Passa pouco das seis e meia da tarde e enquanto estendo a roupa à mercê de um sol abrasador, observo, da varanda do meu segundo andar climatizado com ar condicionado, vidros duplos e revestimentos XPTO, para o interior do qual vou voar já de seguida, hordas de velhinhas que calcorreiam o inóspito asfalto da rua em frente do meu prédio, armadas de panamás brancos e chapéus de chuva que, sublinhe-se, trazem fechados nos quais se apoiam, em jeito de bengala. Enquanto se deslocam pachorrentamente, por via das cruzes e do calor sufucante, vão falando de algo que não consigo descodificar, por causa da distância a que me encontro.
Maldizendo o calor e a roupa estendida às três pancadas, mais as molas que se me escapam das mãos, pergunto a mim própria o que raio andam aquelas senhoras a fazer na rua podendo, dada sua óbvia condição de reformadas, tão facilmente optar por ficar em casa, à espera que a fresquinha as traga e mais às cadeiras de praia para o passeio em frente à porta, para os dois dedos de conversa da praxe com a vizinha.
De repente, vejo vir mais atrás um outro grupo, desta feita uma família tradicional, pai, mãe, e três crianças de idades seguidas em escadinha e faz-se-me luz: vieram da missa das seis!
Comentários
Na semana que vem tou cá, já acabei as férias (suspiro...) mas porquê, amiga?