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O belo

nunca é excessivo.
Principalmente se nos é dedicado por uma amigo do peito. Aquando da criação de um dos meus vários blogues, esse amigo escreveu-me isto:



Inventei um palco
e construí um cenário:
cortinas de veludo, véus de tule,
lantejoulas, arco-iris de holofotes
e música, a eterna música.
Vivi nele a representar
para mim e para mais alguém,
a sorrir, a sorrir sempre.
Cansei-me.
No camarim arranquei o supérfluo:
a peruca, as pestanas e o rímel
e fiquei só interrogando o espelho.
Só eu, sem palco nem artefactos.
Para quem representei
não aplaudiu porque não entendeu
o esforço da actriz.
Com mágoa, confesso
que só representei aquilo que não sou.
Corri as cortinas e afastei os adereços.
Plantei-me, hirta e confiante,
e gargalhei ao espelho.
Embrenhei-me na chuva de Agosto
e prometi às pedras que pisava
que os meus passos serão decididos
como quem caminha,
to
dos os dias,
para o mistério do sol nascente.

CM (21/08/2004)

Comentários

XICA disse…
Mar, que saudades! Como ele sempre soube brincar com as palavras.
Tanta sensibilidade, tanta loucura, só em busca da felicidade.
Susete Evaristo disse…
Lindo!
Não sei quem escreveu só sei que é daqueles poemas que nos levam a pensar:
Porque não sei eu escrever assim?
Mar disse…
É verdade xica, e já vai no terceiro livro de poesia...
Tudo em nome da felicidade, é mesmo, que finalmente alcançou. Gosto de o ver assim.:-)
Mar disse…
É um grande amigo nosso, susete (até sabes quem é, pelo menos do nome e da fama já ouviste falar.) que também andou pelos blogues há uns anitos e escreve coisas assim. :-)
Mar disse…
Toma lá a dica. está aqui: http://pontosenos.blogspot.com/2008/06/o-homem-e-obra.html
Anónimo disse…
Mar,

é de facto muito bonito o poema, e há nele muito do seu espírito, pelo menos aquele com que escreve, e que me parece tão genuíno que dificilmente acredito que não seja ele transcendência do belo espírito (ía dizer "bela mulher", mas não quero que me interprete mal) que na realidade a habita
Ton
Mar disse…
António, mais uma vez, grande simpatia sua.
De resto, o que lê por aqui é tudo genuino, sem tirar nem pôr.
Até mesmo a ficção.

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