Despedi-me das pedras, uma por uma. Passei devagar a palma da minha mão pela sua pele gasta, senti-lhes o calor, encostei o peito à sua altivez secular e podia jurar que lhes ouvi, batendo, um coração. Era um som suave, feito de risos e histórias, do tilintar dos copos, tinha vozes profundas cantando uma música antiga, um violino e um piano, o bater dos pés no chão e um refrão dolente, dentro das tuas muralhas há uma rosa a quem quero bem. Era o som da amizade e duas mãos dadas, de um brinde ao futuro, da esperança, tinha dentro a memória de um olhar a derreter o peito e um abraço que em tempos foi a minha casa. Despedi-me, sabendo que ali se fechava a última página da história que, ali mesmo começara. Despedi-me devagar. Das pedras e das estrelas, do espaço, dos sons e dos sonhos que um dia, não muito distante, chegaram a ser uma realidade. A minha, a nossa. Despedi-me das lembranças felizes, empacotei-as à força em caixas de segredos que talvez volte a abrir da...