nunca é excessivo.
Principalmente se nos é dedicado por uma amigo do peito. Aquando da criação de um dos meus vários blogues, esse amigo escreveu-me isto:
Inventei um palco
e construí um cenário:
cortinas de veludo, véus de tule,
lantejoulas, arco-iris de holofotes
e música, a eterna música.
Vivi nele a representar
para mim e para mais alguém,
a sorrir, a sorrir sempre.
Cansei-me.
No camarim arranquei o supérfluo:
a peruca, as pestanas e o rímel
e fiquei só interrogando o espelho.
Só eu, sem palco nem artefactos.
Para quem representei
não aplaudiu porque não entendeu
o esforço da actriz.
Com mágoa, confesso
que só representei aquilo que não sou.
Corri as cortinas e afastei os adereços.
Plantei-me, hirta e confiante,
e gargalhei ao espelho.
Embrenhei-me na chuva de Agosto
e prometi às pedras que pisava
que os meus passos serão decididos
como quem caminha,
todos os dias,
para o mistério do sol nascente.
CM (21/08/2004)
Principalmente se nos é dedicado por uma amigo do peito. Aquando da criação de um dos meus vários blogues, esse amigo escreveu-me isto:
Inventei um palco
e construí um cenário:
cortinas de veludo, véus de tule,
lantejoulas, arco-iris de holofotes
e música, a eterna música.
Vivi nele a representar
para mim e para mais alguém,
a sorrir, a sorrir sempre.
Cansei-me.
No camarim arranquei o supérfluo:
a peruca, as pestanas e o rímel
e fiquei só interrogando o espelho.
Só eu, sem palco nem artefactos.
Para quem representei
não aplaudiu porque não entendeu
o esforço da actriz.
Com mágoa, confesso
que só representei aquilo que não sou.
Corri as cortinas e afastei os adereços.
Plantei-me, hirta e confiante,
e gargalhei ao espelho.
Embrenhei-me na chuva de Agosto
e prometi às pedras que pisava
que os meus passos serão decididos
como quem caminha,
todos os dias,
para o mistério do sol nascente.
CM (21/08/2004)
Comentários
Tanta sensibilidade, tanta loucura, só em busca da felicidade.
Não sei quem escreveu só sei que é daqueles poemas que nos levam a pensar:
Porque não sei eu escrever assim?
Tudo em nome da felicidade, é mesmo, que finalmente alcançou. Gosto de o ver assim.:-)
é de facto muito bonito o poema, e há nele muito do seu espírito, pelo menos aquele com que escreve, e que me parece tão genuíno que dificilmente acredito que não seja ele transcendência do belo espírito (ía dizer "bela mulher", mas não quero que me interprete mal) que na realidade a habita
Ton
De resto, o que lê por aqui é tudo genuino, sem tirar nem pôr.
Até mesmo a ficção.