há-de chegar, prometo que sim, talvez quando já ninguém o espere, como uma revelação ou milagre, ao entardecer depois do pó dos caminhos assentar debaixo das chuvas, se calhar quando o sol romper - como sempre - o nevoeiro. Um dia.
Um dia vai chegar e será esse que vamos chamar de primeiro e depois desse o seguinte e os outros que hão-de vir.
E as respostas que hoje nos faltam vão ser tantas que serão escritos compêndios e publicados ensaios e produzir palestras e teorias de que o Universo gira em torno das pessoas que nascem diferentes, carregando uma luz mais brilhante que as outras.
Um dia virá, em que a corrida de memória em memória chega por fim à meta final e a manhã nos vai trazer só o cante dos pássaros e o aroma da esteva.
Não será ainda hoje.(mas chegará)
melhor na sombra. Em busca de um pouco de silêncio, volto a esta velha casa, tantos anos ponto de encontro de anónimos, sem amarras, sem nós. É dificil escrever sobre o medo num local onde se reúnem filhos, irmãos, amigos com rosto, uns mais outros menos, quase nenhuns verdadeiros, quase todos voyers àvidos de vidas que não sejam a sua, sobretudo se houver sangue. Sao salas ruidosas e cheias de tudo, música em loop, filmes da vida real e muita ficção, conversas cruzadas de quem só pede um pouco de atenção, imagens de mundos ao alcance de poucos, quanto mais exótico melhor. São espaços abertos, imensos, demasiado amplos, sem horizonte à vista, cheios de gente aos encontrões, como migantes perdidos em busca de um chão. Andamos por ali, uns e outros, deambulando em scroll, todos conhecidos, todos atores de um teatro que não baixa nunca o pano. E sem espaço para parar, cansados, sem sermos ouvidos, percebemos que só precisamos de um pouco de silêncio. De abrir de novo a represa e...
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