faço uma razia às gavetas.
Nas férias é a altura indicada embora nem sempre consiga dar a a volta àquela vozinha insidiosa que me martela aos ouvidos: cama.., preguiça.., lençóis frescos.., livros.., pilha de revistas..., hmmmm... que, regra geral, consegue obter em mim o chamado "efeito Homer Simpson a babar pelo canto da boca".
Despejar gavetas com quilos de papel antigo é assim uma espécie de lavagem automática da alma. Vamos rasgando recibos de pagamentos vários, de vários anos transactos, cartões de boas festas da última década, contas saldadas com instituições bancárias, apólices de seguro já canceladas e centenas de folhas com anotações obsoletas, como se fôssemos percorrendo a passadeira sob o movimento rotativo das escovas e a espuma redentora.
Fechar uma gaveta acabada de arrumar é encerrar um capítulo, respirar de alívio pelo caminho já percorrido com sucesso, obter espaço para o futuro, abrir a porta a uma vida financeira e de cumprimentos fiscais que recomeça a partir do zero.
Hoje vim do serviço de finanças a saber exactamente quanto vou pagar de mais-valias no IRS de 2008.
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