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Adormeceu e sonhou uma noite, e nessa noite havia um homem que corria com o sol nas mãos. O sol luzindo nas mãos de um homem nu, a correr dentro da noite. Para onde ele corria, o dia nascia e refulgia em todas as coisas. Atrás do homem, a noite ia-se fechando e a sua sombra projectava-se, gigantesca, na terra anoitecida; e a fronte do homem, o peito e as mãos pareciam fogo. Um fogo luminoso. E ele corria na noite assombrada e os seus passos a pisar as ervas pareciam águas rumorosas caindo num abismo. E uma aragem florescia nos canaviais, nos mais altos ramos das árvores e num jardim de limoeiros. Uma aragem florescia em tudo o que o sol que o homem levava nas suas mãos ia iluminando. ...
falar dos amigos.
Porque corremos o risco de não conseguir ser isentos quando os elogiamos. E de sermos rigososos demais sempre que os criticamos ou julgamos atitudes suas que, mesmo por virem de um amigo, consideramos abaixo do grau de exigência devida: o mesmo é dizer, a excelência. Não é fácil de falar de um amigo como o Joaquim Figueira Mestre. Do seu (mau) feitio muito particular, do gosto pelas coisas simples e sofisticadas da vida, da sua irrequietude, da visão inquietante que tem das relações entre os homens.
Mas falar do escritor revela-se, supreendentemente, uma tarefa simples. Das crónicas históricas que compuseram o seu "Beja-olhares sobre a cidade" ao "Livro do Esquecimento" em que ensaia contos do fantástico, passando pela "Cega da Casa do Boiro" e a sua história de sonhos, prodígios e espanto, para chegarmos a este "O Perfumista". Hoje. O dia em que será lançado com a apresentação de Urbano Tavares Rodrigues, seu amigo de longa data.
O Perfumista, de onde retirei o curto excerto colocado mais acima. Para mim, que não sou crítica literária, com a isenção possível, o seu romance de consagração.
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