gosto de me lembrar do que era capaz de escrever. Resisto, quase sempre, a sair daquele limbo que nos separa o sono da vigília. É nessa hora de formas indefinidas, metade penumbra metade luz a querer desafiar a retina, que sou mais livre. Quando o sonho ainda não se esfumou por completo embora já não deixe de ter laivos de realidade misturados. Na semiconsciência é quando sei melhor o que sou e o que idealizo ser. Possuo, nessa altura, uma casa de pedra escura, antiga, com uma cerca de madeira à volta. Visto-me de branco, de seda esvoaçante, etérea e passo a maior parte do tempo descalça na relva. Tenho, muitas vezes, uma caneca fumegante na mão e há alguém que vem, de mansinho, pousar-me uma manta nos ombros. Talvez seja para me proteger dos salpicos de mar que me humedecem a face, à medida que as ondas se esmagam contra a falésia. Ou apenas porque isso lhe dá a oportunidade de me abraçar e aconchegar a si, para assim melhor poder aspirar-me o perfume dos cabelos. É possível que nos r...