da ana, aqui em baixo, serviram-me de muleta da inspiração, nos últimos posts. Mas tenho que me deixar disto. Primeiro, porque não é justo andar sistematicamente a "roubar" um trabalho que pode e deve ser visto lá, no blogue que o produz, onde pertence de verdade. Apesar de poder, e também dever, divulgá-lo mas isso é o que já aconteceu. Depois, porque não posso ter desculpas que me impeçam de criar, também eu, alguma coisa de jeito. Neste caso, escrita. Mas a verdade é que nem sempre é fácil. Seja porque não há por aí "musos" aos pontapés, seja porque os caminhos que é preciso trilhar para chegar a este exercício da palavra, nem sempre são isentos de escolhos. É fácil acomodarmo-nos, nisto como em tudo o resto que exija algum esforço. Mental ou físico, o que seja. Tão mais fácil o sofá ali mesmo à mão, anda, senta-te aqui só um bocadinho e, já agora, olha, traz uns amendoins e liga a TV, se calhar tá a dar alguma coisa fixe na FOX, o cabrão do sofá a tentar-nos de mansinho. E a gente a deixar-se alienar no zapping costumeiro.
Até um dia em que o sol nos chama.
A esta hora o sol já vai alto, a caminho dos antípodas, para tornar a chegar às frestas da minha janela, à hora marcada. E eu estou por aqui, de tv apagada e sentada no tapete. Não me apetece deixar-me alienar. Quero manter-me alerta, vigilante, quero dar-me conta dos sons da noite e da brisa morna, a voz dos Xutos que toca na aparelhagem do quarto, ao longe ruidos de gente que passa e ri, para onde irão talvez jantar fora amanhã serei eu. E um grupo de amigos. Preciso de estar atenta, manter a conversa em dia, vigiar aquela barriga que cresce, perguntar se já sabem o sexo. Não posso dar-me ao luxo de desperdiçar os amigos. Sem eles, perco-me, esqueço-me de mim e do que já fiz, não tenho ninguém que se lembre e me lembre, fico sem saber o que ainda me falta fazer.
Não, não posso deixar de ser quem sou, de me cultivar e arrancar todos os dias as ervas daninhas e dar-me água, pura, muito pura, para que possa sempre, para sempre,
renascer.
Comentários
e a mim, que nunca entendo a admiração pelo meu "trabalho", só resta dizer
muito muito obrigada.
ana
O teu "trabalho" é bom porque o fazes por prazer, com sensibilidade. Se não fosse assim não haveria quem to elogiasse. Beijinhos
(e obrigada eu, que assim tenho alvará para roubar quando me apetecer) ;-))
Lá quanto a sofás e fins-de-dia somos iguais. Por isso é que aproveito a pontinha da manhã para escrever os meus posts, muito tipo diário. Claro que também me acontece escrever assim de rajada uma série deles e depois ir publicando, a conta-gotas, um por dia (agora, em Abril, é o que tenho feito com os que venho deixando um por dia - era impossível na pressa da manhã fazer aquele trabalho)
Mas como gosto de comentar a vida de todos os dias, para o meu sistema faz sentido passar por aqui -por lá - enquanto tomo o pequeno almoço.
Ah, quanto ao sofá, tenho um portátil, sabes e isso dá para acumular, o fofinho, o comando da TV e a net!
Neste caso para dizer que o sofá não me tenta prefiro mil vezes estar aqui. Depois porque embora o que escrevo e publico nada tenha de importância (para os outros) tem muita para mim sou incapaz de não gostar do que faço mesmo que o faça só para mim.
Sim assumo-me narcisista q.b. e depois de um dia de trabalho pago, 2 horas de trabalho comunitário à borla, sou incapaz de me sentar e adormecer no sofá, agora são 22,50h e para mim a noite ainda é uma criança. Se não tenho que fazer, invento e isto aqui dá para tanto.
Mesmo sentada no sofé és dez vezes mais produtiva do que eu quando estou em pleno período activo..! :-)))
Quanto ao blogue da ana é daquelas preciosidades que descobrimos e que nos vêem contrariar todos os pressupostso, quando achamos que já nada nos surpreenderá ou espantará..;-)
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Quanto a ti susete, tu és uma força da natureza e eu nem digo nada...hoje por acaso até que estou por aqui, é sexta feira, está uma noite magnífica e dormir parece um desperdício mas durante a semana é mais forte que eu, tiro e queda. Acho que é muito o cansaço por antecipação. Como tenho uns dias super-agitados, com mil e uma tarefas, na noite anterior o sentimento é o de recuperar o mais que puder. :-
Gosto pouco de sabores artificiais na água.