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Mensagens

A mostrar mensagens de janeiro, 2011

Nem sempre

o que parece é. o que é, parece. o que gostaríamos que fosse, existe. o que temos é o que gostaríamos de ter. os outros têm o que gostariam. e isso inclui-nos a nós próprios. O cabrão do mundo anda todo trocado.

Desvendamos as pessoas

devagar, como quem folheia um livro ou desdobra, folha a folha de celofane colorido, com cautela, um presente minuciosamente embrulhado. Por vezes apetece rasgar tudo de repente, expôr ao nosso olhar sôfrego o interior crú de quem nos interessa mais que tudo. Abrir fundo o coração de quem, para nós, é aurícula e ventrículo e sangue venoso e arterial, que nos enche o cérebro e o peito de oxigénio e suspiros. Enterrar as mãos, até aos cotovelos, nesse lago morno de sistemas circulatório e respiratório e bombear a nossa paixão directamente nas veias desse que, para nós, é ar e chão e alimento, esse sem o qual definhamos e mirramos e perdemos o Norte e mais valia que deixássemos de existir. Mas não. Continuamos a decifrar, com cuidado, aquilo que mais queremos e tememos conhecer. Procuramos sentidos e entrelinhas, perseguimos finais felizes, a moral da estória para dela retirar lições, aquelas que nos mudam e aproximam ou ensinam, da próxima vez, a não cair no abismo da interpretação e...

Numa das poucas

mensagens que enviei no dia 31 de Dezembro dizia que este foi, talvez, um dos piores anos da minha vida. Mas trouxe-me dos momentos mais felizes que já vivi. Era isto que dizia o texto, assim, ipsis verbis , preto no branco, contradição por cima de contradição, fazendo jus ao que tenho em mim de tão normal que já não espanta ninguém, esta estranha forma de olhar o mundo, quase sempre do contra, sabendo exactamente o que não quero mas com sérias dúvidas sobre o que continuo a perseguir para um dia saber que cheguei finalmente a casa. O texto dizia isto e falava desses momentos em que fui feliz e lembrava-os devagarinho, como quem saboreia um doce e o deixa derreter na boca esperando que nunca acabe. Falava de Amizade, de magia, de noites intermináveis e de Família, de risos e calor. Falava de saúde, de vida e de garra para as lutas. E a mensagem dizia tudo isto a quem foi directamente responsável por quase todos alguns desses momentos, numa despedida breve...