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Faço-me de forte

e sorrio.
Disfarço a mágoa, o sabor a pouco, a certeza do desperdício e digo que sim que está tudo bem, que a vida é bela. E é-o, de facto.
Faço de conta que não sinto a falta, que estar longe é o que de menos importa, que não imagino por onde pousa o olhar mais bonito que tive ocasião de conhecer.
Faço-me de forte e é isso que importa, a vida não está feita para os fracos para os que se consomem de tristeza, para os que não dão a volta por cima. A vida é efémera e feita apenas para os que a sabem absorver sem desperdícios, uma reciclagem constante de emoções até que dê, até que sim.
Faço-me de forte, rio muito, riem-se comigo, admiram o brilho no olhar  sem saber que se deve ao rio contido lá por trás e ninguém percebe como tenho saudades tuas.

Comentários

Susete Evaristo disse…
Não disfarças assim tão bem
Mar disse…
Oh susete.. não? mas tem que ser. Vou esforçar-me mais.
XICA disse…
Pra quê amiga? E pra quem? Se o que sentes persiste dentro de ti. Aqui estamos nós mulheres, a dar o abraço da solidariedade, da amizade e da cumplicidade.
XICA disse…
Pra quê e porquê se isso não arranca de dentro de ti estes sentimentos? Mar, que dizer-te que possa minorar a dor e a tristeza, senão dar aquele abraço forte de amizade, solidariedade e cumplicidade.
Mar disse…
E esse abraço é recebido com carinho, com um sabor bom de quente que só a amizade verdadeira proporciona.
Mas para te responder, para quê amiga, porque tem que ser. Porque não se pode dar parte de fraca, porque o orgulho é maior que a tristeza. Porque os sentimentos permanecem sim mas engolidos. E só se quem os determina se der conta, se os perceber ainda que eles não estejam expostos e se os quiser eles aí sim, florescerão à vista do mundo.

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