Todos os benditos anos, mais ou menos por esta altura, o meu feitiozinho do contra é submetido à mais dura prova que alguma vez tem conseguido suportar.
A festa de final de ano
É então que, feitio e amor maternal em plena batalha campal, sou obrigada a arrastar-me para o local do evento, antecipando, em agonia, as duas horas seguintes.
A coisa começa umas semanas antes, com uma inocente alusão do rebento sobre a música que anda a ensaiar na flauta e não podes ouvir mãe, é surpresa. Uns dias (poucos!) depois, já todo o prédio cantarola a dita música, debaixo do chuveiro matinal, num reflexo condicionado de quem a ouve em repeat mode, de manhã, à hora do almoço, tarde e noite. A fase seguinte é a da vestimenta. Desengane-se que acha que os putos podem ir vestidos da maneira como é habitual. Ná. Há sempre uma docente que acha o máximo que as meninas vistam saia rodada de cetim em cores que reproduzam o arco-íris. Experimentassem chegar à véspera do acontecimento sem ter conseguido descobrir, depois de calcorreadas todas as retrosarias da cidade e mais hipermercados, o tecido da cor da porra do anil, que perderiam de certeza a vontadinha de fazer flores com os filhos dos outros. O que vale é que, nesta como noutras coisas, o mulherio é solidário e lá há uma mãe que, largadas as crias na escola, na manhã do último dia, sensível à minha choradeira, se lembra que no ano anterior também ela suou as estopinhas e até tem lá em casa uma saia que não é bem, bem, bem...mas serve.
Chegamos, enfim, ao dia propriamente dito. Depois de uma data de horas de prejuizo ao patrão, decorridas entre compras de última hora - para não ser a única mãe a aparecer de mãos a abanar e ter que passar mais a vergonha de enfrentar a mesa posta de tudo quanto são as mais elegantes vitualhas , mas onde raios é que elas têm tempo para fazer doces cheios de camadas multicolores? - e mais ir levar e buscar as criaturas ao ensaio geral, onde é que já se viu ser preciso uma porra de um ensaio geral para pôr meia dúzia de putos a desafinar?, só há tempo para picar o ponto e sair a correr ao encontro de uma criança quase em coma histérico porque sou a última e já não chego a horas e mããããeeee, sai já da casa-de-banho que já devíamos lá estar!
Escusado será dizer que, lá chegadas, é o caos.
Progenitores em diversos graus de ascendência e parentes mais ou menos colaterais amontoam-se numa sala sempre de capacidade inferior ao número que lá aflui. Há até quem leve o cão porque o animal de estimação não pode deixar de ver o/a menino/a actuar. A mim, costuma calhar-me a mãe avantajada que se senta e levanta várias vezes e circula pelo corredor apinhado para ir levar inúmeras coisas de última hora ao rebento. Isto, na melhor das hipóteses, porque noutras vezes a companheira do lado é daquelas que grita em euforia Joãozinhooooo!!! e acena durante toda a função. Já os pais, ficam encarregados da máscula função de gravar aquilo tudo. É vê-los, qual repórter da National Geographic, artilhados de saco de lentes e objectivas e câmara, em equilibrismo precário para não perder o melhor ângulo da criancinha, regra geral, na nossa frente.
Curiosamente, o final é sempre o mesmo. A descobrir que é impossível resistir à performance do anjinho, o nosso, pois claro!, que descreve o sol num amplexo redondo de braços e o piu-piu das galinhas com gestos de dedinhos gorduchos na palma da mão e o amor com um abraço apertado em redor de si própria. E mais beijos e abraços estrafegados e que linda, que fofinha, portou-se muito bem, meu amor, minha princesa, e para o ano há mais.
(só até à entrada no 2º ciclo, abençoados sejam os "crescidos")
A festa de final de ano
É então que, feitio e amor maternal em plena batalha campal, sou obrigada a arrastar-me para o local do evento, antecipando, em agonia, as duas horas seguintes.
A coisa começa umas semanas antes, com uma inocente alusão do rebento sobre a música que anda a ensaiar na flauta e não podes ouvir mãe, é surpresa. Uns dias (poucos!) depois, já todo o prédio cantarola a dita música, debaixo do chuveiro matinal, num reflexo condicionado de quem a ouve em repeat mode, de manhã, à hora do almoço, tarde e noite. A fase seguinte é a da vestimenta. Desengane-se que acha que os putos podem ir vestidos da maneira como é habitual. Ná. Há sempre uma docente que acha o máximo que as meninas vistam saia rodada de cetim em cores que reproduzam o arco-íris. Experimentassem chegar à véspera do acontecimento sem ter conseguido descobrir, depois de calcorreadas todas as retrosarias da cidade e mais hipermercados, o tecido da cor da porra do anil, que perderiam de certeza a vontadinha de fazer flores com os filhos dos outros. O que vale é que, nesta como noutras coisas, o mulherio é solidário e lá há uma mãe que, largadas as crias na escola, na manhã do último dia, sensível à minha choradeira, se lembra que no ano anterior também ela suou as estopinhas e até tem lá em casa uma saia que não é bem, bem, bem...mas serve.
Chegamos, enfim, ao dia propriamente dito. Depois de uma data de horas de prejuizo ao patrão, decorridas entre compras de última hora - para não ser a única mãe a aparecer de mãos a abanar e ter que passar mais a vergonha de enfrentar a mesa posta de tudo quanto são as mais elegantes vitualhas , mas onde raios é que elas têm tempo para fazer doces cheios de camadas multicolores? - e mais ir levar e buscar as criaturas ao ensaio geral, onde é que já se viu ser preciso uma porra de um ensaio geral para pôr meia dúzia de putos a desafinar?, só há tempo para picar o ponto e sair a correr ao encontro de uma criança quase em coma histérico porque sou a última e já não chego a horas e mããããeeee, sai já da casa-de-banho que já devíamos lá estar!
Escusado será dizer que, lá chegadas, é o caos.
Progenitores em diversos graus de ascendência e parentes mais ou menos colaterais amontoam-se numa sala sempre de capacidade inferior ao número que lá aflui. Há até quem leve o cão porque o animal de estimação não pode deixar de ver o/a menino/a actuar. A mim, costuma calhar-me a mãe avantajada que se senta e levanta várias vezes e circula pelo corredor apinhado para ir levar inúmeras coisas de última hora ao rebento. Isto, na melhor das hipóteses, porque noutras vezes a companheira do lado é daquelas que grita em euforia Joãozinhooooo!!! e acena durante toda a função. Já os pais, ficam encarregados da máscula função de gravar aquilo tudo. É vê-los, qual repórter da National Geographic, artilhados de saco de lentes e objectivas e câmara, em equilibrismo precário para não perder o melhor ângulo da criancinha, regra geral, na nossa frente.
Curiosamente, o final é sempre o mesmo. A descobrir que é impossível resistir à performance do anjinho, o nosso, pois claro!, que descreve o sol num amplexo redondo de braços e o piu-piu das galinhas com gestos de dedinhos gorduchos na palma da mão e o amor com um abraço apertado em redor de si própria. E mais beijos e abraços estrafegados e que linda, que fofinha, portou-se muito bem, meu amor, minha princesa, e para o ano há mais.
(só até à entrada no 2º ciclo, abençoados sejam os "crescidos")
Comentários
Eu explico: é pelo ritmo descritivo da cena, tal e qual o filme que todos conhecemos nessas ocasiões.
Bem descrito. E o título fica justificado. (pró ano há mais)
Beijo.
Outro.
E viva POrtugal!!!
Mas o que quer, aquilo é dose para mim. Beijo pra si também.
Mas é isso, o que conta é a felicidade deles e essa não se compra com molotov e empadinhas.;-P
Devolvo**
(a mim também me irritam, por causa daquela mania de que ELAS, só porque fazem empadinhas, é que são as mães perfeitas. GRUNF!)