Vieste como um fogo de Verão, daqueles que tudo consome, que não conhece travão. Foste um incêndio que segue o seu caminho por mais esforços que sejam feitos para o conter, que só se extingue por si, de livre vontade, sem hora marcada. Vieste e eu não te disse que não, como se um campo de girassol desde sempre à espera desse teu calor. Vieste sem avisar, da mesma forma como decidiste amainar, talvez por força do vento que de repente se foi ou de alguma chuva extemporânea que matou as últimas fagulhas. E, no rescaldo, o que resta são pedaços fumegantes de memórias, um monte indistinto de dias vividos ao extremo, escombros de semanas que se assemelharam a anos e que, talvez por isso, pouco deixaram por descobrir, depressa cansaram. Cedo demais. Hoje, talvez tenhas partido ao ataque noutras frentes e aqui, nesta terra marcada em que os reacendimentos escasseiam, é hora de começar a reconstrução.