o peso de uma palavra pode ser tremendo. Afirmações proferidas sem pensar, no calor de uma discussão, libelos acusatórios lançados ao ar, por entre mágoas que se gritam para que possam sair de nós e que assim fiquemos mais leves. São palavras-arma, apontadas ao inimigo com precisão de mira telescópica, mesmo que saiam de nós no meio de uma avalanche de inconsciência. São sistemas complicados de defesa, dignos da mais avançada estratégia de guerra, montados no nosso peito, ocultos com uma rede de camuflagem em tons verde escuro e claro para que nem nós próprios os detectemos. E eis que, ao defendermo-nos, atacamos. Legítima defesa, poder-se-á alegar visto que algo, antes, desencadeou o nosso ataque. A necessidade de nos protegermos, de exorcizar os males que nos tomaram de assalto sem nos dar sequer tempo de reagir. Legítima defesa para os afugentar para longe, antes que nos consumam por dentro até já nada restar senão uma pele seca a cobrir um montão de ossadas inúteis. E a...

Relatos da minha terra

Não trocava, facilmente, a vida que tenho nesta cidade por uma noutro lado qualquer. E repare-se que substituo "por nada neste mundo", por um advérbio de modo muito mais suave, como o "facilmente" porque, para além de não me considerar fundamentalista em nenhuma matéria, claro que não desdenharia uma proposta de me mudar para uma mansão nas Ilhas Fidji ou algo do género... Mas o que eu queria dizer é que, às vezes, acontecem coisas que nos fazem tomar consciência do felizardos que somos, apesar dos pesares . Viver numa cidade pequena do interior tem as desvantagens óbvias, gritantes, que toda a gente conhece, em particular os que nelas vivem, em qualquer que seja a latitude do país. Toda a gente sabe quem somos, o que fazemos/não fazemos e ainda o que inventam que fazemos, não se consegue estar numa esplanada a ler o jornal sem ser interrompido um mínimo de 5 vezes e um máximo de 15, cortam-nos na casaca, pedem-nos favores, enfim, uma festa. Mas fiquei na parte dos ...

Quando acontece...

* ...esperamos para ver. *esta cena foi gamada a partir de um site do blogue FazdeConta e é fixe para criar umas piadas giras. Quando estamos naquele espírito zen em que só apetece dizer parvoeiras.

É difícil

... Adormeceu e sonhou uma noite, e nessa noite havia um homem que corria com o sol nas mãos. O sol luzindo nas mãos de um homem nu, a correr dentro da noite. Para onde ele corria, o dia nascia e refulgia em todas as coisas. Atrás do homem, a noite ia-se fechando e a sua sombra projectava-se, gigantesca, na terra anoitecida; e a fronte do homem, o peito e as mãos pareciam fogo. Um fogo luminoso. E ele corria na noite assombrada e os seus passos a pisar as ervas pareciam águas rumorosas caindo num abismo. E uma aragem florescia nos canaviais, nos mais altos ramos das árvores e num jardim de limoeiros. Uma aragem florescia em tudo o que o sol que o homem levava nas suas mãos ia iluminando. ... falar dos amigos. Porque corremos o risco de não conseguir ser isentos quando os elogiamos. E de sermos rigososos demais sempre que os criticamos ou julgamos atitudes suas que, mesmo por virem de um amigo, consideramos abaixo do grau de exigência devida: o mesmo é dizer, a excelência. Não é fácil d...

Filosofia de Alcova

No Amor, as avaliações são como uma montanha-russa: tão depressa te colocam lá nos píncaros, ser encantado de cabelos de oiro esvoaçante a razar o azul do céu, como te atiram sem contemplações para o fundo, boneco de trapos a morder o pó da feira, quase para baixo dos carris, onde se acumulam embalagens vazias, guardanapos sujos, copos de plástico e cócó de cão. Adenda pós-post (a vermelho): adoro quando a minha legião de fãs - a nº1 e a nº 2 - se inspira em mim para conseguir escrever qualquer coisita...

Hoje

presenciei uma mostra de História ao vivo. O convite dizia que era para "assistir ao armar das velas do Moinho Grande". Um momento único, considerando que há várias décadas que o moinho não funcionava e a sua recuperação, por parte da família proprietária foi difícil, morosa e, sobretudo, custosa. Mas o que vi foi a história e as memórias das muitas gerações que ali se cruzaram hoje, umas em carne e osso, outras no espírito de quem as recorda com carinho. Aliada à beleza do local, esteve a beleza do reencontro da família, a beleza de ver em funcionamento um complicado e engenhoso sistema de moagem, que era accionado por um homem só. O moleiro. Este moinho é grande porque guarda a memória de muita gente , foram as palavras de uma das descendentes da família, que nos convidou a guardar ali, também nós, um bocadinho da história da nossa vida. Quando o meu olhar pousou nas velas enfim desfraldadas, tenho a certeza que por lá ficou um bocadinho de mim.

Harmonia

aqui Algures, existe a paz. A perfeita harmonia entre os elementos e o nosso corpo. O mar de inverno parece-me ser um bom local para começar a procurar.

Entresonhos

aqui Resisto, quase sempre, a sair daquele limbo que nos separa o sono da vigília. É nessa hora de formas indefinidas, metade penumbra metade luz a querer desafiar a retina, que sou mais livre. Quando o sonho ainda não se esfumou por completo embora já não deixe de ter laivos de realidade misturados. Na semiconsciência é quando sei melhor o que sou e o que idealizo ser. Possuo, nessa altura, uma casa de pedra escura, antiga, com uma cerca de madeira à volta. Visto-me de branco, de seda esvoaçante, etérea e passo a maior parte do tempo descalça na relva. Tenho, muitas vezes, uma caneca fumegante na mão e há alguém que vem, de mansinho, pousar-me uma manta nos ombros. Talvez seja para me proteger dos salpicos de mar que me humedecem a face, à medida que as ondas se esmagam contra a falésia. Ou apenas porque isso lhe dá a oportunidade de me abraçar e aconchegar a si, para assim melhor poder aspirar-me o perfume dos cabelos. É possível que nos recolhamos depois, para o interior da casa, um...