Avançar para o conteúdo principal

Margem Esquerda



Desde sempre que gosto desta designação. Margem esquerda. Esquerda porque sim, sempre e margem porque pressupõe a idéia de rio e me aguça o imaginário sobre histórias de posse de território, bairrismos de ambos os lados e amores separados, contrabandistas e aventurosas travessias nocturnas, luar que se reflecte nas águas mansas e alguém que suspira, velhos cais que acolhem quem chega, abraços que se estendem da parte de quem espera. E começo a construir pontes. Podem até ser de madeira e frágeis, balouçantes, troncos encostados a troncos e atados com cordas roídas pelo tempo e cruzá-las pode ser um verdadeiro desafio ao perigo. Podem ser periclitantes e, ainda assim, há sempre quem as cruze. Porque a vontade de chegar é mais forte que todas as condicionantes do caminho.

A propósito da minha jornada de luta de hoje, feita com gente amiga de ambas as margens. A imagem poderia ser a do Guadiana mas o espírito da terra de onde venho é de papoilas. Para além de ser de cravos, evidentemente. :-)

Comentários

XICA disse…
Eu sei que tu nunca me deixas ficar mal, muito pelo contrário, e por isso mesmo TENHO MUITO ORGULHO em ser TUA AMIGA! Queria mesmo que fosses tu a sentir as coisas e sabia que essa sensibilidade só precisa mesmo de muitos musos e musas, não interessa o genero. Brigado AMIGA, não te consigo explicar o tamanho da minha felicidade.
shark disse…
E tás a falar da margem esquerda vista quem tá de frente para a nascente ou para a foz?
:-)
Mar disse…
O bom dos rios, Shark, é que deixam isso à consideração de cada um/a, não se chateiam, sabem é que têm que correr sempre, até tu sabes onde...;-))
Mar disse…
Depois de uns espargos daqueles, era o mínimo que te poderia fazer, miga. ;-)

(tou a brincar para não ficarmos aqui as duas cheias de lagrininha ao canto) ;-))
cereja disse…
é evidente que os cravos vermelhos são... os cravos vermelhos, e pronto!
Mas olha que as papoilas como símbolo não lhe fica atrás.
É uma flor lindíssima. Talvez porque completamente selvagem.
Anónimo disse…
Um ipê amarelo poderá compor o paisagismo dessas pontes?

beijo, Mar.
Mar disse…
Por isso exactamente, Emiéle. Não depende de adubos ou águas mil. Nasce porque quer, porque sim. Fascina-me.

--------------------

Cris, IpÊ de estrada, era isso que queria dizer? Se fôr assim, o mais possível e pode ser amarelo, azul, anil, qual arco-íris que liga dois pontos distantes.

(o português do brasil ainda tem uns termos que não se identificam facilmente por cá ...) :-))
Anónimo disse…
Mas a linguagem do coração ajuda o entendimento, marzita..Como sempre acontece.

Bj
Susete Evaristo disse…
Eu, natural da margem esquerda. Da esquerda porque sim é o meu lado natural. E tu descreves lindamente esse sentimento.
Susete Evaristo disse…
NOTA: roubei-te as papoilas, lindas, vermelho e verde a côr do meu País.
Mar disse…
Tens razão susete, elas juntam a cor da nossa bandeira e a cor da revolução. :-)

E foi lá, na tua terra, que euestive. :-)
Susete Evaristo disse…
Não sei porquê mas palpitou-me isso mesmo.
Mar disse…
;-) susete.
Mazdak disse…
é assim, margem esquerda, também acho muito jeito à designação...vá se lá saber porquê...
Mar disse…
Ora pois, porque será? (ouvi dizer que por essas bandas esquerdas também há uns petiscos sem igual e tal..):-))

Mensagens populares deste blogue

Escrevo

melhor na sombra. Em busca de um pouco de silêncio, volto a esta velha casa, tantos anos ponto de encontro de anónimos, sem amarras, sem nós.  É dificil escrever sobre o medo num local onde se reúnem filhos, irmãos, amigos com rosto, uns mais outros menos, quase nenhuns verdadeiros, quase todos voyers àvidos de vidas que não sejam a sua, sobretudo se houver sangue. Sao salas ruidosas e cheias de tudo, música em loop, filmes da vida real e muita ficção, conversas cruzadas de quem só pede um pouco de atenção, imagens de mundos ao alcance de poucos, quanto mais exótico melhor. São espaços abertos, imensos, demasiado amplos, sem horizonte à vista, cheios de gente aos encontrões, como migantes perdidos em busca de um chão. Andamos por ali, uns e outros, deambulando em scroll, todos conhecidos, todos atores de um teatro que não baixa nunca o pano. E sem espaço para parar, cansados, sem sermos ouvidos, percebemos que só precisamos de um pouco de silêncio. De abrir de novo a represa e...

Esta coisa

nova eu eu descobri na minha mais recente mudança de template e que escarrapachei ali pró lado é muito útil! Eu, que apesar da minha teimosia e de aprender html à conta de muito queimar pestanas, nunca fui capaz de arranjar uma cena daquelas dos feeds ou rss's ou lá o que é e que serviria para me dizer quais os meus blogue(r)s favoritos que tinham acabado de publicar e quando. Nunca fiz a menor idéia de onde ir buscar tal coisa, se tinha que instalar software se não, se apenas teria que que aceder a um site tipo sitemeter, copiar códigos, sei lá, nunca descobri. Nem me esforcei muito, confesso. Apenas maldizia a minha sorte de cada vez que fazia mais uma ronda pelos favoritos e os descobria iguais, paraditos. Aparece agora esta funcionlidade, toda lindinha, no blogger que, diga-se em abono da verdade, tem feito algum esforço de modernização para se equiparar às outras plataformas teoricamente mais sofisticadas. E é ver, os meus favoritos todos ali ao lado, actualizados ao minuto. ...