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Quando nos deparamos

à saída do supermercado - onde acabámos de deixar quase o equivalente à reforma mínima do regime geral de uns velhotes nossos conhecidos e de onde saímos "ajoujados" (isto existe?) de sacos de compras de onde espreitam, entre outros, uns acepites de cor alaranjada e com um rabinho a culminar uma data de patinhas - com um puto de olhos perdidos, pouco mais velho que aquele que temos lá em casa e que nos pede uma moedinha "para comer qualquer coisa", o que fazer????
Respostas possíveis:
1. Responder entredentes que fiquei sem trocos.
2. Parar e ter uma longa conversa pedagógica com o rapaz, a qual será coroada de êxito, culminando com o seu internamento voluntário num Centro qualquer com um nome comprido.
3. Praguejar contra a sociedade e mais o Governo e ainda os malditos pais ausentes e também o Sócrates (porque tem sempre culpa, de seja o que for)
4. Praguejar ainda mais contra os barões da droga e os filhos da puta dos traficantes e os países produtores em geral.
5. Sacar de uma nota de 5 euros e meter-lhe na mão resmungando que espero que seja mesmo para comer.
6. Ainda assim, ficar deprimido.
Aceito contributos que me digam se a minha escolha das opções 5 e 6 foi assim muito errada.

Comentários

Anónimo disse…
Não, não acho que tenha sido.
Mar disse…
Não havia muito mais a fazer, não é, ciranda? E é esse sentimento de impotência que me lixa...
cereja disse…
Não devias ter tempo, calculo, mas havia uma 7ª hipótese: acompanhá-lo ao sítio onde ele pudesse comer e pagar lá a refeição, enquanto conversavas um pouco para ver a viabilidade da hipótese 2.
Mas isto digo eu, que também nunca o fiz...
Mar disse…
Não tinha Emiéle (nunca temos..) porque eram quase 8 da noite e tinha gente em casa à espera de mim, com falta de mim. Há sempre uma justificação (para não dizer desculpa) para não conseguirmos fazer o que achamos que é certo fazer. E daí o ponto 6..
Mas a quetsão de fundo é, para mim: até que ponto, fazendo isso, conseguiremos individualmente contribuir para a mudança efectiva? Será que esse gesto levaria, de facto, ao ponto 2? Será que não serviria paenas para aplacar a nossa consciência, numa tentativa de evitar o ponto 6? Nem sei se é assim que se deve agir para obter a mudança, a inversão do sentido da vida destas pessoas, não tenho formação para tal. Será que há uma fórmula que venha apermitir a erradicação deste mal? São todas estas reflexões que faço, continuo a fazer, a cada indicação de estacionar o carro "aqui" ou "ali"...e continuo sem respostas.
Mar disse…
(parece que estou disléxica..."paenas"???)

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