Havia uma casa.
Não, esperem, havia uma casa dentro de outra casa.
Não, nada disto.
Havia uma pequena casa, que estava dentro de outra casa, dentro da Casa.
A Casa ficava na Praça que tinha uma Igreja e uma Farmácia* e, com ela, ou melhor, dentro dela, lá estavam todas as outras casas.
Não, esperem, havia uma casa dentro de outra casa.
Não, nada disto.
Havia uma pequena casa, que estava dentro de outra casa, dentro da Casa.
A Casa ficava na Praça que tinha uma Igreja e uma Farmácia* e, com ela, ou melhor, dentro dela, lá estavam todas as outras casas.

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Se olhássemos com atenção descobríamos que as casas tinham lá dentro anjos pequeninos,

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e sonhos de algodão e tesouros escondidos dentro de caixinhas coloridas

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e também duendes que moravam em florestas encantadas

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e tinham gente.
Nestas casas havia gente que falava e contava e gente que escutava, gente com gestos e balões e sorrisos e sussuros e muitas palmas. Gente com olhos brilhantes e corpos de abraço e, pelo meio dos abraços, um monte de livros.
Era uma espécie de cidade pequena dentro da outra, a maior, a cidade-mãe. Uma cidade com paredes feitas de letras brancas de esferovite e enormes janelas tapadas a veludo e tule. E sem tecto. Apenas as estrelas como cobertura desta cidade onde, durante uma semana, moraram as palavras.
* Assim chamaram os técnicos da Biblioteca Municipal de Beja aos (alguns) diferentes espaços de trabalho que compuseram a Feira do Livro e da Leitura e as Palavras Andarilhas 2007.
Todas as Fotos são da Mar, à excepção da primeira e foram tiradas a uma das construções mais mágicas e misteriosas desta festa: a casinha com muitos quartos que está na foto 3.
Nestas casas havia gente que falava e contava e gente que escutava, gente com gestos e balões e sorrisos e sussuros e muitas palmas. Gente com olhos brilhantes e corpos de abraço e, pelo meio dos abraços, um monte de livros.
Era uma espécie de cidade pequena dentro da outra, a maior, a cidade-mãe. Uma cidade com paredes feitas de letras brancas de esferovite e enormes janelas tapadas a veludo e tule. E sem tecto. Apenas as estrelas como cobertura desta cidade onde, durante uma semana, moraram as palavras.
* Assim chamaram os técnicos da Biblioteca Municipal de Beja aos (alguns) diferentes espaços de trabalho que compuseram a Feira do Livro e da Leitura e as Palavras Andarilhas 2007.
Todas as Fotos são da Mar, à excepção da primeira e foram tiradas a uma das construções mais mágicas e misteriosas desta festa: a casinha com muitos quartos que está na foto 3.
Comentários
Fotos giras, pá. Com empenho e muitos exercícios respiratórios fazes-te... :-)))
Giras, não estão? exercícios tive que fazer foi com o telelé para apanhar o ângulo dos buraquinhos e captar a imagem do anterior (figurinhas que fazemos...tsc, tsc...)
O texto está bonito, prontes, mas eu gosto de variar nos ângulos como nas posições. Refiro-me às assumidas nas caixas de comentários, na anterior tinha apreciado o texto e agora apeteceu-me variar.
És uma autora muito exigente e mimada. Pff.
:-))
* (e lá em cima era "captar a imagem do Interior", claro...)