um dos meus blogues de referência. Menos um. Dos que valem a pena. Faz temer que o processo seja, um dia destes, irreversível...
Explicação da Insónia (12 de 47)
Uma forma de resistir ao ataque à solidão, também. Uma resistência aparentemente cobarde, é certo, mas a tal vitória por falta de comparência do adversário parte de um pressuposto belicista que nem a todos se aplica. Um tipo que se mete debaixo do chuveiro, às escuras e a altas horas da noite, só quer que o deixem em paz. Foge das excursões turísticas, dos assentos nos transportes públicos que recriam o ambiente de sala de estar, dos telefones por todo o lado e da ladainha contra a internet e outros vícios solitários. Não desabafa, mas pressente-se que se queixa da falta de lugares ao balcão nos restaurantes bons, que se aborrece com os fóruns de discussão, com as discussões e com os diálogos. Gosta de monólogos e de entrevistas bem feitas, que no fundo são monólogos telecomandados. Acredita que o melhor dos homens se manifesta em solidão, de forma pouco espectacular mas consequente. Acredita que a construção da humanidade tem sido uma generalização contínua de labores solitários. Tudo isto lhe parece evidente e não lhe inspira grandes angústias. Apenas a constatação de que tem instantes de pura felicidade quando está sozinho, e simplesmente por estar sozinho, o deixa perplexo, porque não se enquadra com a definição de misantropo. De madrugada a solidão por defeito é, afinal, uma qualidade.
Comentários
Mas eu penso que a gente a certa altura se cansa, sabes?
Eu... sabes... de vez em quando já o tenho pensado: mas o que é esta mania? o que ando aqui a fazer?...
Como por enquanto o gosto ainda é maior, vou continuando,mas...
O que eu acho é que sim, há alturas em que sentimos que já esgotámos o que havia para dar, para descobrir, para fazer. Já passei por uma ou duas dessas, nestes anos mas nenhuma foi assim mesmo definitiva...ficou sempre em aberto, ah volto um dia destes quando me apetecer.
Tenho pena de alguns blogues que encerraram em definitivo mas a mioria das pessoas que conheço acaba por ter sempre esta perspectiva de "um dia destes volto" portanto, nada de grave :-)