dos laços e da roupa. Empacotou meticulosamente camisas, gravatas, pares de peúgas desirmanados, alguns papéis velhos. Soltou o cabelo enquanto conferia, no pedaço de espelho que restara, a maciez da pele e o risco perfeito sobre os olhos. Preto.
Desfiou lembranças como contas de um rosário, enquanto destecia devagar os fios que a ligavam a cada canto da casa, aqui uma pequena caixa de marfim, logo ali um resto de perfume no fundo de um frasco de cristal, um lenço de seda vermelha. Apagou-os um por um dos momentos em que haviam passado a existir ali, rasurou a História com um pingo de corrector e uma caixa de cartão onde sobrou espaço.
Regou a planta no parapeito da janela da cozinha e recolheu os últimos vestígios do gato, também ele ausente. Depois sorriu.
Fechou a porta com duas voltas na chave e pendurou o letreiro na varanda das escadas. "Vende-se". À melhor proposta.
...
Entrou no recinto guardado por dois anjos, um de cada lado do portão de ferro forjado. Testou a solidez das trancas no interior e abandonou a mão numa carícia, ao longo da parede coberta por um rosa intenso. A buganvília seria a sua primeira cúmplice. Mais o pequeno lago com peixes dourados.
Regou a planta no parapeito da janela da cozinha e recolheu os últimos vestígios do gato, também ele ausente. Depois sorriu.
Fechou a porta com duas voltas na chave e pendurou o letreiro na varanda das escadas. "Vende-se". À melhor proposta.
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Entrou no recinto guardado por dois anjos, um de cada lado do portão de ferro forjado. Testou a solidez das trancas no interior e abandonou a mão numa carícia, ao longo da parede coberta por um rosa intenso. A buganvília seria a sua primeira cúmplice. Mais o pequeno lago com peixes dourados.
O cheiro da casa atingiu-a com violência. Madeiras, um leve travo a sândalo e baunilha, azinho queimado, citrinos num cesto sobre a grande mesa da cozinha. Avivou o lume da noite anterior, a partir de umas quantas brasas incandescentes sob as cinzas.
Encheu a casa de velas. Brancas. E colocou a água do banho a correr. Depois, escolheu uma das garrafas poeirentas que espreitavam de um recanto da parede da cozinha. E abriu-a, respirando fundo como que a incentivar o vinho a que fizesse o mesmo.
Quanto o sino da entrada enfim tocou, já o calor se espalhara pela casa. E não só.
Encheu a casa de velas. Brancas. E colocou a água do banho a correr. Depois, escolheu uma das garrafas poeirentas que espreitavam de um recanto da parede da cozinha. E abriu-a, respirando fundo como que a incentivar o vinho a que fizesse o mesmo.
Quanto o sino da entrada enfim tocou, já o calor se espalhara pela casa. E não só.
Comentários
Quanto ao post, um pedacinho de um conto creio eu, abre-nos o apetite para quando lançares um livro. Quando é?
Logo cá venho explicar-te.
Fico feliz com a ttua observação, é sinal que consigo juntar expressões ortográficas e gramaticais sem erros mas nada mais que isso.
Um beijinho